terça-feira, 7 de julho de 2026

PROMOTORIA MILITAR PEDE PRISÃO PREVENTIVA DE DOMINGOS SIMÕES PEREIRA POR ALEGADA CUMPLICIDADE EM TENTATIVA DE GOLPE DE ESTADO

Por  Rádio Sol Mansi   07.06.2026 

A Promotoria do Tribunal Militar Superior requereu ao Juiz de Instrução Criminal a aplicação da medida de prisão preventiva ao presidente da Assembleia Nacional Popular, Domingos Simões Pereira, por alegada participação, na qualidade de cúmplice, na preparação da tentativa de golpe de Estado ocorrida em 25 de outubro de 2025.

Segundo o requerimento consultado pela Rádio Sol Mansi, os investigadores consideram existirem "fortes indícios" de que o suspeito participou de forma consciente na preparação e no apoio logístico da operação, alegações que ainda serão apreciadas pelo tribunal.

A Promotoria sustenta que um testemunho e um co-suspeito afirmaram que Domingos Simões Pereira terá disponibilizado cerca de 300 milhões de francos CFA para financiar a logística da alegada operação.

O documento refere ainda que várias reuniões relacionadas com o alegado plano terão ocorrido na residência do suspeito, com o seu conhecimento e consentimento.

De acordo com os autos, o testemunho Júlio Mam Bali terá sido colocado em contacto com Domingos Simões Pereira através de uma videochamada realizada por Alexandre Patrão Indin, igualmente investigado no processo.

A Promotoria enquadra os factos como alegada cumplicidade na tentativa de golpe de Estado, indicando os crimes de Alteração do Estado de Direito e Atentado Contra o Chefe de Estado, previstos no Código Penal e no Código de Justiça Militar.

No requerimento, o Ministério Público defende que a prisão preventiva é necessária devido aos

Alegado perigo de fuga, face à gravidade dos crimes investigados, possível influência sobre testemunhas, co-suspeitos e outros intervenientes no processo, risco de destruição, ocultação ou manipulação de provas, alegado perigo de continuação da atividade criminosa ou de atos que possam comprometer a ordem constitucional e a segurança pública.

Segundo a Promotoria, medidas de coação menos gravosas seriam insuficientes para assegurar o normal decurso do inquérito.

O pedido baseia-se em elementos constantes do processo, incluindo denúncia inicial, declarações de testemunhas, declarações de co-suspeitos, declarações prestadas por Domingos Simões Pereira e autos de acareação.

Compete agora ao Juiz de Instrução Criminal analisar o requerimento e decidir se estão reunidos os pressupostos legais para decretar ou não a prisão preventiva. Até eventual decisão judicial definitiva, as alegações constantes do requerimento representam a posição da Promotoria e não constituem prova de culpa.

Estados Unidos lançam vaga de "ataques poderosos" contra o Irão... Os Estados Unidos lançaram vários ataques contra o Irão. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) trata-se de retaliação a uma série de ataques contra navios comerciais perto do Estreito de Ormuz.

© AFP via Getty Images   Por  Notícias ao Minuto   07/07/2026 

Os Estados Unidos lançaram, esta terça-feira, "uma série de ataques poderosos" contra o Irão. Segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM) avança trata-se de retaliação a ataques contra navios comerciais perto do Estreito de Ormuz.

"As forças do Comando Central dos EUA iniciaram uma série de ataques poderosos contra o Irão para impor consequências pesadas a quem visa navios mercantes tripulados por civis inocentes numa via navegável internacional", começa por escrever o Centcom numa publicação na rede social X.

E continua: "Os ataques norte-americanos são uma resposta aos ataques iranianos contra três embarcações comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz. A agressão demonstrada pelo Irão foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo".

A imprensa estrangeira já dá conta de que foram ouvidas várias explosões em Sirik, uma cidade portuária perto do Estreito de Ormuz, e estrondos na ilha de Qeshm e em Bandar Abbas. Foram ainda reportados projéteis que caíram em Taheroui. 

Irão acusa EUA de violar memorando de entendimento

Os Estados Unidos restabeleceram as sanções ao petróleo iraniano e o Irão avisou que as negociações para um acordo final com os Estados Unidos não começarão enquanto o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçar a República Islâmica.

Segundo o MNE iraniano a suspensão da isenção das sanções é uma "clara violação" do memorando assinado em junho. Essa declaração, referem em comunicado, citado pela Al Jazeera, demonstra "má-fé" e comprova que não se pode confiar na administração norte-americana.

"O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, ao mesmo tempo que alerta para as consequências da violação do acordo, tomará todas as medidas que considere necessárias para proteger os seus interesses nacionais", lê-se no documento.

O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz foi retomado na sequência da assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, a 17 de junho, para pôr fim ao conflito. Desde então o Irão e os Estados Unidos realizaram duas rondas de negociações de alto nível.

Em 2024, circulavam diariamente pelo estreito cerca de 20 milhões de barris de crude, o equivalente a quase 20% do consumo mundial de petróleo líquido, segundo a Agência de Energia norte-americana. 


Leia Também: Irão ameaça retaliar "de forma decisiva" por ataques dos EUA

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão ameaçou hoje retaliar "de forma decisiva", após os Estados Unidos atacarem o país em resposta a ataques da República Islâmica a navios no estreito de Ormuz.

RGPH4 conclui recolha de dados e marca o primeiro recenseamento digital da Guiné-Bissau

Por Radio Voz Do Povo 

O Instituto Nacional de Estatística, INE, concluiu a etapa de recolha de dados do IV Recenseamento Geral da População e Habitação, RGPH4. É a maior operação estatística realizada no país desde 2009 e o primeiro censo integralmente digital da Guiné-Bissau.

A operação mobilizou milhares de agentes em todo o território nacional. Entre eles, Recenseadores, Controladores, Supervisores, Assistentes TIC, Coordenadores Regionais e equipas técnicas do Departamento Central de Recenseamento. O trabalho foi precedido de atualização cartográfica, recrutamento, formação e distribuição de equipamentos.

Pela primeira vez, a recolha foi feita com recurso a tablets, georreferenciação de edifícios e sistemas de monitorização em tempo real. Segundo o INE, esta mudança representa “um legado importante para o fortalecimento do Sistema Estatístico Nacional”.

