sexta-feira, 17 de julho de 2026

Nigéria repatriou 1.490 cidadãos ameaçados por xenofobia na África do Sul... A Nigéria anunciou esta semana que concluiu o repatriamento de 1.490 cidadãos nigerianos da África do Sul, onde os protestos anti-imigração levaram dezenas de milhares de estrangeiros a abandonar o país nos últimos meses.

© Lusa    17/07/2026 

Durante várias semanas, cidadãos estrangeiros de diversos países africanos, incluindo Gana, Nigéria, Maláui, Moçambique, Uganda e Zimbabué, abandonaram a África do Sul no âmbito de programas de repatriamento apoiados pelos respetivos governos.

O país, que é há muito um destino preferencial para os trabalhadores africanos, tem sido abalado há várias semanas por protestos e agitação contra os imigrantes, acusados de tirar empregos aos sul-africanos.

"Acabou", disse hoje Kimiebi Ebienfa, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros nigeriano, à agencia France-Presse, depois de os 1490 nigerianos terem regressado da África do Sul.

Num comunicado divulgado na quarta-feira, Kimiebi Ebienfa indicou que um quinto voo operado pela Air Peace tinha partido de Joanesburgo nessa manhã com 305 nigerianos a bordo, juntamente com três funcionários do Governo encarregados de supervisionar a operação.

"O Governo federal já repatriou um total de 1.490 nigerianos da África do Sul através de uma série de voos humanitários coordenados" entre junho e julho, afirmou o porta-voz do ministério.

Uma operação decidida "em resposta às preocupações de segurança decorrentes dos ataques xenófobos em curso contra estrangeiros, incluindo nigerianos", acrescentou, no comunicado.

A violência xenófoba já matou 11 moçambicanos, segundo dados do Governo, que tem agora outros dois cidadãos gravemente feridos num ataque armado na terça-feira na província sul-africana de Gauteng, associado à violência contra imigrantes, segundo informação divulgada pelo Gabinete de Informação de Moçambique (Gabinfo).

Moçambique recebeu até agora 1.363 cidadãos repatriados vítima da violência, além de 6.156 malauianos que entraram no país em trânsito afetados pela mesma situação.

O Maláui informou, no início de julho, que tinha repatriado 38.000 cidadãos em apenas um mês, e o Zimbabué, 21.300.

"Não há sinais de que a situação esteja a melhorar", declarou a primeira ministra da Nigéria, anunciando novos voos de repatriamento e pedindo a Pretória que investigasse as mortes de dois nigerianos, que atribuiu à campanha anti-imigração, apesar da polícia sul-africana ter afirmado que estas mortes não tinham qualquer relação com os protestos.

A violência que tem marcado esta recente campanha anti-imigração fica ainda marcada por pilhagens e incêndios criminosos em estabelecimentos comerciais.

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