© MEHDI MARIZAD/FARS NEWS/AFP via Getty Images Por LUSA 19/03/2026
O agravamento da guerra no Médio Oriente fez disparar novamente os preços globais dos combustíveis, com o preço do gás na Europa a disparar hoje 35%.
Um navio atingido incendiou-se hoje ao largo da costa dos Emirados Árabes Unidos e outro ficou danificado perto do Qatar, numa altura em que se verifica um controlo "de facto" do Estreito de Ormuz por parte do Irão.
O Qatar, importante fornecedor de gás natural para os mercados mundiais, informou hoje que os bombeiros extinguiram um incêndio numa instalação de GNL, depois de ter sido atingida por mísseis iranianos.
A produção já tinha sido interrompida após ataques anteriores, mas o país afirmou que a última vaga de mísseis causou incêndios "consideráveis".
Um ataque com um aparelho aéreo não tripulado (drone) contra a refinaria Mina Al-Ahmadi, no Kuwait, provocou um grande incêndio, segundo a agência de notícias estatal KUNA.
A refinaria é uma das maiores do Médio Oriente, com uma capacidade de produção de petróleo de 730 mil barris por dia.
As autoridades de Abu Dhabi disseram hoje que foram forçadas a interromper as operações na instalação de gás em Habshan e no campo de Bab.
Os países do Golfo condenaram os ataques iranianos contra instalações de prospeção e distribuição de energia.
As sirenes de alerta de mísseis soaram em várias outras áreas em redor do Golfo, e Israel alertou para a possibilidade de novos ataques iranianos.
O petróleo Brent, referência internacional, estava hoje acima dos 110 dólares por barril, uma subida de mais de 50% desde que Israel e os Estados Unidos iniciaram a guerra a 28 de fevereiro com ataques contra o Irão.
O regime de Teerão retaliou após Israel ter atingido o campo de South Pars, o maior do mundo, localizado na costa do Golfo Pérsico e propriedade conjunta do Irão e do Qatar.
Com cerca de 80% de toda a energia gerada no Irão proveniente de gás natural, segundo a Agência Internacional de Energia, com sede em Paris, o ataque ameaçou diretamente o fornecimento de eletricidade ao país.
O gás natural é também utilizado para aquecimento e para cozinhar em casas de toda a República Islâmica.
O Irão condenou o ataque a South Pars, com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, a alertar para "consequências incontroláveis" que podem afetar o mundo inteiro.
Nos Estados Unidos, o Presidente Donald Trump afirmou que Israel não voltaria a atacar South Pars, mas acrescentou que, se o Irão continuasse a atacar as infraestruturas energéticas do Qatar, a retaliação de Washington iria ser no sentido de destruir "completamente" toda a instalação.
Entretanto, a companhia Qatar Energy disse que um míssil atingiu hoje a "enorme instalação" de GNL em Ras Laffan, provocando um incêndio.
Um navio foi também atingido ao largo da costa do país registou o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.
A Arábia Saudita também informou ter abatido, durante a noite, drones iranianos que tinham como alvo as instalações de gás natural.
Outro navio foi incendiado hoje, ao largo da costa dos Emirados Árabes Unidos e ainda não é claro se foi alvo de um ataque ou atingido por destroços perto da entrada do Estreito de Ormuz, por onde navega um quinto do petróleo mundial.
Até ao momento, mais de 20 embarcações foram atacadas durante a guerra com o Irão.
O número de mortos aumentou na terceira semana de guerra sendo que mais de 1.300 pessoas no Irão foram vítimas dos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel.
Os ataques israelitas deslocaram mais de um milhão de libaneses --- aproximadamente 20% da população ---, segundo o Governo de Beirute, que afirma que 968 pessoas foram mortas.
Em Israel, 15 pessoas morreram na sequência de disparos de mísseis iranianos.
Pelo menos 13 militares norte-americanos foram mortos desde o princípio do conflito.
Leia Também: Preço do gás dispara 35% após ataque do Irão à maior instalação de gás natural do mundo
O preço do gás na Europa disparou esta quinta-feira 35% após os ataques às infraestruturas energéticas no Médio Oriente, em particular o ataque iraniano à maior instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, no Qatar.


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