Durante a recolha, o INE enfrentou dificuldades de acesso a algumas localidades, mobilidade da população, ausência de moradores e necessidade de revisitas. Para garantir a qualidade, foi criado um sistema de controlo diário na Sala de Situação, com produção de listagens de revisão e retorno das equipas ao terreno.

O processo de revisão permitiu corrigir inconsistências e reforçar a cobertura, assegurando que o maior número possível de pessoas e alojamentos fosse incluído.

O INE informa que os resultados preliminares do RGPH4 serão divulgados no dia 23 de julho. Serão apresentados os primeiros totais da população recenseada e indicadores básicos por região e setor.

O trabalho não termina aqui. Segue-se agora a fase de processamento detalhado: crítica, validação, análise de consistência, tratamento de duplicidades e codificação de respostas.

O programa de divulgação prevê ainda a publicação de tabelas oficiais, relatórios temáticos, monografias regionais, atlas geodemográfico, portal de dados e base nacional de alojamentos georreferenciados. A disseminação será feita de forma progressiva até ao final de 2027.

O INE agradeceu à população guineense pela colaboração, bem como a autoridades locais, líderes comunitários, parceiros técnicos e financeiros, órgãos de comunicação social e todas as instituições envolvidas.

“RGPH4 – Djuntus, pa disenvulvimentu di Guiné-Bissau”, refere o comunicado do Instituto.

Polónia confirma envio de mísseis Patriot para a Ucrânia: disputa política continua

Direitos de autor Bernd Wuestneck/dpa za pośrednictwem AP, Władysław Kosniniak-Kamysz/Facebook, Paweł Głogowski      Por  pt.euronews.com 07/07/2026

O Ministério da Defesa confirmou que a Polónia entregou à Ucrânia mísseis Patriot, decisão que encerrou as especulações sobre a ajuda, mas gerou tensão entre o governo e a Presidência.

Segundo o Ministério da Defesa Nacional (MON), a decisão de enviar os mísseis foi tomada após consultas com os aliados e na sequência de um pedido das estruturas da NATO responsáveis pelo planeamento das operações de defesa.

O ministério sublinha que o número de projéteis enviados representou apenas uma pequena parte das reservas polacas e não afetou a capacidade das Forças Armadas polacas de proteger o espaço aéreo nacional. O MON assinala também que a Polónia continua a ser um dos países com acesso prioritário a novas entregas de mísseis PAC-3 no âmbito da cooperação com os aliados.

Polónia: Ministério da Defesa garante que segurança não foi enfraquecida

De acordo com os dados divulgados, o valor da ajuda militar polaca à Ucrânia ultrapassou os 16 mil milhões de zlotys. A maior parte do apoio foi enviada para Kiev em 2022–2023 e incluiu, entre outros, carros de combate, veículos de combate de infantaria, sistemas de artilharia, aviões, helicópteros e diversos tipos de munições. A lista inclui também mísseis para o sistema Patriot, cujo envio não tinha sido previamente confirmado oficialmente.

Sobre a dimensão deste apoio falou na TVN24 o vice-ministro da Defesa Nacional, Cezary Tomczyk. Salientou que a Polónia não entregou à Ucrânia todo o sistema Patriot, mas apenas um número reduzido de mísseis destinados a esse sistema. Segundo explicou, a decisão foi precedida por uma análise militar e por consultas com os aliados.

«Falamos de um número residual. Não posso falar em valores, posso dizer que a Polónia está protegida», afirmou Tomczyk. Acrescentou que a Polónia entregou à Ucrânia «alguns mísseis» e que toda a operação foi acordada com o secretário-geral da NATO e com a parte norte-americana.

O vice-chefe do MON garantiu, ainda, que a ajuda enviada não enfraqueceu as capacidades de defesa do país. Sublinhou que a Polónia dispõe das salvaguardas necessárias e pode contar com o apoio dos aliados em caso de ameaça.

Militares norte-americanos do 5.º Batalhão do 7.º Regimento de Defesa Aérea são vistos no campo de treino de Sochaczew, na Polónia, sábado, 21 de março de 2015, durante exercícios conjuntos Fot. AP/Czarek Sokołowski

Os peritos têm, porém, uma opinião diferente, lembrando que cada envio de mísseis implica a redução das reservas e, por isso, não é totalmente neutro para as capacidades de defesa do Estado.

«O que é decisivo é a dimensão da doação e a situação das reservas, e esses dados não são conhecidos. Se forem mantidos os níveis de reserva operacional exigidos, o envio dos mísseis não enfraquecerá necessariamente de forma significativa as capacidades polacas. É preciso recordar também que um míssil russo destruído sobre a Ucrânia não será usado contra a Polónia nem contra outro país da NATO», afirmou em declarações à Euronews Jędrzej Graf, do Defence24.

Polónia: presidente responde ao governo e disputa vai além dos próprios mísseis

A confirmação do envio dos mísseis levou rapidamente o debate para o plano político. Representantes da Chancelaria do Presidente já tinham alegado que não foram devidamente informados da decisão nem dos respetivos pormenores. O governo rejeita firmemente essas acusações, sustentando que a questão foi discutida em reuniões dedicadas à segurança do Estado, às quais também participaram representantes do presidente.

O presidente Karol Nawrocki também comentou o caso. Em resposta às declarações do ministro da Defesa, sublinhou que a responsabilidade pela decisão de enviar os mísseis recai sobre o governo. Ao mesmo tempo, manifestou disponibilidade para colaborar na preparação de soluções legais que regulem futuras doações de material militar.

Como resultado, a disputa já não se limita ao envio dos mísseis para a Ucrânia. Abrange igualmente a forma como são tomadas as decisões e as regras de cooperação entre as principais instituições responsáveis pela segurança do Estado.

«As decisões sobre o envio de armamento são sobretudo competência do governo e do MON e devem basear-se em análises militares. Não é necessária a concordância formal do presidente para cada doação. No caso de sistemas com importância estratégica, o fluxo de informação entre o governo, o MON, o presidente e o BBN deveria, no entanto, ser prática corrente. O conflito atual revela, acima de tudo, um problema de comunicação entre os principais centros de poder do Estado», sublinha Jędrzej Graf.

O especialista chama a atenção para o facto do sistema Patriot continuar a ser um dos elementos centrais da defesa antiaérea e antimísseis contemporânea. Os mísseis PAC-3 estão entre os meios mais avançados destinados a combater mísseis balísticos e outros alvos aéreos.

