© Pablo Miranzo/Anadolu via Getty Images Por LUSA 25/05/2026
A diretora do Departamento para a África e Organizações Regionais Africanas do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Liubov Abravitova, afirmou, numa entrevista à agência noticiosa Ukrinform, que esses dados, avançados pelo Quartel-General de Coordenação para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra, se referem à informação obtida até ao início deste mês.
No entanto, o número real é, muito possivelmente, bastante superior, salvaguardou.
"Entre os principais 'países doadores' em África estão o Quénia, Egito, Camarões, Gana, Nigéria e Uganda", referiu Abravitova.
"A dinâmica é extremamente alarmante: até [ao final do ano de] 2026, o comando russo planeia atrair 18.500 estrangeiros. A Rússia utiliza diversos mecanismos de recrutamento, desde promessas enganosas de 'bolsas de estudo gratuitas', até o recrutamento por meio de estruturas religiosas", prosseguiu.
A governante explicou que a Ucrânia tem dialogado com as nações africanas, avaliando caso a caso e procurando o diálogo para combater este fenómeno de recrutamento.
"Um exemplo é a visita do ministro das Relações Exteriores do Gana, que resultou em acordos adequados sobre ações futuras. Ao mesmo tempo, em países como a Nigéria, apesar do número significativo de recrutamentos russos, há uma falta de envolvimento político sistemático para solucionar o problema", disse.
A diplomata ucraniana frisou que o seu país está a trabalhar "sistematicamente para informar o público internacional, por meio de canais diplomáticos, bem como por meio de visitas de jornalistas estrangeiros" sobre este tema para que o impacto do acesso a essa informação permita a interrupção do recrutamento forçado.
"Em particular, recentemente, jornalistas francófonos tiveram a oportunidade de comunicar diretamente com representantes do Quartel-General de Coordenação, bem como com prisioneiros de guerra africanos", frisou.
A governante explicou ainda que o continente africano poderá vir a contribuir para a reconstrução da Ucrânia numa fase pós-guerra.
"Os recursos de África - não apenas os naturais - podem ajudar a construir cadeias de recursos comuns, contribuir para a reconstrução económica da Ucrânia e para o seu desenvolvimento sustentável futuro", declarou.
Questionada pela agência ucraniana sobre que países estão atual a competir pelo continente, respondeu: China, Índia, Estados Unidos da América e União Europeia como os tradicionais; a Turquia e o Irão (este último particularmente no Sahel) como emergentes e explicou que a presença russa "é significativamente limitada e concentrada principalmente nas esferas política e militar" e que o país "não está entre os dez ou 20 principais parceiros económicos de África".
"A Ucrânia também terá de priorizar os principais centros de influência e interesses e desenvolver relações com eles [países africanos] em primeiro lugar", indicou.
Sobre a possibilidade de a União Africana possuir um lugar permanente entre os membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), recordou que a Ucrânia defende uma reforma deste organismo.
"Se a União Africana considerasse a possibilidade de apresentar uma candidatura para uma vaga permanente, tal ideia teria fundamento", rematou.

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