quarta-feira, 11 de março de 2026

FMI propõe reforma do IVA para financiar investimento em Cabo Verde... As propostas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para reforma do IVA em Cabo Verde preveem que uma revisão ou eliminação de isenções sejam suficientes para financiar um aumento de investimento público e diminuição da pobreza.

Por LUSA 

"A simplificação das isenções de IVA gera espaço fiscal de cerca de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), mantendo as taxas de IVA inalteradas", considerando um cenário "realista", segundo o estudo do FMI, consultado hoje pela Lusa.

"O espaço fiscal gerado pela eliminação de isenções seria suficiente para financiar o alargamento do investimento público", em "infraestrutura e educação", aumentar o "potencial de produção" e "apoiar a criação gradual de empregos no setor formal, apesar do modesto ajuste de consumo de curto prazo", lê-se no documento.

Esse ajuste, provocado pelo fim de isenções, poderia ser compensado a médio e longo prazo com subsídios diretos à população (transferências de dinheiro) sustentados na receita acrescida com os "ganhos de produtividade".

"A desigualdade e pobreza diminuir-se-iam significativamente, com o coeficiente de Gini caindo para 0,378 e o número de habitantes em situação de pobreza [a cair de 14,6% em 2015] para abaixo de 2%", antevê-se no documento do FMI.

As transferências monetárias direcionadas "são essenciais para proteger o rendimento durante períodos de ajuste", acrescenta-se no estudo.

De uma forma geral, "a análise de três cenários estudados indica que os benefícios distributivos de longo prazo superam as preocupações de curto e médio prazo associadas ao alargamento da base tributária".

"No longo prazo, os ganhos nas receitas são generalizados", conclui-se.

O mais recente documento do FMI insere-se na assistência técnica prestada a Cabo Verde, país com o qual o fundo tem também programas de apoio financeiro em curso, cuja execução tem merecido avaliações globalmente positivas.

Estima-se que Cabo Verde tenha cerca de 500 mil habitantes.

Segundo os últimos dados oficiais, a taxa de pobreza absoluta em Cabo Verde caiu de 35,5% em 2015 para 24,75% em 2023.

Noutro indicador, a pobreza extrema foi reduzida para metade, passando de 4,56% em 2015 para 2,28% em 2023, utilizando o limiar internacional de 2,15 dólares por dia e por pessoa.

O conceito de pobreza absoluta diz respeito a quem não tem recursos para satisfazer necessidades básicas (alimentação, vestuário, abrigo e saúde), usando critérios universais, enquanto a pobreza em sentido mais genérico e relativo aplica-se a quem tem menos recursos em comparação com outros, na mesma sociedade, de acordo com critérios locais.

A pobreza extrema é uma forma mais severa de pobreza absoluta.

O Governo cabo-verdiano assumiu o compromisso de "erradicar a pobreza extrema, até 2026, no âmbito da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) de não deixar ninguém para trás".

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