© ISAAC LAWRENCE/AFP via Getty Images Por LUSA 19/03/2026
A secretária para a Educação, Christine Choi Yuk-lin, avisou esta quarta-feira que mais primárias poderão encerrar e aconselhou as instituições de educação a procurarem fusões para manterem as portas abertas.
As autoridades de Hong Kong anunciaram que não irão subsidiar 15 escolas primárias que receberam menos de 16 inscrições para o primeiro ano de escolaridade no próximo ano letivo, 2026/2027.
Uma delas é a Escola da Associação Empresarial dos Cinco Distritos, uma instituição com 69 anos de história, onde estudou o atual líder do Governo local, John Lee Ka-chiu.
Christine Choi disse à emissora pública RTHK que a antiga colónia britânica tem registado um número cada vez menor de crianças em idade escolar nos últimos dez anos, face à queda da natalidade.
O número de alunos inscritos no primeiro ano do ensino primário em 2026-27 diminuiu em cerca de quatro mil em comparação com o atual ano letivo, acrescentou a secretária para a Educação.
Mas o pior ainda está para vir, admitiu Choi.
"O número pode cair ainda mais no próximo ano, considerando a queda da taxa de natalidade. Precisamos de virar a página hoje e usar novas ideias para enfrentar o problema", disse a dirigente.
"Planear apenas o próximo passo não nos oferece um ambiente estável", acrescentou.
O Departamento de Educação de Hong Kong prevê que o número de crianças de seis anos desça de 47 mil em 2025 para 38.300 até 2035.
Christine Choi aconselhou as instituições com baixas matrículas de alunos a procurarem fusões para evitar mais encerramentos no futuro.
"O governo ofereceu várias medidas para facilitar a recuperação das escolas nos últimos anos (...) Agora já não há como voltar atrás, e temos de encarar o problema de frente", disse a secretária para a Educação.
Hong Kong registou em 2025 cerca de 31.100 nascimentos, o número mais baixo de sempre.
Em 2023, o Governo lançou um subsídio de 20 mil dólares de Hong Kong (cerca de 2.150 euros) para novos pais, para incentivar as famílias a terem filhos, num programa com a duração de três anos.
O Executivo previu que o subsídio podia ajudar o número anual de nascimentos a atingir 39 mil, mais 20% do que em 2022. Mas o total de recém-nascidos ficou-se por 33.200 em 2023 e 36.700 em 2024.
Em setembro, John Lee anunciou que, a partir de 2026, a isenção fiscal de 130 mil dólares de Hong Kong (14 mil euros) para novos pais vai ser prolongada de um para dois anos após o nascimento.
No ano passado, também a vizinha região chinesa de Macau registou 2.871 recém-nascidos, o menor número em quase meio século.
Em 2025, a China continental registou 7,92 milhões de nascimentos, um novo mínimo histórico desde a fundação da República Popular da China, em 1949. A taxa de natalidade também caiu para mínimos históricos, com 5,63 por cada mil pessoas.

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