Por JORNAL ODEMOCRATA 02/06/2026
A ruptura entre Ousmane Sonko e o presidente Bassirou Diomaye Faye marcou um ponto de inflexão cada vez mais radical na política senegalesa.
Durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, 2 de junho de 2026, um dia após a formação do governo liderado por Ahmadou Alamine Mohamed Lo, o ex-primeiro-ministro criticou abertamente os membros do Pastef que optaram por permanecer no novo Executivo.
Em declaração contundente, o líder do Pastef afirmou que seu partido não se reconhece mais no governo formado pelo chefe de Estado.
“Nenhum ministro do Pastef faz parte deste governo. Os que permaneceram estão agindo em benefício próprio. O Pastef não tem nenhum ministro neste governo”, declarou.
A posição sinaliza uma ruptura definitiva entre a legenda e vários de seus ex-integrantes que aceitaram continuar no governo sob a autoridade do novo primeiro-ministro.
Apesar do tom duro, Sonko indicou que a questão disciplinar ainda permanece em aberto. Segundo ele, os membros do Pastef que mantiveram seus cargos poderão ser submetidos às regras internas do partido.
“Os ministros que permaneceram estarão sujeitos às regras do partido”, advertiu.
Na prática, a declaração reflete a tentativa da direção do Pastef de reafirmar sua autoridade após o rompimento com o presidente da República, embora deixe margem para eventual responsabilização interna.
Além das críticas internas, o ex-chefe de governo também questionou a legitimidade política da nova equipe formada por Bassirou Diomaye Faye. Enquanto o governo apresenta a composição como mais técnica e especializada, Sonko rejeita essa caracterização.
“Falam de um governo tecnocrático, mas trata-se apenas de uma política de abertura”, afirmou.
Segundo ele, o principal problema da nova administração é a ausência de uma base política sólida.
“Este governo não tem base política”, disse.
O líder do Pastef argumenta que os aliados do presidente não possuem peso eleitoral suficiente para garantir estabilidade no país.
“Nenhum dos associados de Diomaye tem influência política real. Ele nem consegue vencer em Ndiaganiao. Como pode governar um país sem base política?”, questionou.
Em crítica direta à equipe presidencial, Sonko também contestou os números apresentados sobre o apoio político do presidente em nível nacional.
“Ele não tem nem três prefeituras, apesar das alegações de 300.”
Para sustentar sua tese, citou o recente comício realizado em Mbour, que considera um reflexo das dificuldades da atual administração em mobilizar apoio popular.
“O comício de Mbour diz tudo”, declarou.
Apesar das críticas, Ousmane Sonko fez questão de elogiar os ministros que deixaram seus cargos após a reconfiguração do governo.
“Aos ministros que deixaram seus cargos, saúdo sua dignidade, lealdade e amor pela pátria.”
O reconhecimento foi direcionado especialmente àqueles que optaram por manter fidelidade às diretrizes do partido, em detrimento da permanência em funções ministeriais.
Fonte: Sneweb

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