© Alexander Zemlianichenko / POOL / AFP via Getty Images Notícias ao Minuto com Lusa 12/04/2026
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou este domingo que as "divergências territoriais" que ainda existem entre a Ucrânia e a Rússia resumem-se a "apenas alguns quilómetros de distância".
"São apenas alguns quilómetros", enfatizou aos jornalistas, citado pela agência de notícias russa TASS.
"De grosso modo, representa de 17 a 18% da República Popular de Donetsk, que ainda precisamos de libertar", acrescentou, frisando que a Rússia precisa de "alcançar as fronteiras administrativas".
As declarações de Peskov surgem numa altura em que os dois países trocam acusações de violações ao cessar-fogo por ocasião da Páscoa ortodoxa, em vigor desde sábado, com Kyiv a denunciar quase 2.300 violações e Moscovo cerca de 2.000.
O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou na quinta-feira um cessar-fogo de 32 horas durante o fim de semana da Páscoa Ortodoxa, ordenando às forças russas que suspendessem as hostilidades até ao final do domingo.
Por sua vez, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, prometeu respeitar o cessar-fogo, descrevendo-o como uma oportunidade para avançar com iniciativas de paz.
No entanto, advertiu que as forças ucranianas iriam responder a quaisquer violações na mesma medida.
Este é o quarto cessar-fogo desde o início da invasão russa em 2022, cujas negociações de paz, mediadas pelos Estados Unidos, estão num impasse há quase dois meses devido ao conflito no Irão.
As tentativas anteriores de cessar-fogo tiveram pouco impacto, com ambas as partes a acusarem-se mutuamente de violações.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).

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