«São atualmente alguns dos mísseis mais valiosos que a Ucrânia pode receber. Os PAC-3 MSE destinam-se a enfrentar as ameaças balísticas mais avançadas, incluindo os Iskander russos. Protegem cidades, infraestruturas críticas e instalações militares-chave. Com reservas limitadas de efetores, cada lote adicional tem um impacto operacional real e imediato», destaca.

Polónia reforça arsenal de Patriot: assinado contrato para novos mísseis

Em paralelo com o debate sobre o envio de parte dos mísseis para a Ucrânia, a Polónia está a desenvolver as suas próprias capacidades de defesa aérea. Na terça-feira, o ministro da Defesa anunciou a assinatura de um acordo relativo ao sistema Patriot, que inclui a compra de novos mísseis. Estes deverão aumentar as reservas de munições destinadas às baterias polacas de defesa antiaérea.

A expansão do sistema Patriot é um dos pilares do programa «Wisła», que visa criar um sistema de defesa aérea em múltiplas camadas na Polónia. O Ministério da Defesa Nacional sublinha que o aumento do número de mísseis disponíveis é essencial para manter a prontidão operacional e garantir a segurança do país.

As novas aquisições inserem-se também no contexto mais amplo do apoio prestado à Ucrânia. Ao enviar parte das suas próprias reservas, a Polónia, em simultâneo, repõe os stocks e investe num reforço adicional do sistema nacional de defesa aérea, para manter as capacidades de defesa exigidas.


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O primeiro-ministro canadiano anunciou hoje uma nova ajuda militar à Ucrânia no valor de 570 milhões de euros durante uma reunião com o Presidente ucraniano, à margem da cimeira da NATO em Ancara.

Cientistas descobrem nova forma de combater bactérias resistentes a antibióticos

Direitos de autor Janice Haney Carr, Jeff Hageman, M.H.S, USCDCP vía Pixnio   Por  pt.euronews.com  07/07/2026 

Estudo com participação da Universidade Pompeu Fabra identifica mecanismo que remove proteção das bactérias em laboratório e pode abrir novas vias contra a resistência aos antibióticos

Uma equipa internacional de investigadores identificou um mecanismo até agora desconhecido que permite às bactérias libertarem-se dos biofilmes, ou seja, das estruturas que lhes servem de refúgio contra os antibióticos e o sistema imunitário. A descoberta, feita numa bactéria modelo, permitiu ainda provocar a desintegração destas comunidades em laboratório sem utilizar fármacos, um avanço que poderá inspirar futuras estratégias para combater infeções persistentes.

O estudo, publicado na revista 'Nature Microbiology (fonte em espanhol)', é liderado por cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego e conta com a participação de investigadores da Universitat Pompeu Fabra (UPF). O trabalho descreve como determinadas bactérias produzem um hidrogel que, ao absorver água, acumula pressão suficiente para expulsar células a partir do interior do biofilme.

Os biofilmes são agrupamentos de bactérias que vivem agregadas e protegidas por uma espécie de camada pegajosa que elas próprias produzem. Essa barreira dificulta a ação dos antibióticos e do sistema imunitário e está na origem de muitas infeções persistentes associadas a próteses, cateteres ou feridas que não chegam a cicatrizar.

Os investigadores descobriram que, quando chega o momento de dispersarem, as bactérias produzem uma substância gelatinosa que absorve água e gera força suficiente para empurrar algumas células para fora do biofilme. Desta forma, esses microrganismos conseguem deslocar-se e colonizar outros locais.

Além disso, a equipa conseguiu manipular esse mecanismo. Ao potenciá-lo, fez com que os biofilmes se quebrassem sem necessidade de recorrer a antibióticos, embora os autores alertem que, para já, o trabalho foi realizado apenas em laboratório e ainda está longe de se traduzir num tratamento para doentes.

Alemanha defende que Líbano deve eliminar ameaça do Hezbollah... O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, apelou hoje, em Jerusalém, às autoridades libanesas para que ponham termo ao "controlo" exercido pelo movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irão, no sul do Líbano.

© Osmancan Gurdogan/Anadolu via Getty Images      Por LUSA   07/07/2026 

"É fundamental que o Líbano demonstre agora determinação, afirme a sua autoridade e garanta que o Hezbollah deixe de exercer um controlo efetivo sobre o sul do país", declarou Wadephul numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo israelita, Gideon Saar, no âmbito de uma visita a Jerusalém.

"Nenhuma ameaça, seja qual for, deve partir do território libanês contra Israel", acrescentou.

O Hezbollah envolveu o Líbano no mais recente conflito no Médio Oriente a 02 de março, ao disparar foguetes contra Israel em resposta à morte do líder supremo iraniano, 'ayatollah' Ali Khamenei, em ataques norte-americanos e israelitas, que tiveram início a 28 de fevereiro.

Desde então, Israel tem conduzido uma vasta campanha de bombardeamentos e operações militares no sul do Líbano, que provocaram mais de 4.300 mortos, segundo as autoridades libanesas, mantendo igualmente a ocupação de uma parte significativa daquela região. Do lado israelita, morreram 38 militares e um contratado civil.

A situação estabilizou parcialmente após a entrada em vigor, a 21 de junho, de um frágil cessar-fogo, antes da assinatura, cinco dias depois, de um acordo-quadro entre o Líbano e Israel com vista a uma "paz duradoura".

O acordo condiciona a retirada israelita ao desarmamento do Hezbollah, exigência que o movimento xiita rejeita.

Wadephul, que apoia a ofensiva terrestre israelita no Líbano, classificou como um "passo histórico" as negociações em curso entre Israel e o Líbano, sob mediação dos Estados Unidos, que deverão ser retomadas em Roma na próxima semana.

O chefe da diplomacia alemã abordou também a situação na Cisjordânia ocupada, criticando a expansão dos colonatos israelitas, que, na sua opinião, compromete "as perspetivas de paz".

 Wadephul apelou ainda a Israel para desbloquear as receitas fiscais e aduaneiras destinadas à Autoridade Palestiniana, com sede em Ramallah, de forma a evitar o seu colapso.

