© Lusa 11/07/2026
"Até agora, o Irão cumpriu a sua palavra", escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, na rede social X, acrescentando que "só pode haver respeito quando este é mútuo".
Os confrontos recomeçaram na passada terça-feira entre iranianos e norte-americanos. Os ataques trocados desde então pelas duas partes foram os mais intensos desde a assinatura, a 17 de junho, de um protocolo de acordo destinado a pôr um fim definitivo à guerra desencadeada a 28 de fevereiro por um ataque israelo-americano contra o Irão.
Donald Trump voltou a afirmar na sexta-feira que este cessar-fogo estava "terminado", embora tenha aceitado continuar a dialogar com Teerão.
"A República Islâmica do Irão pediu-nos para continuar com as 'discussões'. Aceitámos fazê-lo, mas os Estados Unidos deixaram claro, em termos inequívocos, que o cessar-fogo estava TERMINADO!", declarou o presidente norte-americano.
Teerão "não fez qualquer pedido", afirmou, porém, o porta-voz do ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, ao mesmo tempo que anunciou que Araghchi se deslocará hoje a Omã para discutir o Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica no centro do diferendo com os Estados Unidos.
Teerão autoriza apenas um corredor de navegação ao longo da sua costa e exclui qualquer regresso à situação anterior à guerra, quando a passagem era livre neste estreito por onde, em condições normais, transitava um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos.
Os Estados Unidos atacaram o Irão durante duas noites consecutivas, após terem atribuído a Teerão a responsabilidade por ataques contra três navios comerciais no estreito.
Em retaliação, o Irão atacou os vizinhos do Golfo: o Kuwait, onde pelo menos uma pessoa ficou ferida, o Bahrein e ainda o Qatar, um dos mediadores nos esforços para resolver o conflito.
De acordo com os meios de comunicação norte-americanos Axios e Politico, Washington comunicou a Teerão que lhe concedia ao final do dia de hoje para se comprometer publicamente a não voltar a atacar navios no estreito.
Washington restabeleceu, além disso, as sanções económicas contra o petróleo iraniano, suspensas pelo protocolo de acordo de 17 de junho, o que Araghchi denunciou hoje como uma "violação" do cessar-fogo.
O recrudescimento das tensões ocorreu em plena cerimónia fúnebre do líder supremo iraniano Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra e que foi sepultado na sexta-feira no mausoléu do imã Reza, o santuário xiita mais sagrado do país, em Mashhad (nordeste do Irão).
Embora os Estados Unidos tenham afirmado ter atacado alvos militares, a República Islâmica acusou Washington de ter também atingido infraestruturas civis, com o objetivo de impedir que os fiéis se deslocassem ao funeral de Ali Khamenei.
A calma regressou entretanto desde a noite de quinta para sexta-feira e uma delegação do Qatar, país mediador entre Teerão e Washington, chegou na sexta-feira ao Irão para encetar conversações, segundo um meio de comunicação local.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cujo país também desempenha um papel de mediador, afirmou no X ter exortado o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, a salvar uma paz "conquistada com muito esforço".
No Irão, o principal negociador nas conversações com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que a guerra "nunca terminaria com a rendição do Irão".
O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohammad Bagher Zolghadr, advertiu que o seu país responderá a "qualquer ataque" contra as suas infraestruturas, incluindo ataques contra Israel.
Leia Também: Irão diz que guerra com os EUA "nunca terminará com rendição"
A guerra entre o Irão e os Estados Unidos "nunca terminará com a rendição" de Teerão, advertiu hoje o principal negociador iraniano nas conversações com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, segundo a agência iraniana Isna.


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