© NICOLAS TUCAT / AFP via Getty Images Por LUSA 09/06/2026
"Não podemos dizer que a Rússia esteja a perder esta guerra, mas podemos sim dizer que está a perder a iniciativa dia após dia", afirmou Zelensky numa entrevista ao jornal britânico The Guardian publicada hoje, citada pela agência espanhola EFE.
Na última semana, drones ucranianos de longo alcance atacaram São Petersburgo, onde se incendiaram terminais de crude, enquanto houve ataques semelhantes na Crimeia, a península ucraniana ocupada pela Rússia desde 2014.
Segundo Zelensky, o objetivo dos ataques ucranianos de longo alcance é que os residentes das cidades russas sintam o que significa a guerra.
"A vitória nesta guerra será alcançada quando a sociedade russa reconhecer que a guerra é terrível, que é uma tragédia não para alguém em algum lugar, mas para si próprios. E acredito que este é o impulso de que necessitamos", afirmou.
Zelensky disse que a Rússia tem registado baixas de 30 mil soldados por mês, incluindo cerca de 23 mil mortos e muitos feridos com gravidade, mas admitiu que o número possa ser maior.
"Em suma, é um número muito elevado. Significa que não estão a ganhar a guerra", assinalou.
Zelensky também se referiu à reação do Presidente da Rússia a uma carta aberta que lhe enviou a sugerir uma reunião para acabar com a guerra, mas que foi rejeitada e considerada indelicada por Vladimir Putin.
O Guardian referiu que a postura inflexível de Putin levou alguns observadores a questionar se o líder russo estava a delirar ou se os seus comandantes militares lhe estavam a fornecer informação errada.
Sobre tais teorias, Zelensky admitiu serem possíveis, mas desvalorizou os motivos e disse que Putin mentiu sobre a guerra desde o início, ao justificá-la com a necessidade de proteger os falantes de russo na Ucrânia.
Além da proteção das minorias russas, Putin justificou a invasão de fevereiro de 2022 com o objetivo de "desnazificar" a Ucrânia e impedir a adesão do país vizinho à NATO, entre outros motivos.
No âmbito internacional, a Rússia sofreu vários reveses políticos, como a derrota de Viktor Orbán nas recentes eleições na Hungria, enquanto as tentativas russas de apoiar candidatos pró-russos na Moldova fracassaram.
"Estão a perder influência em diferentes países", comentou Zelensky.
"Estão isolados dentro da Europa e também dos Estados Unidos. Portanto, estão sozinhos", acrescentou.
Zelensky referiu que sempre disse ao homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, que Putin mentia e jogava com a administração norte-americana, e agradeceu o "firme apoio" de Washington à Ucrânia.
Zelensky reuniu-se no domingo em Londres com os chefes dos governos britânico, Keir Starmer, e alemão, Friedrich Merz, e com o Presidente francês, Emmanuel Macron.
Numa declaração conjunta após a reunião, mostraram-se favoráveis a um cessar-fogo na Ucrânia que tenha em conta os interesses europeus.
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