© Shutterstock Por LUSA 03/08/2026
"Esperávamos um veredicto mais clemente, mas infelizmente...", reagiu em declarações à agência France-Presse (AFP) um dos advogados de Chahana Takiou, jornalista do "22 Septembre" (22 de setembro).
Takiou foi detido no início de junho, na sequência de uma intervenção contra a junta durante o Fórum Panafricano dos 'Media', realizado em Bamaco, a capital.
Durante o fórum, no decorrer de um painel moderado por Idrissa Hamidou Touré, procurador de um tribunal de Bamaco, o jornalista afirmou: "Não há qualquer dinâmica de paz no Mali. Prendem os jornalistas e, em vez de os julgarem ao abrigo do regime de imprensa e dos delitos de imprensa no Mali, é a lei sobre a cibercriminalidade que aplicam".
"A narrativa soberana africana não existe, tal como não existe uma narrativa europeia ou magrebina. O jornalismo é o mesmo em qualquer parte do mundo", tinha também afirmado Chahana Takiou, desencadeando uma ovação dos seus colegas durante outro painel.
Desde a sua chegada ao poder através de um golpe de Estado em 2020, os militares impuseram restrições severas às liberdades no Mali, reduzindo ao silêncio a oposição e as vozes dissidentes por meio de medidas coercivas, processos judiciais e dissolução de partidos políticos.
A junta, liderada pelo general Assimi Goïta, falhou a promessa de devolver o poder aos civis até março de 2024.
O Mali ocupa este ano a 121.ª posição entre 180 países no índice mundial de liberdade de imprensa dos Repórteres sem Fronteiras (RSF).
Este país do Sahel enfrenta desde 2012 uma profunda crise de segurança, alimentada nomeadamente pela violência de grupos terroristas afiliados à Al-Qaida e à organização Estado Islâmico (EI), bem como de grupos criminosos comunitários e separatistas.

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