cmjornal.pt 28 de agosto de 2026
Subiu para três o número de portugueses desaparecidos na tragédia do Nepal. Inicialmente, pensou trata-se de um terramoto.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos chegou a registar um sismo de magnitude 4.4 na região, antes do mar de lama e pedras cruzar a fronteira entre o Nepal e o Tibete. Não parecia suficientemente intenso para provocar tamanha reação da Natureza, apenas o facto de ter sido registado a pouca profundidade, a cerca de 10 quilómetros da superfície, poderia justificar o que estava a acontecer.
Só mais tarde se percebeu a origem do fenómeno: o colapso de um glaciar, a mais de cinco mil metros de altitude, na região montanhosa dos Himalaias, que provocou uma avalanche de rochas e gelo, e atingiu o rio Lhende Khola, criando uma barreira natural. Sob a forte pressão da água, a barreira acabou por ceder, levando tudo à sua frente, com a violência de um tsunami.
Colapso de glaciar na origem da tragédia no Nepal
Ainda é prematuro para fazer o balanço da tragédia. O número de mortos e desaparecidos, muitos deles estrangeiros, entre os quais três portugueses (um homem e duas mulheres), aumenta a cada minuto que passa. Até ao fim do dia desta quinta-feira já tinham sido contabilizadas mais de 350 vítimas mortais, desconhecendo-se ainda o paradeiro de mais de 1300 pessoas. Mas são números provisórios.
Há zonas de difícil acesso, onde as equipas de resgate não conseguem chegar. Ainda assim, policias, militares, escoteiros, voluntários e socorristas já resgataram com vida mais de 500 pessoas. As imagens de quem sobreviveu são impressionantes. Os seus corpos estão completamente cobertos de lama.
Á luta contra o tempo para encontrar quem resistiu à enxurrada, junta-se uma outra preocupação. "O lago que se formou (após a avalanche) no rio ainda não recuou completamente", segundo os primeiros relatórios da situação de emergência. "A possibilidade de outro deslizamento de lama não pode ser, para já, descartada", alerta.
Cenário que pode agravar-se, caso se confirmem as previsões meteorológicas para os próximos dias, que para períodos de chuva. Os detritos resultantes do colapso do glaciar, que resultou da grande quantidade de neve que derreteu abruptamente nas 24 horas anteriores à tragédia face ao aumento súbito da temperatura na região, continuam a formar barreiras naturais instáveis ao longo dos rios, não sendo de excluir novas enxurradas.

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