© Getty Images noticiasaominuto.com 02/09/2026
O presidente do Chega, André Ventura, anunciou, esta quarta-feira, dia 2 de setembro, que vai avançar com a moção de censura ao Governo de Luís Montenegro, na sequência dos casos que envolvem o nome do ministro da Administração Interna, Luís Neves.
"O Chega deu entrada hoje, no Parlamento, de uma moção de censura com um objetivo claro: censurar o primeiro-ministro e o Governo pela manutenção de Luís Neves no cargo de ministro da Administração Interna, de questionar as razões pelas quais mantém Luís Neves com todas estas suspeitas, com todos estes problemas, com toda esta degradação, à frente do Ministério da Administração Interna", disse, em declarações, aos jornalistas, na sede do partido, em Lisboa.
E acrescentou: "Tive oportunidade de transmitir, nas últimas horas, quer ao grupo parlamentar, quer ao governo sombra, quer às várias instituições do Estado, a irreversibilidade deste avanço de uma moção de censura que não desejámos, que não era um instrumento desejável, mas cuja degradação das instituições nos obrigou a fazê-lo de forma clara".
Para André Ventura, "se o primeiro-ministro não compreende que este é um problema de decência e dignidade do Estado, então o principal partido da oposição deve-lhe fazer demonstrar humildemente que é mesmo uma questão de dignidade das instituições que as instituições reagem defendendo a democracia, a decência e a integridade".
O líder do Chega ressalvou, no entanto, que, apesar da moção de censura, a comissão parlamentar de inquérito, que já havia sido anunciada pelo partido "precisamente à gestão de Luís Neves, não fica, de forma alguma, colocada em causa".
"Se a moção de censura for aprovada, questão que depende essencialmente ao PS e se está ou não colado a Luís Neves, o Chega comprometesse a um regresso à comissão parlamentar de inquérito, logo após o início de uma nova legislatura", continuou.
No entanto, "se a moção de censura não for aprovada por inviabilização do PS e do PSD, o Chega manterá, no Parlamento, a comissão parlamentar de inquérito como forma de exigir todo o escrutínio, toda a verdade e de não haver desculpas, como houve no passado, a que as irregularidades e as irresponsabilidades sejam atiradas para baixo do tapete e escondidas do tapete".
André Ventura referiu que "não pode uma dissolução do Parlamento, uma demissão, uma qualquer outra crise política estar sempre a afastar a necessidade de escrutínio". "O escrutínio existe e exigisse neste caso", salientou.
O líder do Chega apontou ainda que "o ministro da Administração Interna pode evidentemente dizer que ficou ofendido com as minhas palavras, há instrumentos e formas para isso".
"O que quis transmitir é muito claro: estas não são suspeitas nem pequenas, nem minudências sobre o ministro. Estas são suspeitas que para quem tutela a legalidade colocam em causa de forma severa e direta a sua autoridade e nos levantam as maiores suspeitas sobre a forma como geriu o cargo de diretor da Polícia Judiciária ao longo dos últimos anos e também as maiores suspeitas sobre a forma como favores políticos foram atribuídos ou negados durante esta gestão", frisou.
E sublinhou: "Isto não pode ser anulado, nem ocultado com nenhuma moção. Isto não pode ser anulado, nem aniquilado com nenhuma eleição. Isto tem de ser esclarecido e nós vamos exigi-lo doa a quem doer".
André Ventura afirmou ainda que "o tempo do silêncio cúmplice acabou e esta moção de censura é a prova de que nós não nos vergamos, de que não nos deixamos condicionar e de que, para nós, o tempo do silêncio acabou".
De recordar que o líder do Chega reuniu com os órgãos do partido para tomar uma "decisão final" sobre a apresentação da moção de censura ao Governo.
Na terça-feira, adiantou ainda que tinha falado com o Presidente da República, António José Seguro.
Por sua vez, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou, também na terça-feira, que tem sido alvo de insinuações e mentiras, mas que não se deixará intimidar e continuará a governar e a trabalhar.
"A mim não me intimidam, jamais me intimidarão", afirmou Luís Neves na cerimónia de comemoração dos 148 anos do Comando Regional da PSP da Madeira, que decorreu em Câmara de Lobos.
O ministro defendeu que tem autoridade para continuar a governar e acusou o presidente do Chega, André Ventura, de lançar "o caos, porque dá jeito".
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