© MAHMOUD ZAYYAT/AFP via Getty Images Por LUSA 26/06/2026
"Os terroristas levaram as armas para uma estrutura na zona de Manzala, usada como posto de combate e observação", relatou o exército em comunicado, alegando que os visados se preparavam para atacar os soldados israelitas.
O memorando de entendimento, acordado na semana passada entre Estados Unidos e Irão para suspender a guerra, lançada em 28 de fevereiro pela ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica, estipula "o termo imediato e permanente das operações militares em todas as frentes", incluindo o Líbano.
O texto prevê também que a integridade territorial libanesa deve ser garantida, referindo-se à presença no sul do país de tropas de Israel, que tem expressado oposição ao acordo de paz com Teerão e à retirada militar do país vizinho.
Apesar da trégua, Israel realiza ataques quase diariamente contra alegados alvos do Hezbollah e justifica a sua ocupação no país vizinho como medida de segurança para proteger o seu território da ameaça representada pelo grupo xiita libanês, aliado do Irão.
O chefe do Governo israelita, Benjamin Netanyahu, recusou na quarta-feira a retirada das tropas de Israel do sul do Líbano enquanto estiver à frente do Governo e o seu ministro da Defesa insistiu que esta presença militar vai prosseguir, "mesmo que haja uma exigência" dos Estados Unidos.
O Irão tem por sua vez alertado reiteradamente que as negociações com vista a um acordo de paz definitivo com Washington estão ameaçadas pela continuação dos ataques israelitas no Líbano.
Delegações do Líbano e de Israel prosseguiram esta semana negociações diretas de paz em Washington, que no entanto têm merecido oposição do Hezbollah, tal como as iniciativas das autoridades de Beirute com vista ao seu desarmamento, enquanto o país estiver sob ataque de Israel.
Estas negociações produziram um cessar-fogo a partir de 17 de abril, que no entanto nunca foi respeitado.
Após uma reunião na quinta-feira no Bahrein, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e os países do Conselho de Cooperação do Golfo defenderam que a soberania do Líbano não pode ser garantida "enquanto os grupos armados não estatais mantiverem capacidades militares" e exigiram o seu desarmamento completo, referindo-se ao Hezbollah.
Em reação, o Presidente do Líbano, Joseph Aoun, expressou hoje gratidão pelo apelo dos países do Golfo Pérsico e do chefe da diplomacia norte-americana "para alargar a soberania do Estado libanês a todo o seu território e para que as armas permaneçam exclusivamente nas mãos de instituições legítimas".
Contudo, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, apelou hoje ao Irão para que continue a apoiar o grupo libanês
"Obrigado, Irão. Continuaremos ao vosso lado. Queremos que permaneçam connosco e que continuemos unidos, porque ficou demonstrado que a vossa força, aliada à força dos combatentes em terra, contribui para criar o equilíbrio necessário para avançarmos rumo a uma nova etapa", declarou Qassem num discurso por ocasião de uma data religiosa.
O clérigo xiita referiu-se à "derrota do projeto israelita, como passo preliminar para a expulsão da entidade israelita".
O apoio de Teerão a milícias no Médio Oriente bem como o seu arsenal de mísseis balísticos e drones são temas omissos no memorando de entendimento assinado com Washington e os países do Golfo pediram na quinta-feira que seja incluído nas negociações que vão prosseguir nas próximas semanas.
O Líbano foi arrastado pelas milícias xiitas libanesas para a nova guerra na região ao reatarem, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho desde o conflito anterior.
Desde 02 de março, pelo menos 4.230 pessoas morreram e 12.179 ficaram feridas, de acordo com a última atualização do Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que causaram também acima de um milhão de deslocados.
As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.
Leia Também: Hezbollah pediu a retirada incondicional de Israel do Líbano
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, disse hoje que o acordo entre o Irão e os Estados Unidos foi uma "declaração de derrota" para Washington e Israel, e exigiu a retirada "incondicional" das forças israelitas do Líbano.


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