terça-feira, 31 de março de 2026

Mais de 200 mil pessoas fugiram do Líbano para Síria. ONU pede ajuda... A ONU pediu hoje à comunidade internacional ajuda para financiar a operação de ajuda aos refugiados na Síria, país que, este mês, recebeu mais de 200 mil pessoas em fuga dos bombardeamentos de Israel ao Líbano.

© Kasim Yusuf/Anadolu via Getty Images  Por  LUSA   31/03/2026 

Estes refugiados, que "chegam exaustos, traumatizados e com poucos pertences" precisam de "apoio urgente", disse o representante interino do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) na Síria, Aseer T.E. al-Madaien, em conferência de imprensa hoje realizada em Genebra, na Suíça. 

Para conseguir a ajuda necessária, o ACNUR precisa de cerca de 282 milhões de euros em 2026, sendo que está a menos de 30% do financiamento necessário, adiantou o representante da agência da ONU, apelando a um "apoio urgente".

De acordo com Aseer T.E. al-Madaien, as autoridades sírias contabilizaram, entre 02 e 27 de março, a entrada de 180 mil sírios e 28 mil libaneses nos três pontos oficiais de passagem entre os países.

"A grande maioria é síria, incluindo refugiados que fugiram da Síria no passado em busca de segurança no Líbano e que agora são forçados a fugir novamente, mas também há sírios que há muito consideravam regressar a casa", afirmou o responsável do ACNUR, acrescentando que há uma grande quantidade de libaneses em fuga também.

Segundo referiu, "as necessidades imediatas das pessoas que chegam à Síria vindas do Líbano incluem alimentação, abrigo, assistência médica, meios de subsistência e apoio com a documentação civil".

Face às necessidades, o ACNUR aumentou, em colaboração com as autoridades sírias, a sua presença nas fronteiras "para garantir serviços de proteção e assistência em tempo útil".

"As nossas equipas estão no terreno, a trabalhar com outros parceiros da ONU e organizações não-governamentais (ONG), bem como com voluntários, e aproveitando a nossa rede de centros comunitários ativos, para interagir com as famílias que chegam e responder às necessidades urgentes em áreas que recebem um grande número de retornados -- incluindo Alepo, ArRaqqa, Damasco Rural, Idlib, DeirezZor, Dar'a e Homs", explicou.

O representante da agência de refugiados garantiu que o ACNUR já conseguiu ajudar centenas de famílias, prestando assistência jurídica para tratar de documentos civis, como certidões de nascimento ou de casamento.

Além disso, distribuiu água a 30.000 pessoas em trânsito, entregou bens essenciais como cobertores, lonas de plástico e mantimentos para crianças, tendo também organizado o transporte para mais de 3.500 pessoas chegarem aos seus destinos finais.

"Estamos também a trabalhar com parceiros para realizar melhorias nas infraestruturas, como a instalação de postes de iluminação solar, para melhorar a segurança nos pontos de atravessamento", disse Aseer T.E. al-Madaien, reiterando a necessidade de financiamento.

"Muitas famílias que regressam descrevem um misto de dificuldades e incertezas. Como me disse há dias um pai sírio que fugiu do Líbano após intensos bombardeamentos, regressaram à Síria -- o seu país de origem -- depois de terem passado por tanto sofrimento. Agora, só esperam que a situação aqui melhore", descreveu.

É preciso "permanecer ao lado deles para ajudar a sustentar o seu regresso e reintegração, como temos feito para apoiar os mais de 3 milhões de sírios -- refugiados e deslocados internos -- que regressaram voluntariamente a casa desde dezembro de 2024", concluiu.


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