quinta-feira, 7 de maio de 2026

Troca de tiros entre forças iranianas e "inimigo" no estreito de Ormuz... As forças armadas iranianas trocaram tiros com "o inimigo" norte-americano na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz, noticiaram hoje os media estatais em Teerão.

© Getty Images   Por  LUSA  07/05/2026 

Segundo a televisão estatal, as forças da República Islâmica abriram fogo em retaliação pelo "ataque militar dos Estados Unidos a um petroleiro iraniano". 

A mesma fonte relatou anteriormente explosões na ilha iraniana de Qeshm, no Estreito de Ormuz.  

Após o ataque ao petroleiro, "as unidades inimigas no estreito foram alvejadas por mísseis iranianos e forçadas a fugir após sofrerem danos", informou o canal de notícias IRIB, citando um oficial militar não identificado.  

As forças norte-americanas não se pronunciaram sobre as alegações dos media estatais com base em fontes anónimas.

A ilha de Qeshm é a maior ilha iraniana do Golfo Pérsico, com cerca de 150 mil habitantes, e alberga uma central de dessalinização de água.

Teerão mantém bloqueado o estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica para o comércio global de combustíveis fósseis, desde 28 de fevereiro, data em que os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra a República Islâmica que já fez milhares de mortos, sobretudo no seu território e no do Líbano, e abalou a economia mundial.

Washington, por sua vez, mantém o bloqueio aos portos iranianos, imposto a 13 de abril, cinco dias após a entrada em vigor de um cessar-fogo.

Teerão afirmou nos últimos dias estar a analisar as mais recentes propostas de Washington para o fim da guerra.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu na quarta-feira que Washington tem tido negociações "muito boas" com Teerão e considerou "muito possível" um acordo para pôr fim à guerra .

As suas declarações surgiram horas depois de ter decidido suspender a operação de escolta de navios presos desde fevereiro no Golfo Pérsico devido ao bloqueio iraniano em Ormuz, de forma a permitir que ambos os lados chegassem a um entendimento que pusesse fim ao conflito.

Os Estados Unidos e vários países do golfo Pérsico instaram hoje o Conselho de Segurança da ONU a exigir ao Irão que "deixe de impedir" a navegação no Estreito de Ormuz.

Esta pressão surge numa altura em que um projeto de resolução nesse sentido corre o risco de ser vetado.

"Acreditamos em princípios fundamentais, como a liberdade de navegação para todos os países do mundo. É isso que está em causa aqui", declarou à imprensa o embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz, rodeado dos homólogos do Bahrein, da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Qatar e do Kuwait.

Há alguns dias, EUA e Bahrein apresentaram aos membros do Conselho de Segurança uma proposta de resolução estipulando que o Irão deve "cessar imediatamente todos os ataques e ameaças" a navios e "qualquer tentativa de impedir" a liberdade de navegação naquele estreito estratégico, incluindo "a colocação de minas" e a criação de "portagens ilegais".

O texto exige igualmente que Teerão divulgue o número e a localização das minas e as remova e permita, além disso, a definição pela ONU de um "corredor humanitário", em especial para a passagem de fertilizantes, para impedir uma fome global.

Em meados de março, o Conselho aprovou uma resolução muito firme contra Teerão, exigindo o "fim imediato" dos ataques aos vizinhos do golfo Pérsico e condenando o bloqueio do estreito de Ormuz.

A Rússia e a China abstiveram-se nessa ocasião, mas ambas vetaram depois, no início de abril, um texto que incentivava os Estados envolvidos a coordenarem esforços, "de natureza defensiva", para garantir a liberdade de navegação.

E, segundo fontes diplomáticas, a Rússia, aliada da República Islâmica, indicou na quarta-feira estar preparada para bloquear o novo texto.

O Irão criou hoje uma agência governamental para fiscalizar e tributar as embarcações que procuram passagem pelo Estreito de Ormuz, informou uma empresa de dados marítimos.

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