© Lusa 16/02/2026
"Eu peço desculpa ao governo de transição da Guiné-Bissau. Também ouvi dizer que sou um 'coitado'. Aqui digo sempre que o herói da luta da resistência é o novo povo. Não há outro herói. Eu não sou herói. Não me defendo. Inclino-me profundamente, mas com o Presidente da República [José Ramos-Horta] já decidimos não enviar a missão", afirmou Xanana Gusmão aos jornalistas, após ter participado num workshop nacional de validação da língua gestual em Timor-Leste.
"Fomos nós que cancelámos, porque eles disseram: 'para quê vem Timor? Vocês não têm valor nenhum e ainda vêm ajudar-nos novamente'", afirmou o primeiro-ministro.
O primeiro-ministro de Timor-Leste tinha afirmado na quarta-feira que o golpe de Estado de novembro, na Guiné-Bissau, demonstra que o país é um Estado falhado e salientou que é preciso ajudar no desenvolvimento da democracia e direitos humanos.
"Fomos ajudar a montar todo o sistema, nomeadamente a CNE [Comissão Nacional de Eleições] (....) , para realizarem as primeiras eleições democráticas na Guiné-Bissau. Mas depois disto, voltar agora com um golpe militar ou golpe de Estado, já não falamos de Estado frágil, falamos de Estado falhado", salientou Xanana Gusmão.
Timor-Leste assumiu em dezembro a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que foi retirada à Guiné-Bissau após o golpe de Estado no país africano, em 26 de novembro, que depôs o então Presidente, Umaro Sissoco Embaló, e interrompeu o processo eleitoral, impedindo a divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro.
Na sequência do golpe de Estado de 2012, Timor-Leste prestou durante vários anos apoio à Guiné-Bissau na organização de eleições.
O Governo guineense de transição repudiou, também na quarta-feira, as declarações de Xanana Gusmão.
"Xanana Gusmão, tal como José Ramos-Horta, possui um historial de controvérsias públicas que fragilizam a autoridade com que se pronunciam sobre a governação de outros Estados", enfatiza-se na nota.
Na sequência daquela nota, Timor-Leste cancelou a missão de bons ofícios da CPLP a Bissau, que deveria chegar ao país esta semana, mas o Governo de transição guineense afirmou que foi sua a iniciativa de a cancelar por não reconhecer legitimidade à presidência timorense da organização de países de língua portuguesa.
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