terça-feira, 30 de junho de 2026

Negociações entre Cuba e EUA "não mostram qualquer progresso"... O Governo cubano afirmou hoje não existir qualquer progresso nas negociações entre Havana e Washington, num momento em que os Estados Unidos continuam a pressionar a ilha com sanções.

© Lusa    30/06/2026 

"As negociações entre os governos de Cuba e dos Estados Unidos não mostram qualquer progresso", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez, em conferência de imprensa. 

Havana "continua disposta ao diálogo e a uma solução pacífica [para resolver] as divergências" com Washington, reiterou.

"Estamos dispostos ao diálogo, sem ilusões, sabendo que a atitude dos Estados Unidos e do Departamento de Estado (...) deve ser analisada à luz dos factos e dos atos, e os atos são o bloqueio energético e as medidas adicionais do bloqueio", acrescentou Rodríguez.

O ministro anunciou ter pedido a realização de um debate a 07 de julho na Assembleia-geral das Nações Unidas sobre as sanções norte-americanas.

O debate não deverá ser seguido de uma votação.

"Cuba denunciará as ações agressivas do governo norte-americano contra o nosso país, nomeadamente a ameaça de uma agressão militar direta", acrescentou o chefe da diplomacia cubana.

"É urgente, pois a agressão multidimensional do governo norte-americano contra Cuba já está em curso e está a intensificar-se", sublinhou.

As relações entre os Estados Unidos e Cuba tornaram-se consideravelmente tensas desde o início do ano, nomeadamente desde que Washington capturou o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Havana, e suspendeu a comercialização de petróleo da Venezuela para Cuba.

Washington promulgou, desde então, novas sanções contra empresas e dirigentes cubanos.

O Presidente norte-americano considerou que a ilha, situada a cerca de 150 quilómetros da costa da Flórida (sudeste), representa "uma ameaça extraordinária" para a segurança dos Estados Unidos.

Donald Trump ameaçou por diversas vezes que deseja assumir o controlo da ilha e vários membros da sua administração, como o vice-presidente, JD Vance, referiram que a atenção de Washington vai recair sobre Havana depois de terminado o conflito com o Irão.

Cuba atravessa uma profunda crise energética desde meados de 2024, agravada desde janeiro pelo bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos, uma medida considerada pelas Nações Unidas como contrária ao direito internacional e que paralisou quase totalmente a sua economia. 

Para tentar remediar a crise económica, Havana adotou, a 18 de junho, um pacote de medidas sem precedentes a favor da economia de mercado, o que representa uma revolução no modelo económico da ilha desde a adoção do comunismo há quase 70 anos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros cubano precisou ainda que no próximo dia 27 de outubro terá lugar a votação do projeto de resolução que pede ao fim do bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba, como já é tradição na Assembleia-geral da ONU.

A votação desta resolução não vinculativa contra as sanções dos Estados Unidos a Cuba já se realizou em 33 ocasiões anteriores e, nos últimos anos, tem contado com um apoio praticamente unânime da comunidade internacional. 


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