"A Autoridade Palestiniana necessita urgentemente de reformas, mas enfraquecê-la não contribui para a segurança de Israel", afirmou, alertando para o risco de se criar "um vazio que poderá ser ocupado por forças mais radicais".

"Os palestinianos precisam de uma perspetiva de futuro político e económico", sublinhou.

Durante o encontro de hoje entre os dois ministros dos Negócios Estrangeiros, o nono realizado no último ano, a Alemanha comprometeu-se a apoiar o memorial do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, com cinco milhões de euros por ano até 2030.

Devido à sua responsabilidade histórica pelo Holocausto, a Alemanha tornou-se, nas últimas décadas, um dos principais aliados de Israel.

Terceiro navio atingido no estreito de Ormuz em 24 horas... Um terceiro navio foi atingido no estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, disse hoje a agência de segurança marítima britânica UKMTO, depois de um ataque contra um petroleiro ter sido atribuído pelo Qatar ao Irão.

© Amirhossein KHORGOOEI / ISNA / AFP via Getty Images     Por  LUSA   07/07/2026 

"A UKMTO recebeu um relato de um novo incidente envolvendo um navio-cisterna em trânsito no estreito de Ormuz. O navio foi atingido por um drone de origem desconhecida e sofreu danos estruturais ligeiros. Não há registo de feridos nem de qualquer derrame de poluentes", indicou a agência nas redes sociais.

Momentos antes, a UKMTO tinha indicado que um segundo navio foi atingido por um projétil não identificado igualmente no estreito de Ormuz.

"O navio-petroleiro foi atingido por um projétil não identificado e terá sofrido danos estruturais. Não foram registados feridos nem qualquer impacto ambiental", indicou a UKMTO em comunicado.

Pouco antes, o Qatar acusou o Irão de ter visado um dos seus petroleiros quando este navegava ao largo da costa de Omã.

Na segunda-feira à noite, a UKMTO avançou que um petroleiro foi atingido por um projétil não identificado ao largo de Omã, na região do estreito de Ormuz.

O ataque, que não causou feridos nem danos ambientais, ocorreu a oito milhas náuticas (15 quilómetros) a leste de Limah, no Sultanato de Omã.

Os navios mercantes têm sido fortemente afetados pelo conflito no Médio Oriente desde 01 de março, quando o Irão fechou esta passagem vital em retaliação pelos ataques norte-americanos e israelitas, tendo os EUA, por seu lado, imposto um bloqueio aos portos iranianos.

O tráfego marítimo foi retomado na sequência da assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, a 17 de junho, para pôr fim ao conflito.

Mas o Irão reiterou, apesar da oposição dos EUA, que não haverá regresso à situação pré-guerra, quando a passagem pelo estreito era gratuita, e ameaçou os navios que tentarem contornar a única rota que autorizou, ao longo das suas costas.

No final de junho, ao acusar Teerão de ter atacado dois navios, os Estados Unidos bombardearam o país em retaliação, e o Irão, por sua vez, atacou o Kuwait e o Bahrein.

Teerão e Washington chegaram depois a novo acordo sobre uma trégua nas hostilidades.

O estreito de Ormuz constitui a principal rota marítima que liga os países petrolíferos do Médio Oriente ao resto do mundo, em particular aos mercados asiáticos.

Em 2024, circulavam diariamente pelo estreito cerca de 20 milhões de barris de crude, o equivalente a quase 20% do consumo mundial de petróleo líquido, segundo a Agência de Energia norte-americana.


Leia Também: Qatar condena ataque contra navio e atribui responsabilidade ao Irão

O Qatar condenou hoje um ataque a um dos seus navios de transporte de gás natural liquefeito (GNL), quando navegava ao largo da costa de Omã, responsabilizando o Irão pelo incidente.

Trump considera venda de F-35 à Turquia (mesmo após pedido de Israel)... O Presidente norte-americano disse hoje que está a ponderar vender caças F-35 à Turquia, um dia depois do primeiro-ministro israelita ter pedido aos Estados Unidos para não venderem estas aeronaves a Ancara.

© Emrah Gurel - Pool/Getty Images      Por LUSA   07/07/2026 

"Temos uma relação muito boa. Porque não havíamos de fazer isso? Temos uma relação melhor com a Turquia, e a Turquia tem sido, em muitos aspetos, muito mais leal do que outros países de quem esperávamos lealdade", afirmou Donald Trump aos jornalistas depois de chegar à capital turca para a cimeira da NATO. 

"Por isso, é algo que estamos, sem dúvida, a considerar. É um excelente avião, é o melhor, atualmente o melhor avião e é certamente algo que voltaremos a considerar", acrescentou Trump depois de ser questionado sobre a possível venda desses caças à Turquia, algo que Washington tinha descartado após Ancara ter recebido sistemas antiaéreos da Rússia em 2019.

Já o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que a Turquia recebeu "um compromisso" relativamente aos F-35 e Trump deu a sua palavra.

"Durante as nossas conversas nesta cimeira, iremos valorizar positivamente o compromisso que recebemos da sua parte relativamente aos F-35 no que diz respeito ao futuro. Trump sempre cumpriu a sua palavra nesta matéria. Creio que também será tomada uma decisão favorável sobre a questão dos F-35", afirmou Erdogan.

Trump, por outro lado, destacou a boa relação que mantém com o líder turco, no poder há quase 25 anos e acusado pela oposição do país de governar de forma cada vez mais autoritária.

"Nunca se sabe por que razão uma relação é especial, por vezes, damo-nos bem com as pessoas mais fortes, como ele [Erdogan], e outras vezes não se dá bem com as pessoas mais fracas e patéticas. Mas desde o momento em que nos conhecemos que nos damos bem", afirmou o líder republicano.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, pediu aos EUA para não venderem caças F-35 e os motores destas aeronaves à Turquia, por considerar que tal podia desencadear uma "alteração no equilíbrio de poder" na região.

Netanyahu referiu-se então à Turquia como um "grande país", mas lamentou que seja liderada por Erdogan, que "ameaça abertamente Israel" e "ocupa metade de Chipre".

A diplomacia turca criticou já o pedido do primeiro-ministro israelita, feito algumas horas antes do início da cimeira da NATO. São "acusações sem qualquer fundamento" que circularam "de forma coordenada", promovidas por Telavive no âmbito de "uma campanha que visa desinformar", indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco, em comunicado.

