© Getty Images noticiasaominuto.com 15/04/2026
O presidente norte-americano, Donald Trump, voltou à carga contra o Papa Leão XIV, esta quarta-feira, apesar das críticas de que tem vindo a ser alvo por parte da comunidade internacional. Desta feita, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) também não ficou imune às acusações do republicano.
"Alguém pode, por favor, dizer ao Papa Leão que o Irão matou pelo menos 42.000 manifestantes inocentes e completamente desarmados nos últimos dois meses, e que é absolutamente inaceitável que o Irão possua uma bomba nuclear? Agradeço a vossa atenção a este assunto. A AMÉRICA ESTÁ DE VOLTA!!!", escreveu, na Truth Social.
Meros minutos depois, o magnata atirou farpas à NATO, numa outra publicação. "A NATO não nos apoiou, e não nos apoiará no futuro!", alertou.
Já na terça-feira, o magnata considerou que o Sumo Pontífice "não faz ideia do que se está a passar no Irão", numa entrevista ao diário italiano Corriere della Sera.
"Não compreende e não deveria andar a falar sobre a guerra, porque não faz ideia do que está a acontecer. Não compreende que 42.000 manifestantes foram mortos no Irão no mês passado", argumentou.
Antes, o republicano teceu duras acusações contra Leão XIV, tendo atirado que, "se não estivesse na Casa Branca, [o Sumo Pontífice] não estaria no Vaticano".
"O Papa Leão é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa. Fala do ‘medo’ da Administração Trump, mas não menciona o MEDO que a Igreja Católica, e todas as outras organizações cristãs, sentiram durante a Covid-19, quando estavam a deter padres, pastores e toda a gente por celebrarem missas, mesmo quando saíam ao ar livre e mantinham uma distância de três ou até seis metros", começou por acusar, numa longa mensagem publicada na Truth Social, na segunda-feira.
Trump admitiu inclusive, gostar "muito mais do seu irmão Louis do que dele, porque Louis é totalmente MAGA [apoiante da campanha de Trump, 'Make America Great Again']".
"Ele percebe e Leão não! Não quero um Papa que ache que não há problema em o Irão ter uma arma nuclear. Não quero um Papa que ache terrível que a América tenha atacado a Venezuela, um país que estava a enviar quantidades massivas de droga para os Estados Unidos e, pior ainda, a esvaziar as suas prisões, incluindo assassinos, traficantes de droga e homicidas, para o nosso país. E não quero um Papa que critique o presidente dos Estados Unidos porque estou a fazer exatamente aquilo para que fui eleito, POR MAIORIA ESMAGADORA, estabelecendo níveis de criminalidade historicamente baixos e criando o melhor mercado bolsista da história", continuou.
O chefe de Estado considerou ainda que "Leão devia estar grato porque, como todos sabem, foi uma surpresa chocante", já que "não constava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era norte-americano". "Acharam que essa seria a melhor maneira de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano", atirou.
Trump admitiu também que não lhe agrada "o facto de Leão ser brando com o crime e com as armas nucleares", nem que se reúna "com simpatizantes de [Barack] Obama, como David Axelrod, um FRACASSADO da esquerda, que é um dos que queriam que os fiéis e os clérigos fossem detidos".
"Leão devia recompor-se como Papa, usar o bom senso, deixar de ceder à esquerda radical e concentrar-se em ser um grande Papa, não um político. Isto está a prejudicá-lo gravemente e, mais importante ainda, está a prejudicar a Igreja Católica!", rematou.
O Papa, por seu turno, assegurou que não recuará "em anunciar a mensagem do Evangelho e convidar todas as pessoas a procurarem formas de construir pontes de paz e reconciliação, e a procurarem formas de evitar a guerra sempre que for possível".
"Não vou entrar em debate. O que digo não pretende, de forma alguma, ser um ataque. A mensagem do Evangelho é muito clara: ‘Bem-aventurados os pacificadores’", disse. E rematou: "Não tenho medo da Administração Trump."
NATO não ficou imune a críticas (nem a "amiga" Meloni)
Também na terça-feira, o chefe de Estado criticou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, devido à sua relutância em ajudar o aliado norte-americano no conflito com o Irão. "Estou chocado. Pensava que tinha coragem, mas estava enganado", admitiu, em entrevista ao Corriere della Sera.
O magnata apontou ainda que a chefe do Governo italiano apenas lhe disse "que Itália não quer ser envolvida". "Mesmo que Itália obtenha o seu petróleo de lá [do Irão], mesmo que os Estados Unidos sejam muito importantes para Itália. Ela não acha que Itália deva envolver-se. Acha que os Estados Unidos devem fazer o trabalho por ela", atirou.
Trump, que admitiu não conversar com Meloni "há já muito tempo", denunciou a primeira-ministra não só pela sua posição sobre o Irão, mas também sobre o Papa Leão XIV.
"Não quer ajudar-nos com a NATO, não quer ajudar-nos a livrar-nos da arma nuclear. É muito diferente do que pensava. [...] É ela que é inaceitável, porque não se importa se o Irão tem uma arma nuclear que faria Itália explodir em dois minutos, se tivesse oportunidade", disse, numa referência às acusações da primeira-ministra sobre os comentários que tecidos pelo norte-americano conta o Sumo Pontífice.
Questionado quanto à possibilidade de pedir a Itália a mobilização de navios caça-minas no Estreito de Ormuz, o presidente deu conta de que solicitou "que enviassem tudo o que quisessem, mas não querem porque a NATO é um tigre de papel".
Ainda que, há um mês, Trump tenha caracterizado Meloni como uma amiga e uma grande líder que "procura sempre ajudar", numa outra entrevista ao mesmo meio, a história mudou de figura: "Já não é a mesma pessoa, e Itália não será o mesmo país; a imigração está a destruir Itália e toda a Europa."
O magnata foi mais longe, tendo lançado que a Europa está a "destruir-se a si própria por dentro" com as suas políticas de imigração e de energia, tendo em conta que paga "os custos de energia mais elevados do mundo e nem sequer está disposta a lutar pelo Estreito de Ormuz, de onde a recebe". "Depende de Donald Trump para que ele o mantenha aberto", disse.

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