© Thierry Monasse/Getty Images Por LUSA 02/06/2026
Numa votação secreta em que participaram 190 dos 193 Estados-membros da ONU, Khalilur Rahman obteve 99 votos, contra 91 dos conquistados pelo diplomata cipriota Andreas Kakouris.
O MNE do Bangladesh sucederá à ex-ministra dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Annalena Baerbock, que termina o seu mandato de um ano em setembro.
Khalilur Rahman juntou-se ao Governo do primeiro-ministro Tarique Rahman em fevereiro passado, como líder da diplomacia do Bangladesh.
Também atuou no Governo interino de Muhammad Yunus - que supervisionou a transição após a queda da ex-primeira-ministra Sheikh Hasina - como conselheiro de segurança e alto representante dos refugiados da minoria Rohingya em Myanmar (antiga Birmânia).
Formado em administração de empresas e direito, Rahman também participou em negociações comerciais com os Estados Unidos, país com o qual mantém laços muito estreitos.
Após a eleição, o secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou o tema escolhido pelo diplomata para o seu mandato.
"É um inspirador apelo à ação para o sistema multilateral: 'Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Funciona para Todos'. Isto reflete o seu empenho em reforçar o sistema global de resolução de problemas que tem beneficiado o mundo desde 1945", afirmou Guterres.
O secretário-geral assinalou que Khalilur Rahman assumirá funções num momento de "desafios gritantes", mas também de grandes possibilidades para a ONU e, nesse sentido, depositou esperanças no "árduo trabalho de diplomacia, diálogo e colaboração".
O líder da ONU também agradeceu a Annalena Baerbock, a quinta mulher a assumir o cargo de presidente da Assembleia-Geral, a "sua excecional liderança" como presidente da 80.ª sessão.
O presidente da Assembleia-Geral da ONU é eleito anualmente para um mandato de um ano, mas raramente há mais do que um candidato, escolhido por rotação geográfica, numa eleição que geralmente ocorre por aclamação.
Este ano, a vaga foi atribuída à região Ásia-Pacífico.
Um terceiro candidato havia entrado na corrida no início do ano: o embaixador palestiniano na ONU, Riyad Mansour, mas acabou por retirar a sua candidatura, devido a uma alegada pressão norte-americana.
A Assembleia-Geral é o órgão no qual os 193 Estados-membros da ONU se sentam em pé de igualdade e tem uma função exclusivamente representativa, uma vez que o verdadeiro poder é exercido pelo Conselho de Segurança (com capacidade de fazer aprovar resoluções com caráter vinculativo), que conta com cinco potências como membros permanentes e com direito de veto: Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França.
Os poderes do presidente da Assembleia-Geral incluem a supervisão do orçamento da ONU, a nomeação dos membros não-permanentes para o Conselho de Segurança e a condução do processo de nomeação do secretário-geral da ONU.
Outras atribuições incluem receber relatórios de outras áreas das Nações Unidas, fazer recomendações na forma de resoluções, bem como estabelecer vários órgãos subsidiários.
O professor catedrático e político português Diogo Freitas do Amaral foi presidente da 50.ª Assembleia-Geral da ONU entre setembro de 1995 e setembro de 1996.
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