© Sameer AL-DOUMY / AFP via Getty Images Por LUSA 30/07/2026
O recorde diário anterior deste ano era de 710 chegadas, registado a 15 de junho, e o recorde histórico é de 1.305 entradas no Reino Unido num único dia, verificado no início de setembro de 2022.
O aumento de entradas através do Canal da Mancha -- que liga o norte de França ao Reino Unido - coincidiu com vários incidentes trágicos, incluindo a morte de quatro migrantes em operações de socorro ao largo da costa francesa.
As autoridades francesas reportaram hoje o naufrágio de várias embarcações e a recuperação de corpos perto de Dunquerque e Hardelot.
O número acumulado de migrantes que cruzaram, este ano, o Canal da Mancha em pequenas e precárias embarcações superou as 13.300 pessoas, embora este indicador represente uma queda de cerca de 45% em comparação com o mesmo período de 2025.
O recente aumento nas travessias e a tática dos traficantes de lançar um grande número de embarcações ao longo da costa francesa --- descrita como "assalto total", para sobrecarregar a fiscalização --- acontecem em paralelo com uma forte cooperação bilateral.
As redes de tráfico têm colocado barcos cada vez mais cheios de pessoas no mar, chegando, na semana passada, a serem contabilizadas 152 pessoas numa única embarcação insuflável.
O Reino Unido e França têm um acordo de devolução mútua de migrantes ("one in, one out"), que está em vigor até outubro, e que implica que os migrantes sem documentos que cruzem o Canal da Mancha a partir da costa francesa sejam devolvidos a França desde que, em troca, o Reino Unido acolha, através de rotas legais, outro refugiado ou requerente de asilo que se encontre em solo francês.
O objetivo deste acordo, adotado no ano passado pelo então primeiro-ministro britânico Keir Starmer e pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, visa combater as redes de tráfico humano, demonstrando aos migrantes que a travessia irregular resultará no seu regresso imediato a França, e que existem vias legais e seguras para entrar em território britânico.
A maior parte dos migrantes que cruzam o Canal da Mancha em pequenas embarcações provém de países marcados por conflitos armados ou regimes autoritários, como a Eritreia, o Afeganistão, o Sudão, o Irão ou a Somália.
O controlo da imigração irregular é um dos temas mais sensíveis e debatidos na política do Reino Unido.
O Governo britânico, liderado pelos trabalhistas, tem destacado a queda do total de chegadas em 2026, mas os partidos da oposição e críticos à direita afirmam que a redução não é suficiente, apontando que os traficantes apenas mudaram de tática, usando agora barcos maiores.

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