domingo, 8 de março de 2026

Dia Internacional da Mulher: LIGA GUINEENSE DOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA DESIGUALDADES E PEDE AÇÃO URGENTE

Por  RSM  08.03.2026

A Liga Guineense dos Direitos Humanos assinalou o Dia Internacional da Mulher com um forte apelo à dignidade, igualdade e liberdade para todas as mulheres e raparigas na Guiné-Bissau, alertando para os graves desafios que continuam a afetar a vida das mulheres no país.

Na mensagem divulgada nesta data, a organização destacou que as mulheres guineenses desempenham um papel essencial na sobrevivência e no desenvolvimento do país.

Segundo a Liga Guineense dos Direitos Humanos, são as mulheres que sustentam grande parte da produção alimentar através da agricultura, dinamizam a economia local nos mercados e assumem responsabilidades fundamentais na educação das novas gerações e na liderança comunitária.

Apesar desse contributo decisivo, a organização alerta que as mulheres continuam a enfrentar profundas desigualdades estruturais que limitam o pleno exercício dos seus direitos.

Um dos dados mais preocupantes apontados pela organização é a baixa participação feminina na política.

Atualmente, as mulheres ocupam apenas cerca de 9,8% dos assentos no parlamento nacional, um número considerado muito inferior ao necessário para garantir uma representação equilibrada na tomada de decisões.

A organização defende que a inclusão das mulheres nos espaços de poder é fundamental para promover políticas públicas mais justas e inclusivas.

A mensagem também destaca desafios sérios no campo da educação e da economia.

Segundo os dados citados, cerca de dois terços das mulheres adultas no país são analfabetas, situação que limita significativamente o acesso ao emprego, à autonomia económica e à participação cívica.

A pobreza também afeta grande parte da população, atingindo de forma particularmente severa as mulheres, muitas das quais dependem de atividades informais para sustentar as suas famílias.

Outro ponto crítico destacado pela LGDH é a violência baseada no género, que continua a ser uma realidade preocupante no país.

Muitas mulheres enfrentam violência física, psicológica e sexual, frequentemente sem acesso adequado à proteção e à justiça.

Dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos MICS 2019 indicam ainda situações alarmantes, apontando que mais de metade das mulheres na Guiné-Bissau foram submetidas à mutilação genital feminina, cerca de 37% das raparigas casam antes dos 18 anos.

Essas práticas são consideradas violações graves dos direitos humanos e continuam a representar um grande desafio para a proteção das mulheres e raparigas.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos alerta também que a instabilidade política recorrente e as fragilidades na governação têm agravado as desigualdades, dificultando a implementação de políticas públicas eficazes para promover a igualdade de género.

A organização sublinha que nenhuma sociedade pode alcançar desenvolvimento sustentável, justiça social ou democracia plena enquanto metade da sua população viver em condições de desigualdade.

Neste Dia Internacional da Mulher, a organização prestou uma homenagem especial às mulheres da Guiné-Bissau, reconhecendo a coragem, a resiliência e o trabalho que realizam diariamente para sustentar a vida económica, social e comunitária do país.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos reafirmou ainda o seu compromisso de continuar a denunciar todas as formas de discriminação e violência, mobilizar a sociedade e defender políticas públicas que garantam dignidade, segurança e igualdade de oportunidades para todas as mulheres e raparigas.

A mensagem termina evocando o pensamento de Amílcar Cabral, lembrando que nenhum povo pode ser verdadeiramente livre enquanto as suas mulheres continuarem privadas de igualdade, dignidade e direitos fundamentais.


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