Por LUSA
"O Estreito de Ormuz nunca foi propriedade do Irão para que eles possam fechá-lo ou restringir a navegação", pode ler-se numa mensagem publicada hoje por Al Jaber na rede social 'X' (antigo Twitter).
O ministro dos emirados notou que qualquer intenção de o bloquear "não é meramente uma questão regional, mas também a interrupção de uma artéria económica mundial vital e uma ameaça direta à segurança energética, alimentária e sanitária de todas as nações", num comportamento "ilegal, perigoso e inaceitável", que o mundo "não pode tolerar nem permitir".
Segundo o governante, desde 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra o Irão, pelo menos 22 navios foram atacados, 10 tripulantes morreram e 20 mil marinheiros estão sem poder navegar em segurança, com 800 outros navios parados, incluindo 400 petroleiros.
As críticas de Al Jaber surgem no dia em que foi o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a dizer que a marinha do seu país pode iniciar "imediatamente" um bloqueio de entradas e saídas de navios no Estreito, após o fim, sem acordo, das conversações com o Irão.
"Instruí a nossa marinha para procurar intercetar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago portagens ao Irão. Ninguém que pague uma portagem ilegal terá passagem segura em alto-mar", declarou hoje Donald Trump, citado pela Associated Press (AP).
Trump disse ainda que os Estados Unidos estavam prontos para acabar com o Irão no "momento apropriado", sublinhando que as ambições nucleares de Teerão estavam no cerne do fracasso em terminar a guerra.
As negociações presenciais terminaram hoje de madrugada (em Lisboa), após 21 horas, deixando em dúvida um frágil cessar-fogo de duas semanas.
As autoridades norte-americanas disseram que as negociações falharam devido ao que descreveram como a recusa do Irão em comprometer-se a abandonar o caminho para uma arma nuclear, enquanto as autoridades iranianas culparam os Estados Unidos pelo fracasso das negociações, sem especificar os pontos de discórdia.
Nenhum dos lados indicou o que acontecerá após o fim do cessar-fogo de 14 dias, a 22 de abril, e os mediadores paquistaneses instaram todas as partes a mantê-lo.
Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra, a 28 de fevereiro, pelo menos 3.000 pessoas morreram no Irão, 2.020 no Líbano, 23 em Israel e mais de uma dúzia em estados árabes do Golfo, além de terem causado danos duradouros nas infraestruturas em vários países do Médio Oriente.
O controlo do Irão sobre o Estreito de Ormuz isolou em grande parte o Golfo Pérsico e as suas exportações de petróleo e gás da economia global, fazendo disparar os preços da energia.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que o seu país vai tentar facilitar um novo diálogo entre o Irão e os EUA nos próximos dias.
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O Presidente norte-americano ameaçou hoje impor tarifas de 50% sobre os produtos provenientes da China, caso Pequim preste ajuda militar ao Irão na guerra no Médio Oriente.

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