terça-feira, 7 de setembro de 2021

Líder da oposição da Guiné-Conacri manifesta apoio aos golpistas


Por LUSA /Cellou Dalein Diallo  07/09/21 

O líder da oposição da Guiné-Conacri, Cellou Dalein Diallo, ofereceu aos líderes golpistas que derrubaram o Presidente Alpha Condé há dois dias o "apoio" do seu partido para construir uma "democracia pacífica".

Segundo a edição de hoje do Guinée 7, Diallo concordou com os princípios da declaração que justificou a tomada do poder por parte dos líderes golpistas, membros do autodenominado Comité Nacional para a União e Desenvolvimento (CNRD, na sigla em francês) e liderados pelo tenente-coronel Mamady Doumbouya.
 
Déclaratrion de l'ANAD suite à la prise du pouvoir par le Conseil National du Rassemblement et du Développement

"Os motivos da ação salvadora e o objetivo estão interligados com as aspirações da ANAD (sigla da Aliança Nacional pela Alternativa Democrática), que são a reunificação da nossa nação, a refundação do nosso Estado e a luta contra a corrupção e impunidade", disse o líder da oposição, numa aparição pública esta segunda-feira.

Diallo, de acordo com Guinée 7, instou os líderes golpistas a darem prioridade ao estabelecimento de "instituições legítimas capazes de levar a cabo reformas que possam conduzir rapidamente o país à reconciliação nacional e ao estabelecimento do Estado de direito".

Alpha Condé, que governou a Guiné-Conacri desde 2010 até ao passado domingo, foi derrubado e preso por membros do Grupo das Forças Especiais do Exército do país, liderado por Doumbouya, que justificou o golpe como uma ação para criar as condições para o Estado de direito.

Os golpistas dissolveram as instituições de Estado do país no passado domingo. Foi instituído um recolher obrigatório noturno, e a Constituição do país e a Assembleia Nacional foram ambas dissolvidas.

O golpe de Estado foi já condenado pela Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), que exigiu também a "imediata" e "incondicional" libertação de Alpha Condé, e o mesmo fez a União Africana e também a França.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também já condenou "qualquer tomada de poder pela força das armas".

Na segunda-feira, o líder militar prometeu uma "consulta global para descrever as principais linhas da transição", que "se abre sob o signo da esperança e de uma nova Guiné reconciliada consigo mesma, com todos os filhos do país".

A Guiné-Conacri realizou eleições presidenciais no passado dia 18 de outubro, na qual Condé concorreu a um controverso terceiro mandato, impedido pela Constituição do país, e após a realização de um referendo em março de 2020 para alterar a Carta Magna, aprovado com 91,5% dos votos.

Condé venceu as presidenciais com 59,5% dos votos, segundo os resultados homologados pela Comissão Nacional Eleitoral Independente (CENI) do país; e Diallo, cujo partido denunciou a existência de uma "fraude em larga escala", teve 33,5% dos boletins escrutinados.

Diallo acabou por se autoproclamar vencedor das eleições, o que levou as forças de segurança a sitiar a sua casa em 20 de outubro, proibindo todas as entradas e saídas.

Oito dias mais tarde, as forças de segurança retiraram o cerco, após a CEDEAO, a União Africana (UA) e a ONU terem exigido esse levantamento.

A Guiné-Conacri, país da África Ocidental, que faz fronteira com a Guiné-Bissau, é um dos mais pobres do mundo e enfrenta, nos últimos meses, uma crise política e económica, agravada pela pandemia de covid-19.

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