segunda-feira, 25 de maio de 2026

*MENSAGEM DE SUA EXCELÊNCIA O PRIMEIRO-MINISTRO DR. ILÍDIO VIEIRA TÉ POR OCASIÃO DO DIA DE ÁFRICA 25 DE MAIO DE 2026*

@Oscar Barbosa 

Compatriotas, Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Hoje, 25 de Maio, celebramos o Dia de África.

Celebramos a memória histórica de um continente que soube resistir à colonização, ao apartheid, à exploração e à tentativa secular de negação da sua dignidade.

Celebramos os homens e mulheres que transformaram a luta pela libertação africana numa das maiores epopeias políticas do século XX.

Celebramos Amílcar Cabral. Celebramos Kwame Nkrumah. Celebramos Patrice Lumumba. Celebramos Julius Nyerere. Celebramos Nelson Mandela. Celebramos todos aqueles que acreditaram que África tinha direito à liberdade, à soberania, à justiça e ao desenvolvimento.

Mas o Dia de África não deve ser apenas um exercício de memória.

Deve ser também um momento de consciência histórica.

Porque as batalhas de África mudaram de forma. Hoje, os desafios do continente já não se resumem apenas à libertação territorial. Os novos combates chamam-se: estabilidade institucional; boa governação; emprego para a juventude; integração regional; segurança alimentar; energia; educação; infraestruturas; soberania económica; e dignidade social dos povos africanos.

É precisamente neste contexto que a Guiné-Bissau continua a travar a sua própria luta nacional.

Uma luta pela estabilização do Estado. Uma luta pela recuperação da credibilidade das instituições. Uma luta pela reorganização das finanças públicas. Uma luta pela confiança internacional. Uma luta pelo funcionamento normal da administração. Uma luta pela paz social. Uma luta pela reconstrução gradual da esperança nacional.

O Governo de Transição tem plena consciência das dificuldades que o nosso povo enfrenta.

Sabemos que ainda existem enormes desafios. Sabemos que há impaciência legítima. Sabemos que há sofrimento social acumulado ao longo de muitos anos.

Mas sabemos igualmente que nenhum país consegue reconstruir-se no caos permanente. Nenhum Estado consegue desenvolver-se sem estabilidade. Nenhuma economia cresce sem confiança. Nenhuma democracia se consolida sem instituições.

É por isso que continuamos firmemente empenhados: na estabilidade; na reforma; na credibilidade; na autoridade do Estado; e na defesa do interesse nacional.

A África pela qual os nossos heróis lutaram não pode ser uma África eternamente dependente, dividida ou fragilizada.

A nova geração africana exige: Estados funcionais; instituições fortes; lideranças responsáveis; economias produtivas; e oportunidades concretas para os jovens.

A Guiné-Bissau deve fazer parte dessa nova caminhada africana.

Temos recursos. Temos juventude. Temos localização estratégica. Temos capacidade humana. Temos história. Temos dignidade.

Precisamos agora consolidar a estabilidade e transformar potencial em desenvolvimento real.

Neste Dia de África, dirijo uma palavra muito especial à juventude guineense.

O futuro da Guiné-Bissau dependerá da vossa capacidade de transformar energia em conhecimento, patriotismo em responsabilidade e liberdade em construção nacional.

África precisa menos de discursos vazios e mais de competência, trabalho, disciplina, unidade e visão estratégica.

A luta da nossa geração já não é contra o colonialismo. A luta da nossa geração é contra: a pobreza; a fragilidade institucional; a corrupção; a instabilidade; a dependência económica; e o atraso estrutural.

E essa luta exige coragem política, lucidez nacional e espírito de sacrifício colectivo.

Neste dia histórico, rendemos homenagem aos heróis africanos do passado. Mas assumimos igualmente a responsabilidade de construir a África do futuro.

Uma África mais forte. Mais respeitada. Mais desenvolvida. Mais unida. E mais dona do seu próprio destino.

Viva África. Viva a Guiné-Bissau.

Feliz Dia de África.

🇬🇼🌍✊🏾

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