"Netanyahu e os seus cúmplices procuram distorcer deliberadamente qualquer crítica contra si e desviar a atenção através de propaganda sistemática", salientou o ministério turco, antes de sublinhar que estes esforços "já não convencem a comunidade internacional nem conseguem ocultar o genocídio perpetrado pelo Governo de Netanyahu em Gaza, as políticas de ocupação e anexação e as ações de desestabilização na região".

"O objetivo da Turquia é que todos os países e povos da região vivam em paz, estabilidade e prosperidade. Com este entendimento, voltamos a exortar Israel a adotar uma política construtiva e pacífica. A Turquia continuará a dizer a verdade", referiu ainda na mesma nota.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, reiterou que Israel se opõe à venda dos caças.

"É fundamental que Israel, na região em que vivemos, mantenha a sua vantagem militar qualitativa. Sempre foi política dos Estados Unidos apoiar essa vantagem. E estou certo de que esta é também a política do Presidente Trump e da sua administração, que é uma administração muito amiga. Por isso, espero que isso não venha a acontecer", afirmou Saar numa conferência de imprensa em Jerusalém com o homólogo alemão, Johann Wadephul, citado pelo jornal Times of Israel.

Os EUA retiraram a Turquia do programa de desenvolvimento e aquisição dos caças F-35 em 2019, na sequência da compra, por Ancara, do sistema russo de defesa antiaérea S-400, cuja aquisição tinha sido anunciada em 2017.

No entanto, Erdogan poderá tentar capitalizar as boas relações que mantém com o homólogo norte-americano para garantir a entrega de seis caças F-35 já pagos por Ancara, de acordo com a agência de notícias France-Presse.


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O presidente dos Estados Unidos afirmou hoje que provavelmente não estaria a participar na cimeira da NATO se o encontro fosse realizado na Europa, reiterando as críticas aos aliados europeus no âmbito da guerra no Irão.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Ucrânia: NATO diz que ataques russos a civis revelam "desespero" de Putin... O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmou hoje que os mais recentes ataques russos contra alvos civis na Ucrânia demonstram o "desespero" do Presidente russo, Vladimir Putin, e apelou aos aliados para reforçarem o apoio a Kiev.

© Berkan Cetin/Anadolu via Getty Images      Por  LUSA   06/07/2026 

Durante uma conferência de imprensa na véspera da cimeira da NATO, em Ancara, Rutte defendeu que a Ucrânia tem apresentado um desempenho "muito melhor do que há apenas três ou quatro meses" e está a alterar a dinâmica da guerra.

"A Ucrânia está a mudar a dinâmica no campo de batalha, graças à coragem, dedicação e engenho das suas forças armadas", afirmou o líder da Aliança Atlântica.

As declarações surgem depois de a Rússia ter lançado, durante a última noite, um ataque com mísseis balísticos e drones contra várias zonas da Ucrânia, provocando pelo menos 20 mortos, 14 dos quais em Kyiv, segundo as autoridades ucranianas.

Perante esta situação, Rutte reiterou que os aliados e parceiros da NATO devem continuar a garantir o fornecimento de meios militares à Ucrânia.

"Enquanto a Ucrânia continua a defender a sua soberania, os aliados e parceiros da NATO devem continuar a assegurar que a Ucrânia recebe o que precisa", afirmou Rutte, destacando a necessidade de reforçar os sistemas de defesa aérea.

Sobre uma eventual negociação de paz, o secretário-geral da NATO afirmou que "são precisos dois para dançar o tango", acrescentando que o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, está disponível para negociar com Putin "em qualquer formato" para colocar um fim ao conflito.

"Obviamente, até agora Putin recusou-se a fazê-lo", explicou Rutte, reconhecendo que não consegue prever o que levará o líder russo a aceitar conversações.

"É difícil compreender a mente deste homem", acrescentou Rutte, acusando Putin de estar disposto a sacrificar "até 35.000 dos seus próprios homens no campo de batalha", o que classificou como "loucura".

A cimeira da NATO, que começa na terça-feira em Ancara, deverá voltar a centrar-se na guerra na Ucrânia e no reforço do apoio aliado a Kyiv.

Zelensky é esperado na capital turca, onde deverá reunir-se, entre outros líderes, com o Presidente norte-americano, Donald Trump, para solicitar novo reforço de armamento, em particular baterias de defesa antiaérea.


Israel alega que Hamas pretende implementar "modelo Hezbollah" em Gaza... O Governo de Israel defendeu hoje que a "aparente disponibilidade" do Hamas para "dar lugar" a um Governo tecnocrático visa evitar o seu próprio desarmamento e replicar na Faixa de Gaza o "chamado modelo Hezbollah" imposto no Líbano.

© Hassan Jedi/Anadolu via Getty Images  Por  LUSA  06/07/2026 

"O Hamas procura reproduzir na Faixa de Gaza o chamado 'modelo Hezbollah': uma administração tecnocrática seria responsável pela recolha de lixo e por outros serviços municipais, enquanto o Hamas permaneceria como a força militar dominante", escreveu nas redes sociais o chefe da diplomacia israelita, Gideon Saar.

"Enquanto mantiver o seu arsenal, qualquer Governo civil funcionará, naturalmente, segundo as orientações do Hamas", acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, insistindo na exigência do desarmamento total do movimento extremista palestiniano.

Para Saar, esta perspetiva permitirá ao Hamas "continuar a oprimir a população palestiniana na Faixa de Gaza", ao mesmo tempo que "prossegue a sua guerra jihadista contra Israel".

"Israel insiste na plena aplicação do plano do Presidente norte-americano, Donald Trump, cujos princípios fundamentais são o desarmamento do Hamas e de todas as restantes organizações terroristas, bem como a desmilitarização total da Faixa de Gaza", concluiu.

O movimento islamita palestiniano, também um aliado do Irão como é o libanês Hezbollah, anunciou hoje a dissolução das suas estruturas governativas na Faixa de Gaza, após quase 20 anos no poder, abrindo caminho à administração do território por um comité tecnocrático.

"O presidente do comité de emergência do Governo, Mohammed al-Farra, apresentou oficialmente a sua demissão", declarou à agência noticiosa francesa AFP Ismail al-Thawabta, diretor do gabinete de comunicação social do Governo do Hamas, acrescentando que foi decidida "a dissolução do comité para facilitar a transição administrativa e governativa para o Comité Nacional para a Administração de Gaza (NCAG)".

