Foto: Annegret Hilse - Reuters Por RTP 07/09/2026
Com a totalidade dos votos apurados, a AfD obteve 43,8% dos escrutínios, ficando a três assentos da maioria absoluta no parlamento regional.
Um eufórico Ulrich Siegmund, candidato a primeiro-ministro da AfD, afirmou na festa eleitoral do partido que a noite era "histórica".
"Fizemos história. É um sinal para toda a Alemanha. É um impulso que atravessa todo o país. É claro que temos um mandato para governar. Estenderemos a mão a quem quiser resolver connosco os problemas que surgiram neste país", afirmou.
O copresidente do partido, Tino Chrupalla, garantiu que a AfD vai "assumir a responsabilidade de governar na Saxónia-Anhalt e também a nível federal", o mais tardar após as eleições gerais de 2029, acrescentou.
Em 2024, a AfD venceu as eleições no estado federado oriental da Turíngia, embora não tenha chegado a governar devido a um "cordão sanitário" formado pelos outros partidos.
A alegria da estrutura dirigente da AfD estende raízes até às eleições federais de 2025, em que a formação se tornou a segunda força a nível nacional, sendo que atualmente ocupa a primeira posição nas sondagens nacionais.
O candidato da União Democrata-Cristã (CDU, na sigla em alemão) na Saxónia-Anhalt, o primeiro-ministro Sven Schulze, manifestou-se desapontado com o resultado do partido, 17,2%, decorrente de metade dos votos obtidos em 2021, reconhecendo o "duro golpe".
"O vencedor das eleições, a AfD, é agora a força política mais forte no parlamento regional da Saxónia-Anhalt", admitiu, acrescentando que as lideranças dos partidos no estado federado, "mas também para além dele, devem enfrentar" o resultado.
O líder do grupo parlamentar da CDU na câmara baixa do parlamento federal em Berlim, Thorsten Frei, considerou a vitória da AfD como "um ponto de viragem para o país".
"Nunca antes vivemos uma situação em que um partido classificado como `extremista de direita` confirmado pelo Gabinete Regional para a Proteção da Constituição obtivesse uma maioria", sublinhou.
O co-líder do Partido Social-Democrata (SPD, na sigla em alemão), que obteve 9,3% nestas eleições regionais, Lars Klingbeil, salientou que o resultado "é um motivo para refletir também sobre a política" feita em Berlim e "sobre o rumo reformista do Governo federal", de coligação entre conservadores e social-democratas.
O resultado sugere que pode haver uma maioria para além da AfD, mas a vitória esmagadora do partido de extrema direita torna pouco viável uma aliança estável entre vários partidos, na qual teriam de participar um partido conservador como a CDU do chanceler Friedrich Merz e uma formação de origem marxista como "A Esquerda", a quinta força política, com 8,6%.
A secretária-geral da CDU, Franziska Hoppermann, reiterou que não é possível manter "conversas sérias com um partido que tem um grave problema de antissemitismo, que defende um modelo de sociedade completamente diferente do [modelo da CDU], que acusa de fazer política fascista".
A líder do grupo parlamentar de "A Esquerda" na câmara baixa, Heidi Reichinnek, salientou que a CDU tem agora de decidir "de que lado da história está".
Os Verdes obtiveram 8,9% e os liberais do FDP, que faziam parte do governo de coligação de Schulze juntamente com o SPD, não entraram no parlamento, enquanto a aliança de esquerda de Sahra Wagenknecht (BSW, na sigla em alemão) conseguiu finalmente entrar por uma margem mínima, com 5,3%.
Com a entrada da BSW no parlamento regional, a AfD afastou-se da maioria absoluta de 42 lugares. Mas a CDU, A Esquerda, os Verdes e o SPD também não dispõem de maioria absoluta, pelo que os populistas de esquerda se tornam numa espécie de força decisiva no Parlamento regional.
A linha defendida pelo partido, que não apoia o cerco político imposto à AfD pelos restantes movimentos, foi reiterada no domingo pela copresidente do BSW, Amira-Mohamed Ali, e consiste na eleição de um executivo de peritos, suprapartidário, que governe com maiorias variáveis e em diálogo com todos os partidos.
Para o BSW, também é uma opção deixar que Siegmund governe em minoria e apoiar a AfD pontualmente.
Pode ainda verificar-se outra constelação: que Siegmund seja eleito primeiro-ministro numa terceira votação no parlamento, na qual apenas precisaria de uma maioria simples, o que seria possível, caso não houvesse um acordo entre os outros partidos.

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