quinta-feira, 9 de julho de 2026

MOÇAMBIQUE: Líder da oposição moçambicana admite realização de três eleições num dia... O presidente do partido Podemos, Albino Forquilha, líder da oposição moçambicana, disse hoje não ver problema na realização de três eleições num único dia, possibilidade em estudo pela comissão eleitoral, argumentando que os motivos financeiros apontados são plausíveis.

© Lusa   09/07/2026 

"Não via isso como um grande problema", disse o líder do partido Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), em Maputo, à margem do encerramento do Projeto PROPAZ, iniciativa de promoção da paz e reconciliação nacional, implementado por um consórcio constituído pelo CISP --Sviluppo dei Popoli, Instituto para Democracia Multipartidária (IMD), LeMuSiCa -- Levante-se Mulher e Siga o seu Caminho e Associação IVERCA.

"Se os fatores económicos ou a força económica que nós temos não é suficiente ou tem sido muito deficitária para suportar essas eleições, mas também o momento em que temos que colocar o povo a pensar na governação, não sempre nas eleições, mas na governação, está [sendo] prejudicado neste momento por termos eleições muito seguidas, não vejo problema que sejam feitas no mesmo dia", acrescentou o político.

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) moçambicana aprovou um orçamento de 72,6 milhões de meticais (um milhão de euros) para 2026, para iniciar a preparação do próximo ciclo eleitoral, admitindo estudar a realização de três eleições num único dia.

"Eu não ia ver problema nisso, salvo se alguém me fundamentar os benefícios e prejuízos de realizar ou não realizar como se está a propor", comentou ainda o político, indicando no modelo atual o país leva muito tempo a refletir sobre o processo eleitoral, atrasando a concentração em outros setores que garantem o desenvolvimento nacional.

"Se colocarmos isto, os custos financeiros de duas eleições [autárquicas e gerais], eu penso que é razoável, a não ser que me apresente razões, mesmo que fundamentem, de não organizarmos isso no mesmo dia. Porque, se eu tiver feito a minha campanha para as três eleições, para as quatro, mesmo que sejam quatro, eu preciso apenas de confiar e colocar o meu voto", concluiu o político.

Já o líder do Movimento Democrático de Moçambique (MDM, quarta força parlamentar), Lutero Simango, disse que não cabe à CNE a responsabilidade de avançar com propostas para alterar a lei eleitoral, mas fazer cumprir com o calendário, que atualmente prevê eleições autárquicas em 2028 e gerais (presidenciais, legislativas e provinciais) em 2029.

"Essa proposta francamente ainda não recebi, em nenhum momento estive numa sessão a debater esta proposta, mas a verdade é que temos um calendário eleitoral e esse calendário deve ser cumprido, não vai ser alterado, porque parto do princípio que o legislador quando quer fazer revisão de uma lei, nunca o faz para o seu próprio benefício, mas para aplicação de outros", reagiu Simango.

O político rejeitou os motivos financeiros alegados, recordando que os processos democráticos exigem dinheiro.

"Para este mandato nós vamos cumprir com o calendário eleitoral e sempre será assim. Não se pode, de alguma forma, juntar eleições locais com eleições gerais. É uma prática mundial e acontece em muitos países e Moçambique não vai alterar ordem e procedimentos já existentes. Não vai haver nenhuma alteração do calendário eleitoral", disse Simango.

Sem comentários:

Enviar um comentário