terça-feira, 18 de agosto de 2026

Trump ameaça bombardear Omã se colocar entraves a acordo sobre Ormuz... O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou esta segunda-feira bombardear Omã caso o país coloque obstáculos "no caminho" de um acordo sobre o estreito de Ormuz, numa altura em que negociações prosseguem com o Irão.

© Bastien Ohier / Hans Lucas / AFP via Getty Images     Por  LUSA   18/08/2026 

"Se Omã se meter no nosso caminho, vamos bombardeá-los", declarou o Presidente norte-americano durante uma entrevista à emissora Fox News, em resposta a uma pergunta sobre os contactos em curso entre os dois países.

Desde o início do conflito com o Irão, em fevereiro, Trump tem multiplicado declarações contundentes sem seguimento. Responsáveis iranianos e omanis discutem há várias semanas formas de garantir a circulação de navios no estreito, por onde transitava cerca de um quinto dos hidrocarbonetos mundiais antes da guerra.

O sultanato de Omã, que cultiva uma posição de neutralidade numa região marcada por tensões, tem desempenhado papéis de mediação em vários conflitos, do Irão ao Iémen.

Esta segunda-feira chegou ao fim o prazo de 60 dias previsto no memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão para negociar um acordo definitivo destinado a pôr termo ao conflito e alcançar um compromisso sobre o programa nuclear da República Islâmica.

O acordo provisório destinava-se a criar um período sem hostilidades que permitisse às duas partes negociar uma solução mais duradoura para o conflito, mas as hostilidades foram retomadas menos de três semanas depois, num contexto de divergências sobre o controlo da navegação no estreito de Ormuz.

Perante o agravamento da situação, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, falou por telefone com Trump para sublinhar a importância da via diplomática e reafirmar o apoio da Turquia aos esforços de paz.

"O resultado final destas ameaças contra Omã é apenas reflexo da frustração de Trump perante uma situação criada por ele próprio, sem boas opções", avaliou Nate Swanson, do Iran Strategy Project do Atlantic Council, citado pelo jornal New York Times.

As declarações tiveram impacto imediato nos mercados: às 03h30 em Lisboa, o barril de WTI subiu 0,6% para 84,99 dólares (77 euros), enquanto o Brent cresceu 0,4% para 91,22 dólares (82,6 euros).

Teerão mantém o estreito de Ormuz praticamente bloqueado desde a ofensiva israelo-americana que desencadeou a guerra no Médio Oriente, com os EUA a impor um bloqueio aos portos iranianos em resposta,. Trump insiste que Washington tem o "controlo" da via, algo que o Irão classificou como "mentira".

O Presidente norte-americano chegou a afirmar que declararia o estreito "território dos Estados Unidos" após a vitória na guerra, embora o tom sugerisse uma provocação. Teerão respondeu: "O estreito de Ormuz foi iraniano, é iraniano e continuará a ser iraniano. Só o Irão decide quando abrir ou fechar."

Na segunda-feira, um porta-voz da diplomacia iraniana confirmou que "os contactos com Omã prosseguem de forma séria" e que decorrem trocas de pontos de vista sobre uma declaração conjunta.

Washington tem participado também nas negociações, com o emissário norte-americano Jared Kushner a descrever as conversações como "muito positivas e animadas", embora tenha admitido que não existe "muita confiança" entre as partes.

Trump apelou ainda ao Irão para "hastar a bandeira branca da capitulação", acrescentando que não tem pressa e que as eleições intercalares de novembro "não mudam nada" nas suas reflexões.

Durante a entrevista, o Presidente norte-americano reconheceu também a existência de uma linha de comunicação direta entre Washington e os Guardiões da Revolução, a poderosa força ideológica iraniana.

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