sábado, 4 de julho de 2026

Kyiv nega que Rússia tenha tomado cidade estratégica de Kostiantynivka... A Ucrânia negou hoje que a cidade estratégica de Kostiantynivka, no leste do país invadido pela Rússia, tenha sido conquistada pelas forças russas, como Moscovo afirmou na sexta-feira.

© Aleksandr Gusev/SOPA Images/LightRocket via Getty Images        Por  LUSA     04/07/2026 

"Os defensores ucranianos continuam a manter as suas posições nas linhas definidas. A situação continua difícil, mas está sob controlo das Forças de Defesa da Ucrânia", declarou ao jornal Ukrainska Pravda e à agência Ukrinform o porta-voz do Estado-Maior-General ucraniano, Andrii Kovalev.

Kovalev sublinhou que, de acordo com o sistema automatizado "Dzvin", do Centro de Controlo Operacional das Forças Armadas da Ucrânia, e com o sistema DELTA, Kostiantynivka continua sob controlo das Forças de Defesa.

O porta-voz indicou que as unidades e subunidades do 19.º Corpo de Exército das Forças Armadas da Ucrânia, integrado no agrupamento de tropas "Leste", continuam a realizar operações defensivas nas posições definidas no interior da cidade e nos respetivos acessos.

Ao mesmo tempo, admitiu que as forças russas mantêm as tentativas de conquistar a cidade, situada na região de Donetsk.

Kovalev explicou que foram registados casos de infiltração de pequenos grupos de infantaria, compostos por uma a três pessoas, na retaguarda das posições de combate ucranianas, mas sublinhou que as Forças de Defesa continuam a realizar operações de contra-sabotagem na cidade.

Acrescentou que, na sexta-feira, as forças russas realizaram 11 operações de assalto naquela direção, que, segundo o porta-voz ucraniano, não obtiveram êxito.

O porta-voz do Estado-Maior-General ucraniano salientou ainda que não é a primeira vez que a Rússia recorre à "divulgação de desinformação e notícias falsas".

Na sexta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que Kostiantynivka tinha sido conquistada, ao dar conta de uma reunião entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas russas, Valeri Gerasimov.

No mesmo dia, aliás, o Kremlin divulgou imagens de Putin, perante o seu estado-maior, reivindicando a captura da cidade ucraniana de Kostyantynivka, de "grande importância estratégica".

Os combates por Kostiantynivka, cuja conquista abriria caminho para a tomada de Sloviansk e Kramatorsk, os principais objetivos da ofensiva russa no Donbass, começaram em outubro de 2025.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 -- após a desagregação da antiga União Soviética -- e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.  

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia contra cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kyiv têm visado alvos em território russo próximos da fronteira e na península da Crimeia, ilegalmente anexada em 2014.  

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões -- Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia -- além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).  


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O Kremlin divulgou na sexta-feira imagens do Presidente Vladimir Putin, perante o seu estado-maior, reivindicando a captura da cidade ucraniana de Kostyantynivka (leste), de "grande importância estratégica".

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