O comité foi criado pelo Conselho da Paz, estabelecido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, durante as negociações que conduziram ao cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em outubro de 2025.

O NCAG, presidido pelo palestiniano Ali Shaath, tem sede no Cairo há vários meses, depois de Israel se ter oposto, segundo várias informações, ao seu destacamento para o território devastado pela guerra.

A primeira fase do cessar-fogo permitiu a libertação dos últimos reféns israelitas detidos pelo Hamas, em troca de palestinianos presos por Israel.

Contudo, a passagem à segunda fase, que previa o desarmamento do Hamas e uma retirada gradual das forças israelitas da Faixa de Gaza, permanece bloqueada há vários meses.

Pelo contrário, as forças israelitas reforçaram a sua presença no enclave, enquanto o modelo de governação da Faixa de Gaza no pós-guerra continua a ser um dos principais pontos de divergência.

Israel exclui qualquer regresso do Hamas ao poder, mas rejeita igualmente, nesta fase, o restabelecimento da administração direta da Faixa de Gaza pela Autoridade Palestiniana.

Um acordo de cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025 entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, colocando fim a dois anos de guerra no enclave, desencadeada pelo ataque de 07 de outubro de 2023 do grupo extremista no sul do território israelita, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.

Em retaliação dos ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

Apesar do acordo de cessar-fogo, as duas partes acusam-se mutuamente e regularmente de violar a trégua.


Avião iraniano que aterrou em Sana transportava especialistas militares... O presidente do Governo iemenita acusou hoje o Irão de utilizar um avião civil que aterrou em Sana, a capital controlada pelos rebeldes xiitas Huthis, para transportar especialistas e equipamento militar.

© Abdulnasser Alseddik/Anadolu via Getty Images    Por  LUSA   06/07/2026 

Rashad al Alimi afirmou, durante uma reunião em Riade com embaixadores de países que apoiam o processo de paz no Iémen, que "as informações preliminares desmentem completamente a versão Huthi sobre o caráter humanitário do voo", avançou a agência noticiosa estatal Saba.

Al-Amini adiantou que o voo transportava "pessoal militar e de segurança, especialistas iranianos especializados no desenvolvimento de drones e sistemas de mísseis, bem como equipamento eletrónico que poderia ser utilizado em sistemas de comando e controlo militar", ao mesmo tempo que na aeronave se encontravam "iemenitas que tinham recebido formação em segurança no Irão", segundo a agência.

O Presidente do Governo iemenita reconhecido internacionalmente acrescentou que o sinal de localização do avião desapareceu repetidamente enquanto este atravessava o espaço aéreo iemenita.

"Este comportamento contradiz as afirmações da milícia de que se tratava de um voo humanitário e justifica uma investigação internacional independente", declarou Al-Alimi.

O líder iemenita acrescentou que a aeronave pertencia à companhia aérea iraniana Mahan Air e afirmou que esta "tem estado associada, nos últimos anos, a sanções internacionais e a acusações de prestar apoio logístico à Guarda Revolucionária iraniana", o que torna o incidente "ainda mais perigoso" e exige "o máximo grau de vigilância internacional".

As acusações surgem três dias após um avião civil iraniano ter aterrado no Aeroporto Internacional de Sana, o que intensificou as tensões entre os Huthis e a coligação militar liderada pela Arábia Saudita.

A aliança, que controla o espaço aéreo do Iémen, não permite voos do Irão para zonas controladas pelos Huthis, sob o pretexto de que estes poderiam violar as sanções da ONU.

Os Huthis declararam na sexta-feira que enfrentaram caças sauditas que tentavam impedir a aterragem do avião iraniano e prometeram continuar os voos entre Teerão e Sana.

O porta-voz militar do grupo Huti, Yahya Sarea, advertiu que os rebeldes atacariam aeroportos sauditas e infraestruturas terrestres e marítimas vitais caso a Arábia Saudita continuasse com o que o grupo descreveu como violações do espaço aéreo iemenita.

Al Alimi apelou a "uma postura internacional mais firme face à flagrante ingerência do Irão nos assuntos iemenitas" e exigiu uma "investigação internacional sobre a carga do avião e sanções mais severas contra os Huthis".

O Irão negou repetidamente que esteja a armar os Huthis, apesar das conclusões reiteradas de peritos da ONU e de governos ocidentais que associam Teerão a envios de armas e apoio militar ao grupo.


Hamas dissolve estruturas governativas em Gaza. O que se sabe?... O movimento islamita palestiniano Hamas anunciou hoje a dissolução das suas estruturas governativas na Faixa de Gaza, após quase 20 anos no poder, abrindo caminho à administração do território por um comité tecnocrático.

© Ahmad Salem/Bloomberg via Getty Images     Por  LUSA   06/07/2026 

"O presidente do comité de emergência do Governo, Mohammed al-Farra, apresentou oficialmente a sua demissão", declarou à AFP Ismail al-Thawabta, diretor do gabinete de comunicação social do Governo do Hamas, acrescentando que foi decidida "a dissolução do comité para facilitar a transição administrativa e governativa para o Comité Nacional para a Administração de Gaza (NCAG)".

O comité foi criado pelo Conselho de Paz, estabelecido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, durante as negociações que conduziram ao cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em outubro de 2025.

O NCAG, presidido pelo palestiniano Ali Shaath, tem sede no Cairo há vários meses, depois de Israel se ter oposto, segundo várias informações, ao seu destacamento para o território devastado pela guerra.

Decisão do Hamas é simbólica mas constitui uma viragem política

A decisão do Hamas representa um ponto de viragem político para o movimento islamita, que tomou o poder na Faixa de Gaza em 2007, após confrontos com a Fatah, movimento do Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, com sede em Ramallah, na Cisjordânia ocupada.

Alguns meses após o início da guerra entre Israel e o Hamas, desencadeada pelo ataque do movimento islamita em território israelita em 07 de outubro de 2023, o Hamas afirmou estar disposto a abandonar o poder em Gaza em favor de outra liderança palestiniana.

Desde então, foram avançados vários cenários, mas a situação no terreno permanece bloqueada. Um dos principais pontos de discórdia continua a ser o desarmamento do Hamas, que insiste que apenas aceitará essa medida no âmbito de uma iniciativa política palestiniana, condição rejeitada por Israel.

