segunda-feira, 25 de maio de 2026

Kyiv diz que Moscovo recrutou pelo menos 2.965 africanos de 36 países... Pelo menos 2.965 cidadãos de 36 países africanos foram recrutados pelo exército russo para combater contra a Ucrânia, anunciou fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano na véspera do dia de África, que se assinala hoje.

© Pablo Miranzo/Anadolu via Getty Images     Por  LUSA  25/05/2026 

A diretora do Departamento para a África e Organizações Regionais Africanas do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Liubov Abravitova, afirmou, numa entrevista à agência noticiosa Ukrinform, que esses dados, avançados pelo Quartel-General de Coordenação para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra, se referem à informação obtida até ao início deste mês. 

No entanto, o número real é, muito possivelmente, bastante superior, salvaguardou. 

"Entre os principais 'países doadores' em África estão o Quénia, Egito, Camarões, Gana, Nigéria e Uganda", referiu Abravitova.

"A dinâmica é extremamente alarmante: até [ao final do ano de] 2026, o comando russo planeia atrair 18.500 estrangeiros. A Rússia utiliza diversos mecanismos de recrutamento, desde promessas enganosas de 'bolsas de estudo gratuitas', até o recrutamento por meio de estruturas religiosas", prosseguiu.

A governante explicou que a Ucrânia tem dialogado com as nações africanas, avaliando caso a caso e procurando o diálogo para combater este fenómeno de recrutamento.

"Um exemplo é a visita do ministro das Relações Exteriores do Gana, que resultou em acordos adequados sobre ações futuras. Ao mesmo tempo, em países como a Nigéria, apesar do número significativo de recrutamentos russos, há uma falta de envolvimento político sistemático para solucionar o problema", disse.

A diplomata ucraniana frisou que o seu país está a trabalhar "sistematicamente para informar o público internacional, por meio de canais diplomáticos, bem como por meio de visitas de jornalistas estrangeiros" sobre este tema para que o impacto do acesso a essa informação permita a interrupção do recrutamento forçado.

"Em particular, recentemente, jornalistas francófonos tiveram a oportunidade de comunicar diretamente com representantes do Quartel-General de Coordenação, bem como com prisioneiros de guerra africanos", frisou.

A governante explicou ainda que o continente africano poderá vir a contribuir para a reconstrução da Ucrânia numa fase pós-guerra. 

"Os recursos de África - não apenas os naturais - podem ajudar a construir cadeias de recursos comuns, contribuir para a reconstrução económica da Ucrânia e para o seu desenvolvimento sustentável futuro", declarou.

Questionada pela agência ucraniana sobre que países estão atual a competir pelo continente, respondeu: China, Índia, Estados Unidos da América e União Europeia como os tradicionais; a Turquia e o Irão (este último particularmente no Sahel) como emergentes e explicou que a presença russa "é significativamente limitada e concentrada principalmente nas esferas política e militar" e que o país "não está entre os dez ou 20 principais parceiros económicos de África".

"A Ucrânia também terá de priorizar os principais centros de influência e interesses e desenvolver relações com eles [países africanos] em primeiro lugar", indicou.

Sobre a possibilidade de a União Africana possuir um lugar permanente entre os membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), recordou que a Ucrânia defende uma reforma deste organismo. 

"Se a União Africana considerasse a possibilidade de apresentar uma candidatura para uma vaga permanente, tal ideia teria fundamento", rematou.

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