quarta-feira, 24 de junho de 2026

Netanyahu recusa retirada do Líbano "enquanto for primeiro-ministro"... O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, recusou hoje a retirada das tropas de Israel do sul do Líbano enquanto estiver à frente do Governo, contrariando o acordo preliminar de paz entre Estados Unidos e Irão.

© Ilia YEFIMOVICH / POOL / AFP via Getty Images    Por  LUSA   24/06/2026 

"Enquanto eu for primeiro-ministro, manteremos a 'zona de segurança' no sul do Líbano", declarou Netanyahu, durante uma conferência em Telavive, referindo-se à faixa do território libanês ocupada pelas tropas israelitas junto à fronteira entre os dois países.

Esta declaração segue-se a outros pronunciamentos do líder israelita nas últimas semanas, incluindo o compromisso de que o Irão não vai desenvolver uma arma nuclear durante o seu mandato, que vai tentar renovar nas eleições nacionais previstas para outubro.

Netanyahu argumentou que "as Forças de Defesa de Israel devem estar em território inimigo" para proteger as comunidades israelitas, sublinhando que "esta é a doutrina de segurança" do seu país.

Do mesmo modo disse que "não haverá civis nem terroristas", fechando deste modo a possibilidade de mais de 200 mil pessoas deslocadas do perímetro ocupado regressarem às suas casas

"Soldados dentro, moradores fora. As infraestruturas estão destruídas, as casas estão perigosas e degradadas. Não vamos retirar", reforçou.

Israel justifica a ocupação do sul do Líbano como medida de segurança para proteger as comunidades do norte do país da ameaça representada pelo grupo xiita libanês Hezbollah, aliado do Irão.

O memorando de entendimento, acordado na semana passada entre Estados Unidos e Irão para acabar com a guerra iniciada em 28 de fevereiro pela ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica, estipula "o termo imediato e permanente das operações militares em todas as frentes", incluindo o Líbano.

O texto prevê também que a integridade territorial libanesa deve ser garantida, referindo-se à presença no sul do país de tropas de Israel, que tem expressado oposição ao acordo de paz com Teerão e à retirada militar do país vizinho.

O ministro da Defesa israelita rejeitou hoje igualmente que as tropas do seu país se retirem do sul do Líbano, "mesmo que haja uma exigência" dos Estados Unidos.

"Anunciamos que, em qualquer caso, não nos retiraremos e, neste momento - e isto é uma vitória diplomática -, não há qualquer exigência americana para que Israel se retire do Líbano", declarou Israel Katz, no dia em que o exército israelita reclamou mais ataques contra alegados membros do Hezbollah.

A continuação de confrontos ocorre em plena quinta ronda de negociações diretas de Líbano e Israel em Washington, às quais o Hezbollah se tem oposto.

O grupo xiita aliado do Irão exigiu na terça-feira a retirada total de Israel do sul do Líbano, insistindo num calendário que permita que o exército libanês controle as posições atualmente ocupadas pelas forças israelitas.

No mesmo dia, o Presidente libanês, Joseph Aoun, reafirmou pelo seu lado que não aceita "nada menos" do que a retirada total de Israel do país e o fim da ingerência estrangeira, numa referência ao apoio do Irão ao Hezbollah.

O Líbano foi arrastado pelas milícias xiitas libanesas para a nova guerra na região ao reatarem, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho desde o conflito anterior.

Desde 02 de março, pelo menos 4.192 pessoas morreram e 12.171 ficaram feridas, de acordo com a última atualização do Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que causaram também acima de um milhão de deslocados.

As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.    


Leia Também: Israel alega que Estados Unidos não exigiram retirada do Líbano

O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, afirmou hoje que os Estados Unidos não exigiram a retirada militar do sul do Líbano, uma condição exigida por Teerão nas negociações de paz com Washington.

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