© Shutterstock Por LUSA 19/03/2026
Síntese dos principais acontecimentos das últimas horas da guerra no Médio Oriente, desencadeada pela ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, com base na agência de notícias France-Presse (AFP):
Irão reitera ameaças de represálias
"Avisamos o inimigo de que está a cometer um erro grave ao atacar a infraestrutura energética da República Islâmica do Irão", declarou o centro de comando conjunto iraniano, Khatam Al-Anbiya, citado pela agência de notícias Fars.
"Se isto se repetir, as represálias contra as vossas infraestruturas energéticas e as dos vossos aliados continuarão até à sua destruição", afirmou.
O comando iraniano prometeu uma "resposta muito mais violenta" do que a registada durante os ataques realizados durante esta madrugada contra locais do Golfo.
Irão propõe cobrar passagem no estreito de Ormuz
O parlamento do Irão está a analisar uma proposta para a imposição do pagamento de direitos de passagem aos navios no estreito de Ormuz, noticiou a agência oficial Isna.
"Estamos a trabalhar num plano segundo o qual os países deverão pagar direitos e taxas à República Islâmica se o estreito de Ormuz for utilizado como via segura" para o transporte de energia e de mercadorias, declarou a deputada Somayeh Rafiei.
Macron defende trégua durante festa do fim do Ramadão
O Presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou uma "escalada inconsiderada" no Médio Oriente, onde a guerra se estendeu aos locais de produção de hidrocarbonetos, em particular no Qatar.
Macron apelou ao fim dos combates durante o Eid al-Fitr, a festa que marca o fim do Ramadão.
França propõe moratória sobre infraestruturas energéticas
Macron propôs também uma moratória sobre os ataques contra infraestruturas civis, nomeadamente energéticas, afirmando ter conversado com o homólogo norte-americano, Donald Trump, e com o emir do Qatar, xeque Tamim ben Hamad al-Thani.
Em resposta, o Irão criticou Macron por apenas denunciar os ataques iranianos.
"A expressão da sua 'preocupação' não se seguiu ao ataque de Israel contra as nossas instalações de gás. Surge após as nossas represálias. Triste!", reagiu o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi.
Petróleo: Brent sobe mais de 10%
O barril de Brent do Mar do Norte, referência do mercado petrolífero mundial, estava a subir esta manhã 9,92%, para 118,03 dólares, pouco depois de ter subido mais de 10%.
O equivalente norte-americano, o barril de West Texas Intermediate, ganhava 2,59%, para 98,81 dólares.
O gás europeu também disparou e pouco depois do início da cotação, o contrato a prazo do TTF neerlandês subia 24,13%, para 67,85 euros por megawatt-hora, após ter aumentado até 35%.
As bolsas europeias abriram em queda acentuada: -1,5% em Frankfurt, -1,20% em Paris, -1,28% em Londres e -1,27% em Milão.
Lisboa arrancou a sessão a perder -0,87%.
Três explosões ouvidas em Telavive
Três explosões foram ouvidas em Telavive após um alerta de mísseis iranianos.
O exército israelita disse que este disparo de mísseis a partir do Irão, que visou o centro de Israel, era o sexto em direção ao território israelita desde a meia-noite.
Refinaria saudita atingida por drone
Um drone atingiu a refinaria saudita de Samref, situada na zona industrial de Yanbu, nas margens do mar Vermelho.
O Ministério da Defesa saudita disse que estava ainda a avaliar os danos.
Pequim denuncia morte de Ali Larijani por Israel
A China considerou inaceitável que Israel tivesse matado o chefe da segurança iraniana, Ali Larijani, bem como qualquer outro dirigente iraniano, e voltou a exigir um cessar-fogo imediato.
Kuwait: incêndios em duas refinarias após ataques de drones
Um drone atingiu uma das mais importantes refinarias da companhia petrolífera nacional do Kuwait, provocando um incêndio numa das unidades, noticiou um meio de comunicação estatal.
Um pouco mais tarde, uma unidade de uma segunda refinaria da companhia incendiou-se, também após um ataque de drone.
Dois combatentes de um grupo pró-iraniano mortos no Iraque
Dois combatentes do Hachd al-Chaabi, uma aliança de ex-paramilitares iraquianos que integra grupos pró-iranianos, foram mortos em ataques "israelo-norte-americanos" no norte do Iraque, anunciou a organização.
Arábia Saudita "reserva-se o direito" de responder
"Reservamo-nos o direito de realizar ações militares se tal se revelar necessário", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Faisal bin Farhan, após uma reunião em Riade de cerca de uma dezena de chefes da diplomacia de países árabes ou muçulmanos.
Três execuções no Irão
O Irão anunciou a execução de três homens, a que chamou amotinados, considerados culpados do assassínio de membros das forças da ordem e de terem agido em nome de Israel e dos Estados Unidos.
Cathay Pacific: voos suspensos para o Dubai e Riade até 30 de abril
A companhia aérea de Hong Kong Cathay Pacific suspendeu os voos com destino e proveniência do Dubai e Riade devido à guerra no Médio Oriente, até 30 de abril de 2026.
Donald Trump ameaça destruir campo de gás se Irão continuar ataques no Qatar
O Presidente dos Estados Unidos ameaçou na quarta-feira destruir o imenso campo de gás iraniano de South Pars em caso de novo ataque do Irão contra um importante local de produção de gás natural liquefeito (GNL) no Qatar.
Se o Irão atacar novamente o Qatar, "os Estados Unidos, com ou sem (...) Israel, destruirão massivamente a totalidade do jazigo de gás de South Pars com uma força e uma potência que o Irão nunca viu nem conheceu anteriormente", escreveu Trump na rede social de que é proprietário.
Qatar lamenta danos consideráveis em instalações de gás
O Qatar, segundo maior exportador mundial de GNL, anunciou novos "danos consideráveis" no complexo de Ras Laffan, o mais importante local de gás natural do mundo, já danificado na quarta-feira.
A proteção civil do Qatar afirmou ter controlado os incêndios no local e não comunicou a existência de vítimas.
O Irão afirmou estar a reagir a um ataque contra a parte iraniana deste campo de gás 'offshore', que Teerão designa por South Pars.
Futebol: Irão pretende boicotar os Estados Unidos, não o Mundial
O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, afirmou na quarta-feira que o Irão "boicotava os Estados Unidos", mas não o Campeonato do Mundo.
A participação iraniana no Mundial 2026 é incerta desde a guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.
Leia Também: EUA admitem que não têm prazo para fim das operações militares
O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, admitiu hoje que não existe um calendário definido para o fim das operações militares norte-americanas no Irão, cabendo ao Presidente decidir quando os objetivos forem alcançados.


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