terça-feira, 7 de julho de 2026

Polónia confirma envio de mísseis Patriot para a Ucrânia: disputa política continua

Direitos de autor Bernd Wuestneck/dpa za pośrednictwem AP, Władysław Kosniniak-Kamysz/Facebook, Paweł Głogowski      Por  pt.euronews.com 07/07/2026

O Ministério da Defesa confirmou que a Polónia entregou à Ucrânia mísseis Patriot, decisão que encerrou as especulações sobre a ajuda, mas gerou tensão entre o governo e a Presidência.

Segundo o Ministério da Defesa Nacional (MON), a decisão de enviar os mísseis foi tomada após consultas com os aliados e na sequência de um pedido das estruturas da NATO responsáveis pelo planeamento das operações de defesa.

O ministério sublinha que o número de projéteis enviados representou apenas uma pequena parte das reservas polacas e não afetou a capacidade das Forças Armadas polacas de proteger o espaço aéreo nacional. O MON assinala também que a Polónia continua a ser um dos países com acesso prioritário a novas entregas de mísseis PAC-3 no âmbito da cooperação com os aliados.

Polónia: Ministério da Defesa garante que segurança não foi enfraquecida

De acordo com os dados divulgados, o valor da ajuda militar polaca à Ucrânia ultrapassou os 16 mil milhões de zlotys. A maior parte do apoio foi enviada para Kiev em 2022–2023 e incluiu, entre outros, carros de combate, veículos de combate de infantaria, sistemas de artilharia, aviões, helicópteros e diversos tipos de munições. A lista inclui também mísseis para o sistema Patriot, cujo envio não tinha sido previamente confirmado oficialmente.

Sobre a dimensão deste apoio falou na TVN24 o vice-ministro da Defesa Nacional, Cezary Tomczyk. Salientou que a Polónia não entregou à Ucrânia todo o sistema Patriot, mas apenas um número reduzido de mísseis destinados a esse sistema. Segundo explicou, a decisão foi precedida por uma análise militar e por consultas com os aliados.

«Falamos de um número residual. Não posso falar em valores, posso dizer que a Polónia está protegida», afirmou Tomczyk. Acrescentou que a Polónia entregou à Ucrânia «alguns mísseis» e que toda a operação foi acordada com o secretário-geral da NATO e com a parte norte-americana.

O vice-chefe do MON garantiu, ainda, que a ajuda enviada não enfraqueceu as capacidades de defesa do país. Sublinhou que a Polónia dispõe das salvaguardas necessárias e pode contar com o apoio dos aliados em caso de ameaça.

Militares norte-americanos do 5.º Batalhão do 7.º Regimento de Defesa Aérea são vistos no campo de treino de Sochaczew, na Polónia, sábado, 21 de março de 2015, durante exercícios conjuntos Fot. AP/Czarek Sokołowski

Os peritos têm, porém, uma opinião diferente, lembrando que cada envio de mísseis implica a redução das reservas e, por isso, não é totalmente neutro para as capacidades de defesa do Estado.

«O que é decisivo é a dimensão da doação e a situação das reservas, e esses dados não são conhecidos. Se forem mantidos os níveis de reserva operacional exigidos, o envio dos mísseis não enfraquecerá necessariamente de forma significativa as capacidades polacas. É preciso recordar também que um míssil russo destruído sobre a Ucrânia não será usado contra a Polónia nem contra outro país da NATO», afirmou em declarações à Euronews Jędrzej Graf, do Defence24.

Polónia: presidente responde ao governo e disputa vai além dos próprios mísseis

A confirmação do envio dos mísseis levou rapidamente o debate para o plano político. Representantes da Chancelaria do Presidente já tinham alegado que não foram devidamente informados da decisão nem dos respetivos pormenores. O governo rejeita firmemente essas acusações, sustentando que a questão foi discutida em reuniões dedicadas à segurança do Estado, às quais também participaram representantes do presidente.

O presidente Karol Nawrocki também comentou o caso. Em resposta às declarações do ministro da Defesa, sublinhou que a responsabilidade pela decisão de enviar os mísseis recai sobre o governo. Ao mesmo tempo, manifestou disponibilidade para colaborar na preparação de soluções legais que regulem futuras doações de material militar.

Como resultado, a disputa já não se limita ao envio dos mísseis para a Ucrânia. Abrange igualmente a forma como são tomadas as decisões e as regras de cooperação entre as principais instituições responsáveis pela segurança do Estado.

«As decisões sobre o envio de armamento são sobretudo competência do governo e do MON e devem basear-se em análises militares. Não é necessária a concordância formal do presidente para cada doação. No caso de sistemas com importância estratégica, o fluxo de informação entre o governo, o MON, o presidente e o BBN deveria, no entanto, ser prática corrente. O conflito atual revela, acima de tudo, um problema de comunicação entre os principais centros de poder do Estado», sublinha Jędrzej Graf.

O especialista chama a atenção para o facto do sistema Patriot continuar a ser um dos elementos centrais da defesa antiaérea e antimísseis contemporânea. Os mísseis PAC-3 estão entre os meios mais avançados destinados a combater mísseis balísticos e outros alvos aéreos.

«São atualmente alguns dos mísseis mais valiosos que a Ucrânia pode receber. Os PAC-3 MSE destinam-se a enfrentar as ameaças balísticas mais avançadas, incluindo os Iskander russos. Protegem cidades, infraestruturas críticas e instalações militares-chave. Com reservas limitadas de efetores, cada lote adicional tem um impacto operacional real e imediato», destaca.

Polónia reforça arsenal de Patriot: assinado contrato para novos mísseis

Em paralelo com o debate sobre o envio de parte dos mísseis para a Ucrânia, a Polónia está a desenvolver as suas próprias capacidades de defesa aérea. Na terça-feira, o ministro da Defesa anunciou a assinatura de um acordo relativo ao sistema Patriot, que inclui a compra de novos mísseis. Estes deverão aumentar as reservas de munições destinadas às baterias polacas de defesa antiaérea.

A expansão do sistema Patriot é um dos pilares do programa «Wisła», que visa criar um sistema de defesa aérea em múltiplas camadas na Polónia. O Ministério da Defesa Nacional sublinha que o aumento do número de mísseis disponíveis é essencial para manter a prontidão operacional e garantir a segurança do país.

As novas aquisições inserem-se também no contexto mais amplo do apoio prestado à Ucrânia. Ao enviar parte das suas próprias reservas, a Polónia, em simultâneo, repõe os stocks e investe num reforço adicional do sistema nacional de defesa aérea, para manter as capacidades de defesa exigidas.


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