quinta-feira, 28 de maio de 2026

Israel suspende relações com António Guterres: "Chegámos ao fim"... Israel suspendeu relações com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, anunciou o emabixador israelita na ONU, denunciando a decisão, ainda não pública, de incluir Israel numa "lista negra" relacionada com violência sexual em conflitos.

© Eduardo Munoz Alvarez/Getty Images     Por LUSA   28/05/2026 

"Chegámos ao fim com este secretário-geral", disse Danny Danon numa mensagem de vídeo publicada na plataforma X.

A missão israelita esclareceu que isso significa o congelamento das suas relações com o gabinete do secretário-geral até o final do mandato de António Guterres, que termina em 31 de dezembro deste ano.

"O secretário-geral da ONU decidiu adicionar Israel à lista negra, juntamente com os terroristas do [grupo islamita palestiniano] Hamas", acrescentou.

As Nações Unidas incluíram Israel numa lista negra de perpetradores de violência sexual em zonas de conflito, mas que ainda não foi tornada pública.

O Serviço Prisional israelita está entre as várias entidades adicionadas à lista da ONU, de acordo com relatos dos meios de comunicação israelitas, juntamente com outras autoridades de Israel.

"A decisão de incluir Israel na lista negra e acusar-nos de usar a violência sexual como arma de guerra é ultrajante", insistiu o embaixador, acusando o líder das Nações Unidas de equiparar o Hamas a Israel.

Em agosto passado, o relatório anual da ONU já havia alertado que Israel poderia ser adicionado à lista de partes suspeitas ou responsáveis por violência sexual em conflitos armados, lista que já inclui o Hamas.

Na ocasião, a ONU referiu-se a "informações confiáveis" sobre violência sexual cometida pelas forças de segurança israelitas contra prisioneiros palestinianos em prisões e outros centros de detenção, destacando a recusa de acesso aos inspetores da ONU.

"Convidamos representantes da ONU para virem a Israel para examinar essas acusações ridículas, mas eles optaram por não vir e preferiram continuar com a campanha contra Israel", afirmou Danny Danon.

Face ao anúncio feito pelo embaixador israelita, o porta-voz de Guterres indicou que "a porta do secretário-geral permanece aberta".

"Vimos os comentários. Da nossa parte, a porta do secretário-geral permanece aberta", disse Stéphane Dujarric, à agência France-Presse (AFP).

O difícil relacionamento entre Telavive e a ONU deteriorou-se significativamente após o ataque sem precedentes do Hamas contra Israel, a 07 de outubro de 2023, e a retaliação do exército israelita na Faixa de Gaza.

As autoridades israelitas cortaram todos os laços com a agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA), que acusam de estar infiltrada pelo Hamas.

Desde então, António Guterres ficou cada vez mais distante do Governo israelita, com o primeiro ministro, Benjamin Netanyahu, a não responder aos telefonemas do líder da ONU desde 07 de outubro de 2023.

Em outubro de 2024, as autoridades israelitas declararam Guterres como "persona non grata", proibindo a entrada do líder da ONU em Israel.

Telavive argumentou na ocasião que Guterres não tinha condenado inequivocamente os ataques conduzidos contra Israel.


Leia Também: Irão condena assassinato dos líderes do braço armado do Hamas em Gaza

A Guarda Revolucionária iraniana condenou hoje o assassínio por parte de Israel do líder do braço armado do movimento islamita palestiniano Hamas e do antecessor no cargo em dois bombardeamentos perpetrados na Faixa de Gaza.

Sem comentários:

Enviar um comentário