quinta-feira, 7 de maio de 2026

FMI E GUINÉ-BISSAU CHEGAM A ACORDO PARA NOVA AVALIAÇÃO ECONÓMICA E DESBLOQUEIO DE 1,6 MILHÕES DE DÓLARES

 Rádio Sol Mansi   07 05 2026 

A Guiné-Bissau alcançou um acordo com o corpo técnico do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre um conjunto de políticas económicas e financeiras que poderão permitir a conclusão da décima primeira avaliação do programa apoiado pela Facilidade de Crédito Alargado.

Segundo um comunicado do FMI publicado na sua página web, que a Rádio Sol Mansi tem acesso, com o acordo a Guiné-Bissau terá acesso imediato a cerca de 1,6 milhões de dólares norte-americanos, reforçando o apoio financeiro internacional ao programa económico guineense.

Segundo o FMI, o entendimento alcançado reflete o “bom desempenho do programa” e o compromisso contínuo das autoridades nacionais com políticas macroeconómicas prudentes, disciplina orçamental e reformas estruturais destinadas a garantir estabilidade económica e crescimento inclusivo.

A mesma fonte avança ainda que a missão do FMI esteve em Bissau entre os dias 21 e 29 de abril de 2026, liderada por Niko Hobdari, chefe da missão para a Guiné-Bissau. No final das discussões, ele confirmou que todas as metas estabelecidas para março de 2026 foram cumpridas pelas autoridades nacionais.

De acordo com o FMI, a economia guineense manteve um crescimento forte em 2025, estimado em 5,8%, impulsionado principalmente pela produção agrícola, com destaque para as exportações da castanha-de-caju, principal produto de exportação do país.

O investimento privado também contribuiu para o desempenho positivo da economia nacional.

No entanto, a instituição financeira internacional prevê uma desaceleração do crescimento em 2026 devido a fatores externos considerados preocupantes, como o aumento dos preços internacionais dos combustíveis, associado ao conflito no Médio Oriente, além de possíveis atrasos e limitações na campanha agrícola da castanha-de-caju.

O FMI sublinha que as autoridades guineenses continuam empenhadas em alcançar as metas fiscais previstas para 2026, através do reforço da arrecadação de receitas e do controlo rigoroso das despesas públicas.

Entre as medidas acordadas estão ações para fortalecer a administração tributária, melhorar o controlo das despesas do Estado, reforçar a gestão da dívida pública e preservar a confiança dos investidores.

Segundo o organismo internacional, estas medidas serão fundamentais para manter a estabilidade macroeconómica do país e garantir condições para um crescimento económico sustentável.

Apesar dos resultados positivos, o FMI alerta para riscos significativos que continuam a ameaçar a economia da Guiné-Bissau, nomeadamente condições meteorológicas adversas, possíveis quedas nos preços de exportação, dificuldades de financiamento externo e volatilidade no mercado internacional.

A instituição considera igualmente importante a aposta na diversificação económica, sobretudo nos setores da pesca, mineração e petróleo, como forma de reduzir a dependência da castanha de Caju e aumentar a resiliência económica do país a médio prazo.

A Facilidade de Crédito Alargado é um mecanismo do FMI destinado a apoiar países com dificuldades persistentes na balança de pagamentos, promovendo estabilidade macroeconómica, crescimento sustentável e redução da pobreza.

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