segunda-feira, 22 de junho de 2026

SAÚDE MENTAL: Mais de metade dos portugueses poderão sofrer de uma doença do cérebro... Um novo relatório alerta para o impacto crescente das doenças neurológicas e mentais em Portugal. Mais de metade da população poderá ser afetada ao longo da vida, num cenário que pode chegar aos dois terços, com custos de saúde que já ultrapassam os 4,7 mil milhões de euros anuais.

© Shutterstock   Por  noticiasaominuto.com    22/06/2026 

Um novo relatório sublinha que mais de metade dos portugueses terá, ao longo da vida, uma doença neurológica ou mental, "um valor que poderá chegar a dois terços da população. O custo direto em saúde já ultrapassa os 4,7 mil milhões de euros por ano", revela um comunicado de imprensa. 

Os dados do relatório Headway - intitulado "Saúde do Cérebro em Portugal: Um roteiro para o investimento no capital humano" - foram discutidos no evento "Brain Collective – Cérebros Saudáveis, Sociedades Vibrantes", que reuniu especialistas em saúde, economia e políticas públicas, promovido pela Angelini Pharma. 

"As doenças do cérebro são o grupo de patologias mais prevalente em Portugal. No seu conjunto, as condições neurológicas afetam quase metade da população (47,1%). Em paralelo, as perturbações mentais, por si só, afetam mais de uma em cada cinco pessoa", realça-se. 

Assim, "estima-se que mais de metade dos portugueses venha a ser afetado por pelo menos uma perturbação neurológica ou mental, podendo este valor chegar a dois terços da população. O impacto económico destas condições ultrapassa os 4,7 mil milhões de euros anuais em despesas diretas de saúde". 

Os alertas não se ficam por aqui. O relatório, desenvolvido pelo TEHA Group (subsidiária do think tank The European House – Ambrosetti) em parceria com a Angelini Pharma, sublinha que "Portugal em apenas 4,6 neurologistas e 13,6 psiquiatras por 100.000 habitantes, números abaixo da média europeia. No caso da epilepsia, 44% dos doentes não têm acompanhamento médico regular, e persistem lacunas significativas no apoio e na representação dos mesmos". 

"Continuamos a separar a saúde mental da saúde física, mas a saúde é uma só e começa no cérebro. Enquanto o estigma impedir as pessoas de procurar ajuda e os sistemas não integrarem os cuidados, vamos continuar a falhar. Estes dados devem servir para nos unir numa única missão: cuidar da pessoa como um todo", sublinhou o psiquiatra Gustavo Jesus. 

Do ponto de vista dos cuidados de saúde primários, Nuno Jacinto, especialista em Medicina Geral e Familiar e presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), sublinhou: "O médico de família é, muitas vezes, a primeira porta de entrada para estes doentes. Somos essenciais no diagnóstico precoce e no acompanhamento, mas precisamos de mais formação, de melhores ferramentas e de uma articulação eficaz com os cuidados hospitalares. Reforçar os cuidados de saúde primários é o primeiro passo para um sistema mais eficiente."

"O país precisa de um Plano Nacional para a Saúde do Cérebro, com metas mensuráveis, financiamento dedicado e uma abordagem que integre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. A oportunidade está quantificada: transformar um custo de 4,7 mil milhões de euros num investimento com retorno comprovado para as pessoas, para as famílias e para a economia", termina o comunicado. 

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