quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Israel acusa Guterres de "não dizer verdade" sobre a tomada de UNRWA... O governo israelita acusou hoje o secretário-geral da ONU, António Guterres, de "não dizer a verdade" sobre a tomada pelas forças israelitas de um centro educativo em Jerusalém gerido pela agência UNRWA.

© Ali Ruhluel/Anadolu via Getty Images   Por LUSA  26/08/2026 

"O senhor simplesmente não está a dizer a verdade, mais uma vez", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Israel, Oren Marmorstein, em resposta à condenação de Guterres às ações israelitas, em que este exigiu que as autoridades israelitas "cessem imediatamente a sua ingerência nas instalações da UNRWA, desocupem, devolvam e restaurem sem demora todas as instalações afetadas às Nações Unidas".

Segundo sublinhou o porta-voz do MNE israelita nas redes sociais, "a UNRWA (Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina no Médio Oriente) nunca teve direitos de propriedade sobre as instalações e ocupava-as de forma ilegal".

Acrescentou também que as autoridades israelitas pretendem que "as instalações sirvam como escola e centro comunitário para crianças árabes do bairro de Kafr Aqab".

"O senhor e a UNRWA preferem lançar ataques infundados a Israel, ao invés de agirem no melhor interesse das crianças de Kafr Aqab. Isso é cinismo da pior espécie", apontou Marmorstein, afirmando ainda que as ações israelitas "foram levadas a cabo de acordo com a legislação israelita e internacional".

A este propósito, recordou que Israel aprovou uma lei proibindo as atividades daquela agência da ONU no país "perante provas conclusivas de que funcionários da UNRWA participaram no massacre de 07 de outubro [de 2023], de que funcionários da UNRWA eram agentes terroristas e de que as instalações da UNRWA eram sistematicamente utilizadas para atividades terroristas".

O Governo israelita acusou várias vezes a agência de alegadas ligações ao movimento islamita palestiniano Hamas, responsável pelo ataque de 07 de outubro de 2023 a Israel que fez cerca de 1.200 mortos e 251 reféns, embora uma investigação externa liderada pela ex-ministra dos Negócios Estrangeiros francesa, Catherine Colonna, tenha concluído que as autoridades israelitas não apresentaram qualquer prova que sustentasse tais alegações.

António Guterres condenou na terça-feira as ações de Israel e declarou-se "profundamente alarmado" pela tomada por tropas israelitas do centro educativo gerido pela UNRWA, medida que o Governo justificou com um plano para construir uma estrada e um "complexo educativo" no local.

O responsável máximo da ONU advertiu também de que a ação israelita privará os estudantes de prosseguir a sua formação.

"Durante mais de 70 anos, o centro prestou apoio a milhares de refugiados palestinianos através de formação profissional e de encaminhamento para emprego", sublinhou.

A UNRWA foi criada em 1949 pela Assembleia-Geral da ONU com um mandato para prestar ajuda humanitária e proteção a refugiados palestinianos no Médio Oriente até que fosse alcançada uma solução para a sua situação.

Assim, opera na Cisjordânia – incluindo em Jerusalém oriental -, na Faixa de Gaza, na Jordânia, no Líbano e na Síria.

Israel declarou a 07 de outubro de 2023 uma guerra na Faixa de Gaza para "erradicar" o Hamas, horas depois de este ter realizado em território israelita um ataque de proporções sem precedentes.

A guerra de retaliação israelita no enclave palestiniano fez, até agora, mais de 73.431 mortos, na maioria civis, e pelo menos 174.437 feridos - apesar de um cessar-fogo entrado em vigor a 10 de outubro de 2025, após o qual o Exército israelita continuou a abrir fogo sobre civis palestinianos e o número de vítimas continuou a aumentar.

Pelo menos 1.296 palestinianos foram mortos e 4.296 feridos na Faixa de Gaza desde o início da trégua, segundo números das autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.

A guerra no enclave palestiniano causou, além disso, uma catástrofe humanitária, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.


Leia Também: Guarda Revolucionária do Irão confirma "acordos" com Omã sobre Ormuz

A Guarda Revolucionária do Irão anunciou hoje que foram alcançados "alguns acordos" com Omã sobre segurança no estreito de Ormuz, incluindo a partilha das receitas do tráfego marítimo, mas as negociações ainda vão prosseguir.

Sem comentários:

Enviar um comentário