© Lusa 28/06/2026
"Eu penso que, contrariamente à Guiné Equatorial, para mim a Guiné-Bissau não reúne condições para acolher a organização", declarou à Lusa, por telefone, o especialista em estudos em Segurança e Militares.
Segundo a análise do politólogo, a Guiné-Bissau precisa de maior reorganização política e de mais "respeito pelos valores democráticos" e, nesse seguimento, essa nação lusófona não "responde aos anseios atuais" da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tendo como base a perspetiva da instituição.
Questionado sobre o porquê de não considerar que Bissau deva fazer parte da comunidade, respondeu que a "própria estrutura política nacional [da Guiné-Bissau] ainda não é consolidada" e isso, considerou, faz com "internamente não haja um ambiente favorável que possa corresponder aos interesses importantíssimos da CPLP".
O professor de Geopolítica e Geoestratégia explicou que, de forma contrária ao que aconteceu na Guiné-Bissau - em particular após o golpe de Estado de 26 de novembro de 2025 - e apesar dos dados repressivos conhecidos sobre a Guiné Equatorial, o que é facto é que o Presidente euato-guineense, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, tem concorrido e vencido as eleições e a vontade do povo deve ser respeitada.
"O golpe de Estado é um elemento condenável para qualquer sociedade política democrática. O golpe de Estado é condenável", acrescentou.
Sobre o facto de Obiang estar à frente do país desde 1979, refletiu que "o tempo que um governante fica no poder depende da vontade do povo".
"Se a soberania reside no povo, eu não encontro cidadão do mundo capaz de colocar em causa a vontade popular", acrescentou.
Sobre a possibilidade de a Guiné Equatorial poder vir a assumir a próxima presidência da CPLP, reiterou a mensagem deixada pelo chefe de Estado angolano, João Lourenço, em junho do ano passado em Lisboa, aquando da sua presença como orador no EurAfrican Forum: "A rotatividade deve ser respeitada", apesar de esta possibilidade estar a criar uma cisão dentro da organização.
A CPLP, constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste assinala os seus 30 anos em 17 de julho.

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