quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Grega de 54 anos dá à luz menina a partir de embrião congelado há 22 anos... Uma mulher deu à luz uma menina a partir de um embrião congelado há 22 anos, numa clínica em Atenas, na Grécia. O nascimento deu-se meses depois de o filho da mulher, que nasceu após o mesmo tratamento, ter morrido num acidente de viação, em outubro de 2025.

© Konstantinos Pantos  Por  Notícias ao Minuto  10/09/2026 

Uma mulher de 54 anos deu à luz uma menina a partir de um embrião congelado há 22 anos, esta quarta-feira, numa clínica em Atenas, na Grécia. O momento foi particularmente especial, uma vez que o filho da mulher, que nasceu no rescaldo do mesmo tratamento, em 2004, morreu num acidente de viação, em outubro do ano passado.

“Para a Cristina Rapti-Tzelepi, o nascimento de hoje [quarta-feira] tem um significado emocional especial. Em 2004, após uma transferência de embriões, teve um menino saudável à primeira tentativa. Em outubro de 2025, a família sofreu a trágica perda do rapaz num acidente de viação, aos 21 anos de idade”, contextualizou o ginecologista Konstantinos Pantos, na rede social Facebook.

O médico complementou que a mulher “decidiu aproveitar os embriões que permaneciam criopreservados desde o seu tratamento inicial”, o que implicou “uma corrida contra o tempo”.

“Christina Rapti-Tzelepi teve de concluir atempadamente os procedimentos previstos e obter a autorização necessária da Autoridade Nacional de Reprodução Assistida, dentro do limite etário em vigor para a reprodução assistida, que tem um prazo estrito de 54 anos. O caso de Cristina Rapti-Tzelepi destaca as possibilidades da criopreservação moderna de embriões, mas também a necessidade de que o cumprimento rigoroso das regras seja acompanhado por uma avaliação substantiva das circunstâncias específicas de cada mulher. Quando uma mulher se depara com uma perda pessoal tão grave, a falta de flexibilidade e os prazos sufocantes podem transformar um processo já de si difícil numa corrida de resistência exaustiva”, considerou o profissional de saúde.

Konstantinos Pantos deu ainda conta de que a menina nasceu na maternidade Mitera, às 39,2 semanas de gravidez, com um peso de 3.490 gramas. A transferência do embrião criopreservado a 17 de março de 2004 realizou-se na véspera de Natal, a 23 de dezembro de 2025, na clínica Genesis de Atenas.

O nascimento “está associado à criopreservação de material genético autólogo de maior duração, publicada a nível internacional, que tenha conduzido ao nascimento de uma criança”. O médico especificou que, “desde a criopreservação até ao dia de hoje, decorreram 22 anos, 5 meses e 23 dias”, sendo que “a duração mais longa anteriormente publicada a nível internacional foi de 18 anos e 3 meses, no Japão”.

“De acordo com a revisão bibliográfica da equipa científica da Genesis de Atenas, não se encontra, na literatura científica internacional publicada e avaliada, qualquer caso registado de gravidez e nascimento bem-sucedidos com um período de criopreservação de embriões mais prolongado”, pelo que os investigadores já reuniram os dados clínicos e laboratoriais do caso, que submeterá para publicação na literatura internacional.

“O nascimento da filha de Cristina Rapti-Tselepi constitui um avanço clínico e científico particularmente significativo. Ao mesmo tempo, é uma história de resiliência, amor e esperança, à qual abordamos com absoluto respeito pelo percurso pessoal da família. A medicina deve funcionar com regras e segurança, mas também com humanidade. Cada caso tem a sua própria realidade e os procedimentos institucionais têm de ser capazes de a ter em conta de forma substancial e com flexibilidade, especialmente quando o tempo não está do lado da mulher”, resumiu Konstantinos Pantos.


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