quarta-feira, 24 de junho de 2026

Frota de autocarros doada pelo Porto à Guiné-Bissau danificada e parada... A frota de 21 autocarros doada pela Câmara do Porto à Guiné-Bissau encontra-se danificada e parada, revelou o Governo guineense, que afastou as empresas privadas responsáveis pela gestão e exploração.

© Lusa      24/06/2026 

O anúncio foi feito na página oficial do Ministério dos Transportes e Comunicações da Guiné-Bissau, na terça-feira, numa publicação em que se lê que "grande parte dos autocarros se encontra atualmente danificada" e que "existem dívidas pendentes para com os funcionários, fornecedores, entre outros".

A situação ocorre pouco mais de meio ano após terem começado a circular cinco dos 21 autocarros, no âmbito de um projeto-piloto para melhorar a mobilidade das populações. Dos cinco veículos apenas três estão operacionais e os restantes nunca chegaram a circular.

A publicação online guineense TV o País divulgou hoje um vídeo que mostra os autocarros estacionados num descampado esventrados, sem rodas e com vidros partidos.

As 21 viaturas foram doadas pela Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) à Guiné-Bissau, no âmbito de um protocolo celebrado com a Câmara Municipal do Porto, em Portugal, em 2024.

Em fevereiro de 2025, os autocarros foram embarcados no Porto de Leixões e em novembro de 2025 foi iniciado, em Bissau, o projeto-piloto com cinco autocarros a circularem na capital guineense.

O Governo da Guiné-Bissau entregou a gestão e exploração da frota às empresas privadas GULF TRANSPORT e PRIME INVESTMENT.

O Ministério dos Transporte e Comunicações assumiu, na terça-feira, "interinamente" a gestão dos autocarros e explicou que "foram identificadas diversas anomalias e falhas de gestão" por parte das empresas privadas.

De acordo com o Ministério, "não chegou a ser celebrado qualquer acordo com as empresas, uma vez que a atuação [das mesmas] decorria apenas num período experimental".

Na publicação, que cita o representante do Governo que assume interinamente a gestão da frota, Vladmir da Silva, é revelado o atual estado de degradação das viaturas e alegadas dívidas por parte das empresas que tinham a concessão.

"Face a esse cenário, o Governo decidiu recuperar a gestão direta do seu património, com o objetivo de garantir uma utilização mais eficiente dos bens públicos e assegurar melhores serviços à população", acrescenta.

A situação do serviço é descrita como "difícil", mas o representante do Ministério dos Transportes garante que "o Governo está empenhado em encontrar soluções para os problemas identificados".

O novo responsável reforça "o compromisso de recuperar o funcionamento adequado dos autocarros e melhorar a qualidade do serviço prestado aos cidadãos".

"O Governo reafirma, assim, a sua determinação em proteger o património público e promover uma gestão responsável e transparente dos recursos do Estado", conclui.

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