segunda-feira, 6 de julho de 2026

Israel alega que Hamas pretende implementar "modelo Hezbollah" em Gaza... O Governo de Israel defendeu hoje que a "aparente disponibilidade" do Hamas para "dar lugar" a um Governo tecnocrático visa evitar o seu próprio desarmamento e replicar na Faixa de Gaza o "chamado modelo Hezbollah" imposto no Líbano.

© Hassan Jedi/Anadolu via Getty Images  Por  LUSA  06/07/2026 

"O Hamas procura reproduzir na Faixa de Gaza o chamado 'modelo Hezbollah': uma administração tecnocrática seria responsável pela recolha de lixo e por outros serviços municipais, enquanto o Hamas permaneceria como a força militar dominante", escreveu nas redes sociais o chefe da diplomacia israelita, Gideon Saar.

"Enquanto mantiver o seu arsenal, qualquer Governo civil funcionará, naturalmente, segundo as orientações do Hamas", acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, insistindo na exigência do desarmamento total do movimento extremista palestiniano.

Para Saar, esta perspetiva permitirá ao Hamas "continuar a oprimir a população palestiniana na Faixa de Gaza", ao mesmo tempo que "prossegue a sua guerra jihadista contra Israel".

"Israel insiste na plena aplicação do plano do Presidente norte-americano, Donald Trump, cujos princípios fundamentais são o desarmamento do Hamas e de todas as restantes organizações terroristas, bem como a desmilitarização total da Faixa de Gaza", concluiu.

O movimento islamita palestiniano, também um aliado do Irão como é o libanês Hezbollah, anunciou hoje a dissolução das suas estruturas governativas na Faixa de Gaza, após quase 20 anos no poder, abrindo caminho à administração do território por um comité tecnocrático.

"O presidente do comité de emergência do Governo, Mohammed al-Farra, apresentou oficialmente a sua demissão", declarou à agência noticiosa francesa AFP Ismail al-Thawabta, diretor do gabinete de comunicação social do Governo do Hamas, acrescentando que foi decidida "a dissolução do comité para facilitar a transição administrativa e governativa para o Comité Nacional para a Administração de Gaza (NCAG)".

O comité foi criado pelo Conselho da Paz, estabelecido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, durante as negociações que conduziram ao cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em outubro de 2025.

O NCAG, presidido pelo palestiniano Ali Shaath, tem sede no Cairo há vários meses, depois de Israel se ter oposto, segundo várias informações, ao seu destacamento para o território devastado pela guerra.

A primeira fase do cessar-fogo permitiu a libertação dos últimos reféns israelitas detidos pelo Hamas, em troca de palestinianos presos por Israel.

Contudo, a passagem à segunda fase, que previa o desarmamento do Hamas e uma retirada gradual das forças israelitas da Faixa de Gaza, permanece bloqueada há vários meses.

Pelo contrário, as forças israelitas reforçaram a sua presença no enclave, enquanto o modelo de governação da Faixa de Gaza no pós-guerra continua a ser um dos principais pontos de divergência.

Israel exclui qualquer regresso do Hamas ao poder, mas rejeita igualmente, nesta fase, o restabelecimento da administração direta da Faixa de Gaza pela Autoridade Palestiniana.

Um acordo de cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025 entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, colocando fim a dois anos de guerra no enclave, desencadeada pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do grupo extremista no sul do território israelita, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.

Em retaliação dos ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

Apesar do acordo de cessar-fogo, as duas partes acusam-se mutuamente e regularmente de violar a trégua.


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