sexta-feira, 5 de junho de 2026

Putin rejeita encontro com Zelensky após carta: "Não vejo interesse"... Vladimir Putin afastou, para já, a possibilidade de um encontro com Volodymyr Zelensky, defendendo que as negociações devem prosseguir. O presidente russo reiterou que a guerra só terminará quando Moscovo atingir os objetivos definidos e voltou a rejeitar um cessar-fogo imediato.

© KAZAKOV / POOL / AFP via Getty Images    Por  noticiasaominuto.com  05/06/2026 

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, comentou a carta aberta do seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante um discurso no Fórum Económico Internacional de São Petersburgo, defendendo que um encontro "não tem sentido" para já. 

"Não vejo o interesse de um encontro. Isso só tem interesse para a parte ucraniana, a fim de travar o avanço das nossas forças armadas", declarou Vladimir Putin, citado pela agência de notícias TASS.

"[É necessário] deixar os especialistas trabalharem, desenvolverem soluções e, depois, poderemos encontrar-nos", acrescentou.

Para Putin, a guerra na Ucrânia só vai terminar quando a Rússia tiver alcançado os seus objetivos.

"Partimos do princípio de que as hostilidades vão terminar um dia. E, sem dúvida, vão cessar quando tivermos alcançado os objetivos que nos propusemos", declarou Putin.

Antes, o presidente russo tinha afirmado que era necessário dirigir-se "não aos autores da carta, mas sim aos soldados russos na linha da frente".

"Dirigindo-me a eles, quero dizer: Camaradas, todo o país olha para vós, todo o país se orgulha de vós e deposita em vós a sua esperança", afirmou Putin. "Trabalhem, irmãos!" 

A carta aberta de quinta-feira, a primeira mensagem pública que Zelensky escreveu diretamente a Putin desde que a Rússia enviou tropas para a Ucrânia em 2022, constituiu uma crítica contundente aos 26 anos do líder russo no poder.

Nesse sentido, ao rejeitar a proposta de Zelensky para uma reunião, Putin considerou-a grosseira, qualificando com esse mesmo adjetivo a atitude e o documento apresentado pelo homólogo ucraniano, sobretudo depois de um ataque com drones ocorrido a 22 de maio contra uma residência estudantil na região de Lugansk, controlada pela Rússia, que, segundo Moscovo, causou 21 mortos e dezenas de feridos.

"Será uma forma de criar condições para encontros pessoais e conversações ou de criar um ambiente que torne impossível qualquer encontro pessoal?", perguntou Putin, respondendo acreditar tratar-se da segunda opção.

Na carta aberta, Zelensky reconheceu a mudança de prioridades dos Estados Unidos, considerando que seria errado limitar-se a esperar que a administração norte-americana de Donald Trump volte a concentrar a atenção no fim dos combates na Ucrânia, enquanto permanece fortemente focada na guerra com o Irão.

Em Washington, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que "seria ótimo" que Putin e Zelensky se reunissem.

Putin já tinha anteriormente sugerido que Zelensky se deslocasse a Moscovo para conversações, proposta que o líder ucraniano rejeitou de forma clara.

No mês passado, o presidente russo afirmou não excluir um encontro num país terceiro, mas apenas quando existir um acordo pronto para ser assinado.

Na quinta-feira, Putin voltou a rejeitar a exigência de Zelensky para um cessar-fogo imediato, argumentando que Moscovo pretende uma solução abrangente e não uma trégua temporária.

O presidente russo afirmou que a Rússia está disponível para um compromisso relativamente à Ucrânia, em linha com os entendimentos alcançados na cimeira realizada no ano passado com Trump, em Anchorage, no Alasca, acrescentando que Kiev terá de os aceitar para que seja possível alcançar um acordo que ponha termo ao conflito, agora no quinto ano.

"Naturalmente, a parte ucraniana gostaria que suspendêssemos os avanços das tropas russas. Mas seria melhor acabar com a guerra através da aceitação dos compromissos discutidos em Anchorage", acrescentou.


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O Presidente francês, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, manterão conversações entre si antes de se reunirem com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

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