© Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images Por LUSA 30/06/2026
Em declarações divulgadas pela estação de televisão IRIB, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, dirigiu duras críticas à agência da ONU e ao seu diretor-geral, Rafael Grossi.
"A conselhamos Grossi a cumprir as suas funções com mais responsabilidade, em vez de se envolver em propaganda eleitoral", afirmou Baghaei, referindo-se à candidatura do diplomata argentino ao cargo de secretário-geral da ONU.
O memorando de entendimento assinado em 17 de junho por Estados Unidos e Irão, que suspendeu as hostilidades mais de três meses após o início do conflito entre os dois lados, estipula que Teerão não irá desenvolver armas nucleares.
O texto prevê também o estabelecimento de um mecanismo para processar os 'stocks' iranianos de urânio altamente enriquecido, "no mínimo, por um método de diluição no local sob a supervisão da AIEA".
Ao abrigo do memorando, as partes têm, a partir da assinatura do documento, 60 dias para negociar um acordo de paz definitivo.
O diretor da AEIA alertou na sexta-feira para a necessidade um sistema de verificação "muito robusto" e "o mais rapidamente possível" no Irão para garantir que o país não está a desenvolver armas nucleares.
"Acredito que o objetivo deste acordo é garantir que não há desenvolvimento de armas nucleares no Irão. O Governo iraniano afirmou muito claramente que não é essa a sua intenção", disse Grossi em conferência de imprensa no Japão, advertindo, no entanto, que "as intenções não bastam".
Antes dos primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel, na chamada guerra dos 12 dias contra a República Islâmica em junho do ano passado, a AIEA calculava que o Irão possuía cerca de 440 quilogramas de urânio enriquecido a 60%, um nível próximo dos 90% necessários para o fabrico de uma bomba.
Desde então, o destino destes 'stocks' permanece incerto, uma vez que as autoridades iranianas negam o acesso dos inspetores aos locais bombardeados.
Teerão tem sempre negado também o objetivo de desenvolvimento de armas atómicas, mantendo-se inflexível quanto ao seu direito de prosseguir um programa nuclear civil.
Depois de suspenderem a cooperação com a AIEA em julho de 2025, as autoridades iranianas concordaram em setembro com o regresso dos inspetores, que visitaram o Irão nos últimos meses, embora sem acesso aos locais bombardeados.
Segundo Rafael Grossi, a AIEA "mal começou" as discussões com o Irão sobre o futuro do seu 'stock' de urânio enriquecido.
Uma alternativa à diluição no local seria retirar o urânio enriquecido do Irão, sugeriu, opção também apoiada por Washington mas recusada por Teerão.
As negociações entre Irão e Estados Unidos, que têm sido mediadas pelo Paquistão com apoio de outros países do Médio Oriente, estão centradas no programa nuclear iraniano e no futuro do estreito de Ormuz, bem como no levantamento das sanções contra a República Islâmica e dos seus bens congelados no exterior.
O diálogo foi ameaçado nos últimos dias por ataques de ambos os lados, bem como pela continuação da ofensiva de Israel contra o grupo xiita Hezbollah no Líbano, país abrangido pela trégua por exigência de Teerão.
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O Bahrein, Kuwait, Omã, Arábia Saudita, Qatar e os Emirados Árabes Unidos juntaram-se aos Estados Unidos na imposição de novas sanções contra o movimento xiita Hezbollah, que afetam cinco empresas e 16 pessoas envolvidas na estrutura financeira.


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