© OZAN KOSE/AFP via Getty Images Por LUSA 08/07/2026
O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, manifestou compreensão pelos ataques dos EUA no sul do Irão, afirmando, em entrevista à televisão NDR, de Ancara - onde está a acompanhar o chanceler alemão, Friedrich Merz, na cimeira da NATO - que o Irão deve "perceber agora que é necessário negociar seriamente e que novos ataques militares são apropriados".
Na sua opinião, Teerão ainda não compreendeu "que deve renunciar às suas armas nucleares e que tem agora a oportunidade de terminar esta guerra, negociando de forma razoável e cessando os seus ataques".
O Irão está a atacar o Kuwait e o Bahrein, países que "na realidade não têm qualquer conflito com o Irão", criticou.
Wadephul reiterou ainda que o estreito de Ormuz "deve permanecer livre e acessível ao tráfego marítimo internacional", apontando ser o Irão que, "em grande medida, está a impedir isto".
Os EUA lançaram ataques contra o Irão esta madrugada de quarta-feira, horas depois de terem revogado uma licença que autorizava a venda de petróleo iraniano em retaliação pelo que consideraram ataques de Teerão a navios no estreito de Ormuz.
O Irão retaliou com ataques ao Bahrein e ao Kuwait, o que levou a uma condenação dos países árabes e do Golfo Pérsico.
Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros egípcio condenou veementemente o "ataque pecaminoso" contra o Kuwait e o Bahrein e reafirmou rejeitar por completo ações que contrariem "a segurança e a soberania dos países irmãos e ameacem a segurança e a estabilidade da região".
Também a Jordânia condenou a "agressão brutal" do Irão ao Estado do Kuwait, afirmando que se trata de "uma violação flagrante da sua soberania e de uma grave escalada para a sua estabilidade e segurança territorial, além de uma violação expressa do direito internacional e da Carta da ONU".
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Jordânia sublinhou a sua total solidariedade para com o Kuwait e ofereceu o seu apoio a "todas as medidas que o país tomar para proteger a sua soberania e a segurança dos seus cidadãos".
Nos Emirados Arábes Unidos, o conselheiro diplomático do Presidente e porta-voz não oficial do Governo para os assuntos externos, Anwar Gargash, afirmou que os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) não podem ser "alvo da oscilação do Irão entre a escalada e o caminho da prudência, da estabilidade e da paz".
"Os ataques iranianos contra navios comerciais do Qatar e da Arábia Saudita no estreito de Ormuz e as repetidas agressões contra as nações irmãs do Bahrein e do Kuwait são um claro indício de que Teerão continua incapaz de cumprir as exigências da desescalada e virar a página da guerra", declarou.
Pouco antes, o Kuwait tinha condenado os ataques contra o seu território e manifestado "a sua mais veemente condenação, nos termos mais severos", aos "repetidos atos criminosos de agressão do Irão", contra os quais "se reserva o direito de tomar todas as medidas necessárias".
O fogo cruzado aconteceu durante o funeral, que dura há vários dias, do líder supremo do Irão, o 'ayatollah' Ali Khamenei, morto a 28 de fevereiro, nos primeiros momentos da guerra.
O funeral, que termina na quinta-feira, deveria ser um período de menor tensão -- embora os participantes tenham pedido repetidamente o assassinato de Trump e do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
As negociações para chegar a um acordo final deveriam recomeçar após o enterro e concentrar-se nas questões mais difíceis, incluindo a reabertura total do estreito e a suspensão do programa nuclear de Teerão.
Embora os novos ataques coloquem este cenário em dúvida, nenhum dos países formalizou ainda o abandono das negociações.
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