"O Hamas dá um novo passo ao renunciar à administração da Faixa de Gaza, retirando à ocupação qualquer pretexto para prosseguir a sua agressão e a sua guerra de extermínio", afirmou à agência France-Presse (AFP) o porta-voz do movimento, Hazem Qassem.

Um responsável do Hamas tinha indicado anteriormente à AFP que o movimento já tinha informado as restantes fações palestinianas da decisão durante uma recente reunião realizada no Cairo.

Principal obstáculo é desarmamento do Hamas

Para o politólogo palestiniano Mkhaimar Abusada, ouvido pela AFP, a decisão do Hamas é, acima de tudo, "simbólica".

"O problema não é a dissolução do seu comité governativo, mas a aceitação do seu desarmamento. [...] Esse continua a ser o principal obstáculo", afirmou.

"Do ponto de vista do Hamas, este anúncio permite responder a vários objetivos", explicou à AFP uma fonte diplomática que participou em algumas das negociações no Cairo.

A mesma fonte considerou que a decisão "mostra que o movimento faz avançar o processo, ao mesmo tempo que procura evidenciar aquilo que considera ser o incumprimento, por parte de Israel, dos compromissos assumidos".

Segunda fase do cessar-fogo ainda bloqueada

A primeira fase do cessar-fogo permitiu a libertação dos últimos reféns israelitas detidos pelo Hamas, em troca de palestinianos presos por Israel.

Contudo, a passagem à segunda fase, que previa o desarmamento do Hamas e uma retirada gradual das forças israelitas da Faixa de Gaza, permanece bloqueada há vários meses.

Pelo contrário, as forças israelitas reforçaram a sua presença no enclave, enquanto o modelo de governação da Faixa de Gaza no pós-guerra continua a ser um dos principais pontos de divergência.

Israel exclui qualquer regresso do Hamas ao poder, mas rejeita igualmente, nesta fase, o restabelecimento da administração direta da Faixa de Gaza pela Autoridade Palestiniana.

O Hamas e Israel acusam-se mutuamente de violar o cessar-fogo.

Mais de mil palestinianos mortos desde a trégua

Pelo menos 1.072 palestinianos morreram na Faixa de Gaza desde a entrada em vigor da trégua, segundo o Ministério da Saúde do território, tutelado pelo Hamas, cujos dados são considerados fiáveis pelas Nações Unidas.

O Exército israelita afirma ter perdido, no mesmo período, cinco militares e um prestador de serviços civis em Gaza.


Leia Também: 40 mil funcionários públicos de Gaza pedem proteção após queda do Governo

Cerca de 40.000 funcionários do setor público de Gaza exigiram hoje a salvaguarda dos direitos profissionais e económicos, após a dissolução do Governo do Hamas, que dará lugar ao Comité Nacional para a Administração de Gaza.

Guiné-Bissau: Referendo popular sobre nova Constituição a 30 de agosto... Os guineenses são chamados a 30 de agosto a pronunciar-se sobre a nova Constituição do país, de acordo com um decreto presidencial publicado hoje.

©Radio TV Bantaba     06/07/2026 

Presidência da República de transição convoca referendo nacional sobre entrada em vigor da nova Constituição

Bissau, 6 de julho de 2026 — A Presidência da República de transição da Guiné-Bissau anunciou, através do Decreto Presidencial n.º 19/2026, a convocação de um referendo nacional para que os cidadãos eleitores se pronunciem sobre a entrada em vigor da nova Constituição da República aprovada pelo Conselho Nacional de Transição.

De acordo com o decreto, a decisão foi tomada considerando a proposta para a realização do referendo nacional, sobre a qual o Supremo Tribunal de Justiça emitiu parecer favorável nos termos da Lei n.º 12/2026, de 16 de junho, bem como o cumprimento dos procedimentos previstos nos artigos 29.º e 30.º da referida lei.

A consulta popular terá como pergunta:

“Concorda com a entrada em vigor da nova Constituição da República aprovada pelo Conselho Nacional de Transição?”

Os eleitores deverão responder através de uma das seguintes opções:

* SIM;

* NÃO.

O referendo nacional está marcado para o dia 30 de agosto de 2026.

O Decreto Presidencial entra em vigor na data da sua publicação.

Bissau, 6 de julho de 2026.

Ataques da Ucrânia à energia russa afetam abastecimento no Cazaquistão... Os constantes ataques da Ucrânia às infraestruturas energéticas da Rússia, que já provocaram uma crise de escassez de combustível, estão também a afetar o Cazaquistão, país vizinho, de onde os russos estão a contrabandear gasolina.

© Getty Images     Por  LUSA    06/07/2026 

Segundo o ministro do Interior do Cazaquistão, Yerzhan Sadenov, foram impedidas este ano 593 tentativas de exportação ilegal de produtos petrolíferos, num total de mais de 40.000 litros. 

As autoridades estão também a monitorizar os postos de abastecimento de combustível onde o volume de atendimento aumentou para níveis classificados como anormais.

Como resultado da crise de escassez de combustível na Rússia, provocada pelos ataques ucranianos, os cidadãos russos estão a atravessar a fronteira com o Cazaquistão para abastecer e, ocasionalmente, encher contentores para contrabando.

As autoridades cazaques foram forçadas a aumentar a vigilância e a investir mais recursos em controlos alfandegários, referiu o vice-ministro das Finanças do Cazaquistão, Yerzhan Birzhanov.

Nos últimos dias, adiantou, foram registadas 61 tentativas de contrabando envolvendo mais de três toneladas de mercadorias.

Os ataques às refinarias russas, que nas últimas semanas atingiram as regiões de Yaroslavl, Nozhny Novgorod e Saratov, estão também a afetar o fluxo de produtos cazaques para a Rússia.

A questão levou à realização de uma reunião governamental de emergência em Astana para abordar a ameaça de escassez de produtos petrolíferos antes da época da colheita do trigo, uma das principais exportações daquela república da Ásia Central.

A Ucrânia tem levado a cabo constantes ataques contra a retaguarda da Rússia, que visam sobretudo refinarias e depósitos de petróleo, o que já provocou uma grave escassez de combustível, com as autoridades russas a impor restrições à venda de gasolina e gasóleo.

