terça-feira, 26 de maio de 2026

Guerra leva a multiplicação de incidentes de violência em escolas russas... Especialistas consideraram à agência AFP que a multiplicação de episódios de violência em escolas na Rússia pode ser explicada pelo ambiente militarizado ligado à guerra na Ucrânia.

© Maksim Konstantinov/SOPA Images/LightRocket via Getty Images    Por LUSA   26/05/2026 

Num incidente descrito pela France Presse, quando uma professora tentou acordar em sala de aula um aluno adormecido, este murmurou "vais arrepender-te", antes de a agredir.

No final da aula, o adolescente de 16 anos encostou um bisturi médico ao pescoço da docente, provocando-lhe ferimentos e dizendo: "da próxima vez esfaqueio-te", relatou à AFP a professora de uma escola no noroeste da Rússia, sob anonimato.

Desde o início do ano já foram registados 14 ataques, contra 15 em todo o ano de 2025.

Quase metade dos incidentes ocorridos nos últimos 25 anos sucedeu após o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022, segundo o jornal independente Novaïa Gazeta.

Alguns dos casos relatados envolvem um adolescente que disparou uma pistola de ar comprimido contra uma escola primária na região de Krasnodar; um professor foi morto à facada; uma jovem incendiou uma sala de aula antes de atacar colegas com um martelo na Sibéria.

De acordo com o ministério russo do Interior, "na maioria dos casos, os adolescentes agiram sob influência negativa de terceiros e do espaço informacional".

Já especialistas independentes apontam o clima de assédio e o desejo de vingança como principais motivos, agravados pelas consequências da ofensiva russa contra a Ucrânia.

Alguns jovens vestiram fardas militares antes de cometer ataques. "É um sinal de que a guerra penetra cada vez mais nas mentes das crianças", afirmou Iuri Lapchin, antigo responsável por um serviço psicológico escolar em Moscovo, atualmente exilado em França.

As autoridades russas introduzem a ofensiva militar na vida escolar através de grupos juvenis patrióticos, palestras de veteranos e atividades militaristas.

"Nenhum vírus no mundo se espalha tão rápido como o da violência", alerta Olga Jouravskaïa, que angaria fundos para o projeto antiassédio Travli NET.

A professora agredida com o bisturi tinha pedido formação após ataques em três escolas numa semana, sem sucesso.

O aluno aceitou abandonar o estabelecimento e a direção pediu-lhe para não denunciar o caso à polícia. Foram instaladas câmaras e detetores de metais, mas colegas aconselharam-na a não criar problemas para manter o posto.

A resposta das escolas é também desigual. Em algumas escolas foram realizados exercícios antiterroristas, incluindo cenários de ataques com drones, explosivos e agressores armados, enquanto alunos e professores foram instruídos para se barricar nas salas, debaixo das mesas, ou se escondem-se em cantos.

Lapchin considera esta abordagem questionável, defendendo, em contrapartida, a necessidade de identificação de estudantes isolados ou em sofrimento.

Vários docentes admitiram à AFP sentir medo. Uma professora de História na Sibéria, por exemplo, apontou a crescente agressividade nos alunos, numa região de onde muitos homens partiram para combater na Ucrânia.

Um professor de Física na região de Moscovo, entretanto, disse que alguns colegas evitam dar más notas por receio de represálias. "E se ele voltar com uma arma?", questionaram.

A professora agredida, por exemplo, teme que o ex-aluno a espere fora da escola. A polícia não considera os factos suficientes para abrir investigação criminal.


Leia Também: Estados Unidos continuam disponíveis como mediadores na guerra da Ucrânia

Os Estados Unidos continuam disponíveis para se assumir como mediadores no conflito entre a Rússia e a Ucrânia, declarou hoje o secretário de Estado Marco Rubio, após uma ofensiva russa massiva contra Kyiv.

Sem comentários:

Enviar um comentário