terça-feira, 2 de junho de 2026

Guerra na Ucrânia. Rússia perde terreno pelo segundo mês consecutivo... A Ucrânia recuperou 282 quilómetros quadrados (km2) em maio, reduzindo pelo segundo mês consecutivo a área de território controlada por Moscovo, indicou hoje o Instituto para o Estudo da Guerra.

© Svitlana Horieva/Anadolu Agency via Getty Images    Por  LUSA   02/06/2026 

Desde outubro de 2023, a Rússia vinha ganhando terreno sem interrupção, mas os avanços começaram a abrandar no final de 2025, passando de um avanço de 579 km2 para apenas 23 km2 em março. 

Em abril, a área controlada por Moscovo diminuiu pela primeira vez em dois anos e meio, em cerca de 120 km2.

O recuo das forças de Moscovo relatado pelo Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês) não é, no entanto, total: militares russos continuam infiltrados na maioria das zonas onde a Ucrânia recuperou terreno.

O exército russo envia constantemente pequenos grupos de soldados para tomarem posição em partes da frente de batalha e onde ficam escondidos, a fim de facilitar posteriormente o avanço da maioria das tropas.

Os ganhos ucranianos em abril e maio são, além disso, marginais à escala do país (0,07% do território ucraniano, incluindo a Crimeia e o Donbass) e à escala dos territórios controlados pela Rússia (0,4%).

No entanto, refletem uma tendência positiva para o lado ucraniano.

O ISW referiu na semana passada "campanhas bem-sucedidas de ataques com drones de médio alcance" lançadas nesta primavera pela Ucrânia.

Estas operações permitiram "limitar a capacidade da Rússia de transportar pessoal" para a frente e de "reforçar as suas posições na linha da frente".

Em maio, o exército ucraniano avançou principalmente nas regiões de Donetsk e Zaporijia.

As estimativas do ISW excluem os avanços reivindicados pelo lado russo, mas que não foram confirmados nem desmentidos por este instituto, que trabalha com o Critical Threats Project (uma ramificação do American Enterprise Institute ou AEI), outro centro de reflexão norte-americano especializado no estudo de conflitos.

Mais de quatro anos após o início da invasão russa da Ucrânia, Moscovo ocupa pouco mais de 19% do país, incluindo 7% na Crimeia e nas zonas da bacia industrial do Donbass, que já se encontravam sob controlo russo ou de separatistas pró-russos antes da invasão de fevereiro de 2022.

A maior parte dos avanços russos ocorreu durante as primeiras semanas do conflito.

Em contrapartida, nos últimos meses a Rússia tem aumentado o volume de bombardeamentos contra cidades ucranianas, com grandes salvas de drones e mísseis balísticos. 

Para intercetar estes aparelhos e mísseis, Kyiv recorre frequentemente ao sistema norte-americano Patriot, mas as munições escasseiam, o que levou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a reiterar os seus pedidos a Washington para o envio de mais mísseis intercetores.

Em resposta ao mais recente ataque noturno russo que provocou pelo menos 18 mortos, o líder ucraniano voltou a sublinhar que se o país não estiver protegido contra mísseis balísticos os ataques de grande escala vão continuar.

Nesse sentido, Zelensky pediu à Administração norte-americana que determine um programa de fornecimento de mísseis Patriot capaz de proteger a Ucrânia dos bombardeamentos da Rússia.

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