Pelo menos 20 regiões russas restringiram oficialmente a venda de combustível, de acordo com o portal de notícias independente russo Meduza, embora existam restrições não oficiais em mais do dobro de localidades.


Leia Também:  Pelo menos 20 mortos em ataques russos contra o território ucraniano

Pelo menos 20 pessoas morreram nos ataques russos com mísseis e drones contra a Ucrânia na madrugada de hoje, segundo um novo balanço das autoridades ucranianas.

Netanyahu pede aos EUA que não vendam caças F-35 à Turquia... O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu pediu hoje aos Estados Unidos que não autorizem a venda de caças F-35 à Turquia, considerando que tal alteraria o equilíbrio estratégico no Médio Oriente.

© Getty Images/Ilia YEFIMOVICH/AFP     Por LUSA   06/07/2026 

Numa entrevista à cadeia televisiva Fox News, Netanyahu afirmou que não considera que Washington deva fornecer à Turquia os caças F-35 nem os motores destinados a estas aeronaves, porque isso "desequilibraria a balança de poder no Médio Oriente".

As declarações surgem numa altura em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, deverá participar na próxima cimeira da NATO em Ancara.

Os Estados Unidos retiraram a Turquia do programa de desenvolvimento e aquisição dos caças F-35 em 2019, na sequência da compra, por Ancara, do sistema russo de defesa antiaérea S-400, cuja aquisição tinha sido anunciada em 2017.


Presidente do Líbano acusa Israel de travar destacamento do exército... O presidente libanês afirmou hoje que a permanência de tropas israelitas no sul do Líbano impede o exército libanês de se posicionar nessa região, quando o acordo-quadro entre os dois países prevê a retirada progressiva de Israel.

© Houssam Shbaro/Anadolu via Getty Images     Por LUSA   06/07/2026 

Joseph Aoun sublinhou "a importância de exercer pressão sobre Israel para que se retire das zonas que ocupa no sul", uma vez que "a manutenção desta ocupação mina a legitimidade do Estado, impede a mobilização do exército e (...) uma paz justa e duradoura", segundo um comunicado da presidência.

Momentos antes, a Agência Nacional de Informação libanesa (ANI) avançou que um novo ataque israelita com um drone matou quatro pessoas no sul do país, entre as quais três mulheres, apesar do cessar-fogo em vigor.

O protocolo de acordo assinado a 17 de junho entre Teerão e Washington permitiu a entrada em vigor de um frágil cessar-fogo no Líbano a partir de 21 de junho, antes da assinatura, a 26 de junho em Washington, de um acordo-quadro entre o Líbano e Israel com vista a uma paz duradoura.

No entanto, Telavive tem reiterado que pretende manter as suas tropas na zona, que podem estender-se até dez quilómetros para além da fronteira, em território libanês, e continua a realizar ataques pontuais.

Este acordo-quadro prevê que o exército libanês restabeleça a sua autoridade no sul do país, sob a condição do desarmamento do Hezbollah, apoiado pelo Irão, começando por "zonas-piloto" das quais o exército israelita se retiraria.

Contestado pelo movimento xiita Hezbollah, o acordo não estabelece um calendário para a retirada israelita, sem o qual o regresso dos deslocados às localidades fronteiriças permanece em suspenso.

O desarmamento do Hezbollah, que o acordo estabelece como condição prévia para a retirada israelita, é uma exigência de longa data, que o Governo libanês tem dificuldade em implementar, apesar da pressão dos Estados Unidos.

Ambas as partes acusam-se mutuamente de violar o cessar-fogo.

De acordo com o Ministério da Saúde Pública libanês, pelo menos 4.301 pessoas morreram e 12.199 ficaram feridas desde o início da ofensiva israelita no Líbano, em 02 de março.

O Líbano foi arrastado pelo Hezbollah para a nova guerra na região ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita, como retaliação da ofensiva israelo-americana contra o seu aliado iraniano, que começou a 28 de fevereiro.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do Líbano desde o conflito anterior.


Comité palestiniano diz-se pronto para governar a Faixa de Gaza... O comité tecnocrático palestiniano criado pelo Conselho de Paz estabelecido pelo Presidente norte-americano declarou-se hoje preparado para administrar a Faixa de Gaza, após o anúncio da dissolução do governo do Hamas.

© Lusa   06/07/2026 

"Afirmamos que o Comité Nacional para a Administração de Gaza está plenamente preparado para assumir as suas responsabilidades nacionais assim que estejam reunidos os recursos e as capacidades necessários", escreveu na rede social X o presidente do organismo, Ali Shaath.

A dissolução do órgão de 15 membros que administrava a Faixa de Gaza sob a autoridade do Hamas há cerca de duas décadas abre caminho à transferência das responsabilidades administrativas no território para o Comité Nacional para a Administração de Gaza, mas que permaneceu parado e fora de Gaza durante vários meses.

Hoje de manhã o grupo islamita confirmou a decisão, que abre caminho para que o território seja gerido por um comité tecnocrático já formado, cuja missão é garantir a representação palestiniana nas instituições de Gaza.

A iniciativa do Hamas marca uma importante viragem política do movimento islamita, que assumiu o poder na Faixa de Gaza em 2007, após confrontos com o Fatah, o partido do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, com sede em Ramallah, na Cisjordânia ocupada.

"Os movimentos [palestinianos reunidos no Cairo] saudaram a decisão do Hamas, considerando-a um passo importante que permite ao Comité Nacional assumir o seu papel na governação", disse outro representante do Hamas.

Poucos meses após o início da guerra entre Israel e o Hamas, desencadeada pelo ataque em solo israelita de 07 de outubro de 2023, o movimento islamita anunciou a sua disponibilidade para ceder o poder na Faixa de Gaza a outra liderança palestiniana.

Desde então, têm sido discutidos vários cenários, mas, na prática, o progresso estagnou.

Um dos principais pontos de discórdia continua a ser o desarmamento do Hamas, que afirma que só o fará no âmbito de uma iniciativa política palestiniana, posição rejeitada por Israel.


Leia Também: ISRAEL: "Não haverá reconstrução em Gaza sem a desmilitarização da Faixa"...           

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, advertiu hoje a comunidade internacional de que não permitirá a reconstrução da Faixa de Gaza, devastada após meses de bombardeamentos israelitas, sem garantias de que as milícias do Hamas tenham sido completamente desarmadas.