Na carta, Almeida manifesta indignação com o que considera ser uma postura de “seguidismo” e de desconhecimento da história política da Guiné-Bissau, criticando, em particular, o Partido Socialista e o antigo Presidente português Mário Soares pela reação ao assassinato do então Presidente guineense Nino Vieira.
O autor defende que a instabilidade política guineense tem também causas estruturais, apontando a Constituição de 1996 e o modelo semipresidencialista como fatores que, na sua perspetiva, contribuíram para o chamado “duplo poder” e para sucessivas crises institucionais. Segundo a carta, a Guiné-Bissau registou 36 primeiros-ministros e 16 Presidentes da República, sem conseguir concluir um mandato constitucional de quatro anos.
Entre as propostas apresentadas, João Almeida defende a revisão profunda do atual modelo constitucional, a criação de um Executivo forte e com maior estabilidade, a investigação dos crimes políticos através de uma Comissão de Verdade, Memória e Justiça, e o reforço da soberania nacional face ao que considera ser ingerência externa.
Na parte final, o autor apela aos guineenses para que construam uma nova ordem política baseada na soberania nacional e no fortalecimento das instituições, defendendo que o país deve “fechar o capítulo” da herança política do PAIGC e construir uma nova República.

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