domingo, 8 de março de 2026

Regime de Teerão entroniza filho de Khamenei como novo líder supremo... A Assembleia de Peritos, cúpula dirigente da República Islâmica iraniana, escolheu o segundo filho mais velho do anterior líder supremo, Mojtaba Khamenei, para suceder ao 'ayatollah' morto nos primeiros bombardeamentos conjuntos de Israel e Estados Unidos da América (EUA).

Por LUSA 08/03/2026

Mojtaba, nascido em Mashhad 10 anos antes da Revolução Islâmica (1979), já era tido como forte candidato ao mais alto cargo de poder do regime xiita conservador de Teerão, apesar de nunca ter desempenhado funções governativas, sendo uma figura descrita como especialista nos jogos de bastidores.

Uma biografia oficial do seu pai, Ali Khamenei, descreve um episódio no qual a polícia secreta da era do xá Mohammad Reza Pahlavi, a SAVAK, irrompeu pela casa do então opositor, espancou-o e levou-o, tendo sido contada a Mojtaba e restantes irmãos a versão de que o progenitor tinha ido de férias.

Com a subida Ruhollah Musavi Khomeini ao topo da hierarquia do atual regime teocrático, após a deposição de Reza Pahlavi, em 1979, a família de Khamenei mudou-se para a capital iraniana.

Khamenei combateu na Guerra Irão-Iraque, na década de 1980, integrado no batalhão Habib ibn Mazahir, uma divisão da Guarda Revolucionária da qual muitos membros sairam para funções nos serviços secretos e de informações.

Com a ascensão do pai Khamenei a líder supremo, em 1989, Mojtaba e a família ficaram com acesso a biliões de dólares e outros ativos e fundos que gerem empresas e indústrias estatais do Irão.

Documentos diplomáticos norte-americanos publicados pela organização Wikileaks descrevem o agora eleito 'ayatollah' como "o poder atrás da cortina", alegando-se que o próprio teria colocado o telefone do pai sob escuta e formado uma base autónoma de apoio nos corredores do poder do país.

Khamenei "é amplamente visto dentro do regime como um líder e gestor capaz e enérgico que poderá um dia suceder a, pelo menos, uma parte da liderança nacional" e "o seu pai [Ali Khamenei] também pode vê-lo dessa forma", lia-se num dos telegramas dos EUA, datado de 2008.

Mojtaba Khamenei trabalhou de perto com a Guarda Revolucionária, tanto comandantes da Força Quds quanto da Basij, grupo voluntário que reprimiu violentamente os protestos em todo o país em janeiro, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA.

Os responsáveis norte-americanos sancionaram este novo líder supremo iraniano em 2019, no primeiro mandato do presidente dos EUA, Donald Trump, por considerarem que Mojtaba promovia "ambições regionais desestabilizadoras" e "opressão interna".

Foi também acusado de ter apoiado a eleição do presidente de 'linha-dura' Mahmoud Ahmadinejad, ainda em 2005, e a sua contestada reeleição de 2009, que desencadeou os protestos do "Movimento Verde".

Khamenei perdeu a mãe Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, um filho e a mulher, Zahra Adel, igualmente nos ataques que mataram o seu pai.


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