© Abdulnasser Alseddik/Anadolu via Getty Images Por LUSA 06/07/2026
Rashad al Alimi afirmou, durante uma reunião em Riade com embaixadores de países que apoiam o processo de paz no Iémen, que "as informações preliminares desmentem completamente a versão Huthi sobre o caráter humanitário do voo", avançou a agência noticiosa estatal Saba.
Al-Amini adiantou que o voo transportava "pessoal militar e de segurança, especialistas iranianos especializados no desenvolvimento de drones e sistemas de mísseis, bem como equipamento eletrónico que poderia ser utilizado em sistemas de comando e controlo militar", ao mesmo tempo que na aeronave se encontravam "iemenitas que tinham recebido formação em segurança no Irão", segundo a agência.
O Presidente do Governo iemenita reconhecido internacionalmente acrescentou que o sinal de localização do avião desapareceu repetidamente enquanto este atravessava o espaço aéreo iemenita.
"Este comportamento contradiz as afirmações da milícia de que se tratava de um voo humanitário e justifica uma investigação internacional independente", declarou Al-Alimi.
O líder iemenita acrescentou que a aeronave pertencia à companhia aérea iraniana Mahan Air e afirmou que esta "tem estado associada, nos últimos anos, a sanções internacionais e a acusações de prestar apoio logístico à Guarda Revolucionária iraniana", o que torna o incidente "ainda mais perigoso" e exige "o máximo grau de vigilância internacional".
As acusações surgem três dias após um avião civil iraniano ter aterrado no Aeroporto Internacional de Sana, o que intensificou as tensões entre os Huthis e a coligação militar liderada pela Arábia Saudita.
A aliança, que controla o espaço aéreo do Iémen, não permite voos do Irão para zonas controladas pelos Huthis, sob o pretexto de que estes poderiam violar as sanções da ONU.
Os Huthis declararam na sexta-feira que enfrentaram caças sauditas que tentavam impedir a aterragem do avião iraniano e prometeram continuar os voos entre Teerão e Sana.
O porta-voz militar do grupo Huti, Yahya Sarea, advertiu que os rebeldes atacariam aeroportos sauditas e infraestruturas terrestres e marítimas vitais caso a Arábia Saudita continuasse com o que o grupo descreveu como violações do espaço aéreo iemenita.
Al Alimi apelou a "uma postura internacional mais firme face à flagrante ingerência do Irão nos assuntos iemenitas" e exigiu uma "investigação internacional sobre a carga do avião e sanções mais severas contra os Huthis".
O Irão negou repetidamente que esteja a armar os Huthis, apesar das conclusões reiteradas de peritos da ONU e de governos ocidentais que associam Teerão a envios de armas e apoio militar ao grupo.

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