© REUTERS/Morteza Nikoubazl Por LUSA 03/05/2026
"A margem de manobra dos Estados Unidos na tomada de decisões diminuiu" e o presidente norte-americano, "tem de escolher entre uma operação militar impossível ou um mau acordo com a República Islâmica", afirmou o serviço de informações da Guarda Revolucionária Islâmica num comunicado divulgado pela televisão estatal.
O serviço de informações iraniano citou, entre outras coisas, um "ultimato" iraniano em relação ao bloqueio norte-americano aos portos do país e uma "mudança de tom" da China, Rússia e Europa em relação a Washington.
"Os Estados Unidos são os únicos piratas do mundo com porta-aviões. A nossa capacidade de enfrentar piratas não é menor do que a nossa capacidade de afundar navios de guerra. Preparem-se para ver os vossos porta-aviões e as vossas forças acabarem no cemitério de navios", ameaçou Mohsen Rezaei, antigo comandante-chefe da Guarda Revolucionária, nomeado em março como conselheiro militar do novo líder supremo Mojtaba Khamenei, na rede social X.
A situação entre os dois países mantém-se num impasse desde que um cessar-fogo entrou em vigor em 08 de abril, após quase 40 dias de ataques aéreos israelitas e norte-americanos contra o Irão e de ataques de retaliação de Teerão na região do Médio Oriente. Os esforços diplomáticos não conseguiram relançar as negociações diretas, após o encontro infrutífero realizado em Islamabade em 11 de abril, uma vez que as divergências continuam a ser significativas, desde o estreito de Ormuz até à questão nuclear iraniana.
O Presidente dos EUA declarou no sábado, na rede social Truth Social, que "vai estudar em breve um plano que o Irão" havia acabado de apresentar, mas mostrou-se muito cético sobre o assunto.
As agências de notícias iranianas informaram que o Irão havia apresentado um plano de 14 pontos a Washington, via Paquistão, com o objetivo de pôr fim ao conflito no prazo de 30 dias.
Segundo a agência noticiosa Tasnim, Teerão exige a retirada das forças norte-americanas das zonas próximas do Irão, o fim do bloqueio aos portos iranianos e do congelamento dos ativos iranianos, o pagamento de reparações, o levantamento das sanções, um "mecanismo" relativo ao estreito de Ormuz e "o fim da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano".
A guerra já fez milhares de mortos, principalmente no Irão e no Líbano, e as suas repercussões continuam a abalar a economia global, com os preços do petróleo a atingirem níveis que não se viam desde 2022.
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