terça-feira, 7 de julho de 2026

Alemanha defende que Líbano deve eliminar ameaça do Hezbollah... O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, apelou hoje, em Jerusalém, às autoridades libanesas para que ponham termo ao "controlo" exercido pelo movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irão, no sul do Líbano.

© Osmancan Gurdogan/Anadolu via Getty Images      Por LUSA   07/07/2026 

"É fundamental que o Líbano demonstre agora determinação, afirme a sua autoridade e garanta que o Hezbollah deixe de exercer um controlo efetivo sobre o sul do país", declarou Wadephul numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo israelita, Gideon Saar, no âmbito de uma visita a Jerusalém.

"Nenhuma ameaça, seja qual for, deve partir do território libanês contra Israel", acrescentou.

O Hezbollah envolveu o Líbano no mais recente conflito no Médio Oriente a 02 de março, ao disparar foguetes contra Israel em resposta à morte do líder supremo iraniano, 'ayatollah' Ali Khamenei, em ataques norte-americanos e israelitas, que tiveram início a 28 de fevereiro.

Desde então, Israel tem conduzido uma vasta campanha de bombardeamentos e operações militares no sul do Líbano, que provocaram mais de 4.300 mortos, segundo as autoridades libanesas, mantendo igualmente a ocupação de uma parte significativa daquela região. Do lado israelita, morreram 38 militares e um contratado civil.

A situação estabilizou parcialmente após a entrada em vigor, a 21 de junho, de um frágil cessar-fogo, antes da assinatura, cinco dias depois, de um acordo-quadro entre o Líbano e Israel com vista a uma "paz duradoura".

O acordo condiciona a retirada israelita ao desarmamento do Hezbollah, exigência que o movimento xiita rejeita.

Wadephul, que apoia a ofensiva terrestre israelita no Líbano, classificou como um "passo histórico" as negociações em curso entre Israel e o Líbano, sob mediação dos Estados Unidos, que deverão ser retomadas em Roma na próxima semana.

O chefe da diplomacia alemã abordou também a situação na Cisjordânia ocupada, criticando a expansão dos colonatos israelitas, que, na sua opinião, compromete "as perspetivas de paz".

 Wadephul apelou ainda a Israel para desbloquear as receitas fiscais e aduaneiras destinadas à Autoridade Palestiniana, com sede em Ramallah, de forma a evitar o seu colapso.

"A Autoridade Palestiniana necessita urgentemente de reformas, mas enfraquecê-la não contribui para a segurança de Israel", afirmou, alertando para o risco de se criar "um vazio que poderá ser ocupado por forças mais radicais".

"Os palestinianos precisam de uma perspetiva de futuro político e económico", sublinhou.

Durante o encontro de hoje entre os dois ministros dos Negócios Estrangeiros, o nono realizado no último ano, a Alemanha comprometeu-se a apoiar o memorial do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, com cinco milhões de euros por ano até 2030.

Devido à sua responsabilidade histórica pelo Holocausto, a Alemanha tornou-se, nas últimas décadas, um dos principais aliados de Israel.

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